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19 de set de 2018

Um momento de coragem


Respira. Conta até três. Levanta da cama. Senta. Conta até cinco. Levanta. Mais cinco. Sete. Senta. Oito. Dez. Respira. Abre a porta. Na metade do caminho, volta. Fecha a porta, encosta as costas, conta até dez novamente. É agora ou nunca. Agora. Abre a porta, contando três cinco sete oito dez. Respirando tão trêmulo quanto as mãos. É agora. Nunca foi fácil me abrir com meu pai, aliás, nunca pensei que seria tão fácil. "Pai quero conversar a respeito de uma coisa com você". Sentamos nas cadeiras de balanço que ficam na varanda da casa. Sentar nessas cadeiras quer dizer que os assuntos são sérios, alheios de qualquer outra distração. Como falar. Como dizer. Conta até dez. Um. Dois. Três. "O que você  quer me falar?". Quatro... "Eu acho que... gosto de meninos, eu sou gay". Pausa. Respira. Olho nos olhos. "Eu já sabia". Risos. Nervosos. Risos. Abraços. Lágrimas internas. Compreensão. Pausa. Amor. Amizade. Carinho. Desconhecido. Peso que cai dos ombros. Permissão. Para novos caminhos, para uma nova vida, para a saída.

— estou participando do projeto 30 dias de escrita.

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