escrevo principalmente porque sinto saudade, das brincadeiras no meio da rua, do asfalto quente, das birras com os meninos do bairro, do cheiro de suor e até mesmo de uma vez que tirei um piolho com a unha. sinto saudades dos pés imundos, dos grilos de pernas coloridas, da lupa e das casas de cupins no meio do mato. dos girinos correndo pelo lago, das lagartas de fogo e dos vermes de goiaba. dos primeiros dentes arrancados e da sensação estranha e salgada que o buraco deixava, gostava das tentativas de arrancar, com linha na porta, com um empurra para frente e empurra para trás, se não gira. ser criança era sobre experimentar o mundo, enfiar dedo na tomada, ouvir conselhos e os ignorar, precisar viver por conta própria. sinto saudade da curiosidade que o mundo era e que, com os anos, perdeu tanto o encanto.
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