Resenha: "Uma leve simetria" de Rafael Bán Jacobsen


Religião e paixão se cruzam e causam um embate na vida de um adolescente. Fiel aos ensinamentos judaicos: Daniel descobre, aos 13 anos, o que era o sentimento que tinha por Pedro, seu melhor amigo. O modo de como era descrito de como ele amava Pedro parecia que ele realmente amou o garoto por toda sua vida. Um relato que guarda uma beleza única e uma tristeza que ultrapassa as páginas e ligam-se ao próprio leitor.

No livro encontra-se um paralelo entre uma história bíblica que é a de Davi e Jonatã, relacionando cada capítulo do livro a uma passagem sobre outro caso de sincera e forte amizade traduzidos em profundo amor. Apesar de falar de amor, o livro é bem triste. Se lê em uma tarde, porque você quando lê fica com uma vontade de saber o que vai acontecer com o jovem Daniel.

Sem dúvida, foi um dos livros mais emocionantes que tiver o prazer de ler. Não há história de amor que se compare a uma vivida por quem tirou dela toda a fonte de sua vida, e tão cedo soube mostrar para muitos o que significa realmente o verbo “amar”. Uma leve simetria não é um livro que é pró ou contra o homossexualismo, mas que busca o valor de mostrar como um ser pode amar outro, sem levar em conta o sexo, a cor e a etnia. Só o que dificulta um pouco a leitura é o uso de palavras judaicas.

Rafael Bán Jacobsen escreve de forma fácil, sem obstáculos para a compreensão. Traçando a cada nova frase uma fonte de carinho e aceitação. Rafael quebra todas as fronteiras mostrando que é possível amar alguém mesmo se sua religião for contra. Qualquer tragédia ou arrependimento vem, na verdade, daqueles que não conseguem enxergar isso.

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