Resenha: Cisne

26 de jul. de 2013
Autora: Eleonor Hertzog
Editora: Dracaena
Páginas: 832
Avaliação: ★★★★
Série: Uma geração. Todas as decisões, volume 01.

Eleonor Hertzog escreveu a vida inteira, mas somente agora acordou para publicar seu livro, mas como ela disse: "demora um pouco para aceitar que está pronto". E agora (o livro foi lançado em 2012) que o livro está concluído venha ler, porque o sequência de Cisne já está para sair. Subam a bordo marujos que o primeiro livro de Hertzog, é uma história recheada de personagens verossímeis e agradáveis; além de ser totalmente original. Uma ideia diferente, engraçada e que deixa vontades para um próximo. 
...Um mundo lá no cantinho da galáxia.
Os resultados da Escola Avançada de Champ-Bleux são sempre imprevisíveis e incertos. Nunca se sabe os critérios que eles usam para aceitar os alunos. Champ-Bleux é uma das escolas mais disputadas da Terra, conhecida por formar os melhores cientistas terrestres e por nunca errar em seus exames.  Dra. Doris e Dr. Henry foram alunos da tão desejada escola, e seus filhos querem seguir a mesma carreira dos pais e ingressar na escola. Será uma folia, para receber os envelopes de aprovação ou de negação dos jovens. E na busca dos envelopes, somos apresentados a uma das melhores cenas: a chegada dos Melbourne no porto - é sempre aquela festa quando a tripulação do Cisne chega -, fiquei fantasiado com cenas atrás de cenas, com as invenções, com a criatividade do teatro que acontece toda vez que eles chegam no local. Ainda na expectativa de serem aceitos, acontece eventualidades entre a Terra e Tarilian (o único planeta até então habitado por humanos), e acaba sobrando para a família Melbourne "cuidar" de dois Tarilianos que estão em intercâmbio, para manter a relação entre os dois mundos. 

Algo que me chamou muito atenção e que é bem perceptível: o modo de como o livro é passado ao leitor, o livro é praticamente envolto só de diálogos. O que eu fiquei de cara, eu quando peguei o livro pela primeira vez pensei, não tem como alguém trabalhar somente com diálogos, mas Eleonor me surpreendeu novamente. A primeira surpresa que tive foi quando o livro chegou: aquele peso no pacote e o tamanho do livro. Mas esse livro só tem tamanho, porque a leitura passa tão rápido - apesar de que as vezes fica intenso e as vezes voa - que você nem percebe a grossura.  A espessura não poderia ser diferente, uma família grande não poderia ficar resumido em quatrocentas páginas ou menos (não caberia mesmo cada jeito de um personagem, ia ficar muito espremido.)

Os jovens Melbourne são um tanto farreiros, cada um com uma personalidade diferente, forte e inimaginável. É impossível, não entrar na magia do cenário, subir no mastro e gritar. Os sete Melbournes me aguentaram e eu os aguentei, até que não deu mais, eu já estava brincando e me divertindo com as palhaçadas de Tim, Ted, Teo e Tom;  provando as comidas de Peggy e ficando intrigado com a personalidade da pequena Liz que com apenas 13 anos me conquistou. Será que a autora buscou recursos ou será que ela realmente conhece todos os personagens e os trouxe para as páginas? 

Embarcar nessa aventura me proporcionou muito mais que uma história divertida ou uma ficção brilhante, por traz de uma capa de criança (como diz a Eleonor) o livro trás um valor, um sentindo, uma sensação boa e gostosa. Sabe como é se sentir rodeado de irmãos? Que só por uma vez, eles fazem palhaçadas, pregam peças e além de tudo te dão conselhos? Daí você se pega no meio da leitura, para e começa a refletir: sobre seus amigos, sobre as brincadeiras, sobre os laços familiares, o que é totalmente inesperado já que só li para me aventurar e entreter.

O motivo de não ter dado cinco estrelas para o livro é que na primeira leitura você fica meio perdido, você fica tentado decorar os personagens para não se perder e, por ser algo inovador tenho medo. Sei que é estranho falar desse modo, mas ainda estou receoso com a nota e, faz um bom tempo que li o livro. Então se você me ver mudando a nota do livro saberá que realmente entendi o total sentindo que ele traz a mim e saberá que o livro será mais que recomendado. 
“Desde o dia em que cheguei à Terra, soube, senti, que havia algo que eu devia realizar deste mundo. A percepção insistiu, cresceu, me fez procurar informações e fatos, até chegar nesta teoria que agora Bryan confirmou, em nome do Segundo Protetorado. A Terra é uma preciosidade. É única, e precisa ser protegida.” Página 830
O livro é construído num enrendo voraz que o fim está ligado no começo e vice-versa. Como eu já disse é uma leitura inovadora, de "estréia" e que realça a beleza da literatura nacional. Me sinto lisonjeado em deparar com uma leitura inteligente e criativa. Então fica a dica de uma descoberta intrigante e que deixa marcas no leitor. Vou ser sincero, eu não vou conseguir transmitir tudo o que o livro passa, se você querer resenhar afinco, sairá um artigo científico. Por isso termino essa resenha com: Leia Cisne.


 
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