Resenha: Dois Rios

14 de nov. de 2013

Autora: T. Greenwood
Editora: Novo Conceito
Páginas: 428
Avaliação: ★★★★★ 

“Às vezes –ela disse – meu coração para. As vezes não consigo senti-lo batendo de jeito nenhum.” Página 121.
Na cidade mesopotâmica viajamos pelo histórico de Harper Montgomery, o rapaz mais apaixonado do mundo e que está vivendo a beira da tristeza. 

Somos apresentados a duas épocas temporais: o passado, ainda quando Harper era criança e nesse passado pode-se observar o crescimento do protagonista durante todo o livro. A alternância dos períodos além do passado passa para o presente, um trem acaba de sair dos trilhos, provocando um acidente horrível, cujos muitos saíram mortos. Uma das sobreviventes, Maggie, uma menina de 15 anos e grávida, precisa de um lugar para ficar, ele espontaneamente se oferece para leva-la para casa.

Dois Rios é um livro especial, não por trazer o sentindo da redenção. Mas o passado de Montgomery é espetacular, delicioso, engraçado e fofo. Ele foi a criança que sempre sofreu de amores por uma garota, viveu com esse amor platônico durante a sua infância e adolescência, até mesmo quando os dois eram amigos. Betsy é quase a Dora aventureira (Betsy é a menina que Harper morre de amor), é louca, comédia e perturbada – no bom sentindo. Se vocês já assistiram ‘Up! Altas Aventuras’ vão lembrar muito do filme lendo o livro. Não é a mesma história, mas o espirito farrista e aventureiro estará presente em Betsy e Harper, o que facilitou meu amor pelo livro. 
“Você vê, as coisas que nos apavoram, as coisas que nos assustam, às vezes, as melhores coisas para nós.”
O tempo mais “atual” de Harper, não que seja ruim, mas não é tão bom quanto o seu passado. Agora que tem uma filhinha e é pai solteiro, terá que se virar em dois para dar conta do recado. Mas com a chegada da estranha Maggie, um mistério começa perseguir Harper, uma surpresa tanto para o leitor quanto para o protagonista fica à espreita. 

A escrita de T. Greenwood é fácil, bem construída e com o poder de prender atenção do leitor. A bela história da cidadezinha apertada Dois Rios, deixa resquícios de quero mais e uma vontade de conhecer mais sobre Betsy, mais sobre o passado que os dois construíram juntos. 

Dois Rios é muito mais que um livro de capa bonita, é muito mais do que palavras. É interessante, é fofo, é romântico, é incorrigível. A percepção de Greenwood é belíssima e adaptada para todo tipo de público (menos crianças né?). O exemplar assusta por ser ‘grandinho’, entretanto ao ler a história se demonstra rápida, fico impressionado em ter conhecido bastante da vida de Harper em tão poucas 428 páginas. 

O livro é contato em primeira pessoa, priorizando bastante o vínculo afetivo com o personagem desde o começo da leitura. Essa aproximação nos faz entrar no meio suspense que T. escreveu e a história do protagonista será desenterrada, possibilitado a visão de seus amigos, sua família e principalmente o seu eu. 
“Se não fosse por você, provavelmente teria feito todas as coisas que tinha planejado fazer. Teria me mudado para Boston, arrumando um emprego na orquestra, essas coisas. Mas essa teria sido uma vida fácil... E agora não consigo ter imaginado ter feito algo diferente – ela sorriu e pegou minha mão.”
 
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