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30 de jul de 2017

Das vezes que me ausentei


Sou o tipo de pessoa que insiste, mas que também pondera os momentos exatos de se permitir ficar longe. Para apreciar a calma que se condensa, mas também para ficar meio solidário e triste com a distância que se aloja aos pouquinhos. 

Já acostumado a relacionamentos fadados e engolidos pela rotina maluca que de quem vive na capital e tem que estudar e tem que trabalhar e tem que ter uma vida social e fazer coisas que gosta (sozinho ou não). Observar estes apreços que a vida vai impondo me faz questionar as incertezas e as vontades, dá para entender se a saudade faz bem ou se compensa as duas ou três horas conversadas corridamente entre espaços do dia (quando há espaços).

Existem momentos e momentos, um deles é justamente esse que você sente saudade e uma pontadinha de tristeza, por saber que não vai aguentar a rotina e as poucas palavras, por saber que vai sentir falta do queijo caseiro no café da manhã de domingo, das mãos nos olhos tapando o sol enquanto está sentado no banquinho de madeira sem falar muito, por saber que a escolha da próxima música a tocar já não fará mais tanto sentido. 

A distância vai se alojando aos pouquinhos e com ele o sentimento de não ter tanto sentimento assim. E talvez, só talvez, seja melhor seguir um destino separado, porque investir machuca e dá saudade e dá vontade; e as atrocidades impostas, por fim, não permitem continuar, porque machuca e dá saudade e dá vontade. 

A gente vai apreciando, até um dia

dizer chega. 
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