Eu nasci na época errada

16 de jul. de 2013

Oi leitor, ultimamente estou meio triste. Tenho brigado muito com meus pais, com meus amigos, com minha namorada. Estou desacostumado com essa vida de momentos. Eu gosto é de simplicidade. Eu gosto de ficar ali no cantinho e ficar olhando. Sabe querido leitor, não gosto de ficar por aí me amostrando o que não sou. Acredito que ninguém me entenda, nem minha namorada. Acho que menti sobre isso, eu não tenho uma namorada. Mas para um texto ficaria legal, ter uma namorada não é? Eu não sei o que falar, nem sei o que estou escrevendo. Acredita em mim? O objetivo é só falar abobrinha, mentira, eu quero ser sincero. Eu quero largar essa bandidagem de ser um acenador, de ter um sorriso que nunca sai. 

Eu quero escutar o tum tum tum do meu coração, quero sentir o ar limpo de um campo nos meus pulmões. Quero tirar a roupa e ficar até tarde num córrego sem ter vergonha, quero ser um Adam e andar por aí como se a floresta fosse minha, como se eu fosse dono do meu próprio nariz. Quero levar um ou dois panos forrar o chão e deitar sobre eles, e ficar lá "de boa" olhando as nuvens, os formatos dela, quero rir do céu que anda de lá para cá todos os dias. Quero ouvir os passarinhos gritarem bem baixinho em seus ninhos. Quero me esconder entre as árvores como um esquilo faz. Estou mesmo é querendo fugir das motosserras, do concreto, da tecnologia, do sol quente, do estresse, da raiva, do compromisso. 

Por favor, querido leitor, não me deixe levar para aquele centro metropolitano. É muito barulho. É muita briga, é muitas drogas, muito vício. É muito irracional. Por favor, não deixe que me peguem e me levem para o centro do asfalto, não permita que me coloquem em escolas que não quero, não deixe eu respirar o gás carbônico. Por favor, eu não quero comer coisas enlatadas, industrializadas.  Eu nasci em uma época errada, eu nasci para ser simples, não nasci para essa cidade grande, para esse consumismo, para esse capitalismo. Eu, querido leitor, não nasci para ver as pessoas sofrerem só porque não tem isso, só porque não tem aquilo. 

Tudo me atormenta: essa responsabilidade, essas regras, esse conceito padrão. Quero fujir, quero ser um passarinho e voar, percorrer o mundo, gritar e pular quando bem entender. Quero andar de bicicleta e deixar o velho furgão em casa. Eu quero viver, por favor...
 
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