Uma capa de titânio

17 de set. de 2013

Tem dias que você acorda com o rosto inchado, da última noite que derramou lágrimas e nem se lembra de ter adormecido. Você acorda  melhor, sarado. Um olho, nariz ou bochecha estará vermelho, o motivo dessa vermelhidão é o que mais quer esquecer. Mas ainda assim, quer pegar uma capa da mesma cor. Colocar nas costas e sair por aí, voando. Como se fosse o Super-Homem, como se fosse de aço, como se faço inquebrável, intangível, intocável. 

Depois você percebe que é sim um Super-Homem ou uma Super-Mulher, mas não adianta a aparência estar perfeita, com um sorriso estampado no rosto. Uma maquiagem por cima do inchaço dos olhos. Não adianta querer transmitir uma imagem de titânio se dentro de você há vidro trincado.  

Tem dias que você acorda e diz: "Hoje vai ser diferente" Será? Sim. Vista sua armadura, não precisa ser a capa vermelha, vista seu terninho surrado ou seu sapado que se encontra no fundo da sapateira, mas que já te deu tanta sorte. Modele novamente o vidro estilhaçado dentro de você, faça um que nunca se quebrará novamente. Faça um com sorrisos, com vitórias, com destinos, com lembranças, com franquezas, com medos. Faça um vidro que seja você, que retrate o que você sente, faça um vidro que pulse e que não te faz um robô.
 
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