Resenha: "Lua de Vinil", de Oscar Pilagallo

Lua de Vinil
Oscar Pilagallo
Editora Seguinte
168 páginas
Em 1973, a ditadura militar comandava o Brasil. O Pink Floyd lançava o aguardado disco The Dark Side of the Moon. E Giba passava os dias jogando futebol de botão com os amigos do prédio, suspirando por Leila, sua vizinha irreverente e descolada. Ele tentava ignorar o estado grave de seu pai, internado no hospital, e não sabia que a violência do governo estava muito mais perto da sua casa na Vila Mariana do que ele imaginava.
Até que, num dia tranquilo de março, ele acaba causando um acidente e se vê obrigado a lidar com um dilema moral que o fará abandonar a inocência dos dezesseis anos para sempre.


Diferente. É essa a palavra. Diferente de tudo que já li, Lua de Vinil foi escrito por um autor brasileiro e a história se passa em São Paulo, em meio a ditadura militar e o lançamento do novo disco do Pink Floyd. Confesso que li poucas obras brasileiras na vida, mas depois dessa leitura, minha vontade de ler outras aflorou. É diferente de uma forma especial ler sobre algo que aconteceu e no seu país. Giba, o personagem principal, tem apenas dezesseis anos e vive no seu mundinho repleto de amigos, jogos de botão e seu valioso "The Dark Side of The Moon" sempre tocando na vitrola. Embora vivendo em meio ao caos da ditadura, é como se aquilo não o afetasse, incapaz de fazê-lo não se apaixonar pela vizinha Leila ou se preocupar com algo além de impressionar os amigos.



Com o pai internado doente no hospital, Giba tenta não entrar na onda de sofrimento da mãe e afasta a ideia de estar perdendo o pai. Até que, por uma onda infeliz de azar ele se mete em um acidente e as questões morais que só o pai poderia ajuda-lo a enfrentar chegam como uma avalanche que ele não se sente capaz de resolver. Contar ou não contar que é o culpado, deixar que o amigo leve a culpa, não se meter em confusão pra ajudar alguém e sair ileso, são ideias que Giba, um adolescente ainda, precisa começar a lidar.

"Só sentia medo. Medo do desprezo dos amigos. Da reprovação geral dos moradores. Do isolamento forçado. Da reação da minha mãe. De ser preso. De tudo. Medo de que a Leila me evitasse."



A leitura leve faz com que a história passe rapidinho, de forma a me deixar surpresa quando cheguei na última página. Senti falta de alguns detalhes que pra mim seriam importantes serem citados, me deixaram com alguns pontos de interrogação na cabeça o que, pra mim, foi um ponto negativo. As relações feitas entre a história e o album do Pink Floyd já foi uma surpresa agradável, para todos os amantes desse album (que, por sinal, adoro!), vão sentir um gostinho especial nessa leitura. O crescimento do personagem durante a leitura é prazerosa de acompanhar, a forma como a ditadura é relatada dos olhos de um adolescente que não se envolveu diretamente, foi um olhar diferente de que tudo que já havia lido sobre.


por enquanto este blog está sem comentários,
mas temos um livro de visitas para trocarmos figurinhas!

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