4 de ago de 2018

Pés de manga

ouvi uma música que falava sobre saudade e logo lembrei da infância, da época dourada que nada me preocupava, da época que não havia tumulto e muito menos preocupação. que saudade tenho de estar leve e a única preocupação de fato fosse esperar pelo menos 30 minutos depois de almoçar para entrar na piscina porque minha mãe falava que eu passaria mal.

(inclusive, sinto falta dessas mentirinhas que tem até uma palavra legal para descrever, mas que agora não lembro, talvez a palavra seja superstições.)

na infância fui muito explorador e até acreditava ter poderes mágicos de velocidade (ainda é hoje o dia que acho que corro muito rápido), lembro que no tempo livre (que era quase o dia todo) costumava juntar com os amigos do bairro e pegar grilos com a mão, atiçar cupins e fazer velórios decentes para insetos mortos (tudo muito cuidadoso).

então, me mudei para uma chácara e quando eu não tinha medo do matagal, ali seria momentos propícios para diversão: era subir e descer o dia todo de árvores e às vezes (acreditem) pular de uma árvore para outra. era bom demais chupar fruta do pé, lá do alto descascar a manga com os dentes e se lambuzar de uma maneira muito desajeitada.

naquela não havia o medo de manchar roupas (e creio que todas eram bem manchadas), porque eu tinha cachorros e rolava para todos os lados com eles. o único caminho que fazia era de trilhas e andar de carro era bem legal, porque não era algo costumeiro, era um evento especial e não essencial, havia aquela história de pegar a roupa mais bonita e que as vezes a gente nunca usa porque a gente tem essa coisa de "roupa nova para sair".

eu tenho saudade justamente da não preocupação, de que não necessariamente precisar existir bons modos e moldes. sou apreciador de rebeldia, aquela da infância que só fazia jus ser quem era pra ser.

queria não crescer, ser pra sempre criança. porque vejo meus irmãos e as poucas preocupações: comer o último pedaço de pizza, passar o máximo de tempo na piscina, ganhar ou não algum presente. e olha que presente seria um dia voltar a ser criança.