Oi, eu sou o Igor.

Não sei como você veio parar aqui, mas vem, sinta-se em casa! Eu costumo escrever no meu blog quase todas as semanas. Também estou escrevendo um livro, você pode ler alguns textos aqui.

Os dias de saudade


haveria de reclamar sobre as noites que se tornaram distintas porque são as noites que desejei que tivesse por trás, como a minha mãe me abraçava quando era criança, também chamado de conchinha, houve saudade porque essa mesma posição sempre me trouxe conforto, cuidado e carinho. haveria saudade porque dona patrícia nem sempre gosta das minhas roupas porque não condiz com o trabalho ardoroso, ela sabe, eu sei, nos sabemos que haverá saudade disso algum dia. e nesses mesmos dias em que dona patrícia reclama das roupas encontro lucas, que se intensificou nos meus dias e nas manhãs e nas noites, que virou receio de estar e de sumir a qualquer momento, que tem o mesmo nome do meu irmão mais novo, que me dá saudade por ter 7 anos de idade e apesar de tão criança, é muito adulto. gosto dessa semelhança de nomes, são saudades distintas, mas amores imensos. e nós mesmos dias que vejo lucas e mato saudade, outras haverão de se intensificar como quando estou dentro do ônibus e há sono de manhã e depois do trabalho, no caminho a mistura de cochilo, leituras e pequenos sustos com medo de ter passado a parada, porque nesses dias que não passamos da parada, pegamos o ônibus errado, banhamos de sol e encontramos um novo caminho entre os prédios que polpam tempo e ao mesmo tempo permite pensar na vida logo de manhã. e nessas mesmas manhãs a gente descobre que será promovido, porque merece e essa é a grande notícia do dia e talvez da semana, talvez do mês. e a partir de então começa a pensar em crescer e sair de casa, para sentir saudade dos pais, das contas pagas e cama arrumada, para provar o pedaço que é ser adulto, ter responsabilidades, pagar iptu, mas chamar de nosso. meu. minha. sentir orgulho e deixar os outros orgulhosos.

esses dias são de saudade, eternizam de uma ou de outra forma, as vezes a gente esquece. e é normal, porque saudade é assim, está lá e nem parece.

 — ilustração por linhasinhas

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