12 de jul de 2018

Meio texto


Houve um término brusco, porque sabemos que términos sempre vem acompanhados de lágrimas e de brinde, coração partido.

Carlos é o tipo de cara que guardas as coisas dentro, protegido pela alma. É um menino. Doce e verde, por causa dos olhos da mesma cor que representa vitalidade, esperança e liberdade. Liberdade essa dele que prefere estar dentro dos braços de alguém, beijo no pescoço (próximo a orelha) e conchinha nos dias frios. Como dito, Carlos é dos caras que sabem guardar, dentro das sete chaves ele guarda o término com Marcelo.

Antes de continuar, vou falar sobre Marcelo, o típico garoto de óculos grandes e olheiras provocadas pelas mesmas lentes que usa para enxergar. Marcelo não faz esforço, sempre foi longínquo das palavras, dos toques, dos aconchegos e, bem, das coisas que Carlos gosta.

E é muito estranho contar esta história, porque eles teriam tudo para não dar certo, afinal, são totalmente diferentes. Mas agora me lembrei que existe aquela teoria de que os opostos se atraem, pode ser.

O primeiro encontro foi quase sem querer, Carlos lembrou, chegando a estação de ônibus nº 07 da Rodoviária do Plano Piloto, que havia esquecido a carteira com o dinheiro da passagem em cima da mesa de trabalho, se não tivesse voltado para buscar a carteira com certeza não teria passado no shopping próximo do trabalho para tomar um sorvete, já havia perdido o ônibus de qualquer forma: um doce sempre ajuda a melhorar algumas situações. Se não tivesse voltado para buscar a carteira não teria tomado sorvete, também não teria derramado o mesmo sorvete na blusa branca escocesa importada de Marcelo.

O efeito foi negativo, porque era um sorvete vermelho com preto, no caso, cereja e chocolate. Havia uma não possibilidade da blusa ser salva, mesmo usando aquele pó branco milagroso das propagandas de tv. Se não fosse pelo sorriso de Marcelo, Carlos teria caído aos prantos ali mesmo.

A sorte é que Marcelo odiava aquela blusa que sua tia-avó trouxe da última viagem da Escócia.