Ser adulto e ficar doente

14 de set. de 2018

Não me acostumei ainda com a nova vida, ainda sinto falta dos gritos do Lucas, do meu pai brigando com ele. Porém as coisas tem se ajeitado aos poucos, dá pra sentir a nova rotina se consolidando, os desafios de cozinhar só pra si todos os dias.

Ficar adulto exige que a gente faça o papel de adulto. Como se cuidar, comprar remédios para quando a gente ficar doente, requer um cuidado que eu só recebia passivamente e agora necessito, ativamente, me cuidar, me amar e principalmente me conhecer, conhecer os limites e as necessidades que se prolongam no cotidiano menos corrido.

Como de costume, minha garganta sempre inflama por qualquer motivo besta. E mesmo tendo ido a casa dos meus pais, sinto que preciso resolver isso só. Na verdade, sempre gostei de resolver as coisas sozinho, nem sempre fácil, porque é uma delícia ter as coisas feitas pra você, no caso, remédio em horários certos, sopa quentinha, medição de febre a cada 1h.

Eu amo meus pais e os mimos.

Mas ser adulto exige que eu tenha o cuidado de perceber o quão sou frágil e o quanto preciso fazer para que momentos como esse não ocorram (ou ocorram em momentos menos dolorosos). ir ao hospital sozinho me trás uma independência que não havia antes, onde eu posso resolver os meus problemas sem a orientação dos meus pais.

E sei que vou errar muitas vezes. e só assim que a gente aprende a ser de fato gente grande. talvez essa apenas uma das milhares situações que precisarei resolver sozinho.


— ilustração por listrinhas
 
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