Muito se fala sobre escrever com IA — e também sobre como identificar se um texto foi escrito por IA.  Entramos nesse consenso de que está todo mundo utilizando essa "nova" tecnologia para quase tudo, um e-mail simples, análises de conversas, saber como responder um textão, criar imagens fictícias. 

O travessão faz parte da nossa gramática desde o século XIX,  o que me deixa triste é saber que um dos artíficos mais legais da escrita (o "—") deixa de ser utilizado como algo criado por humanos e passa a ser taxado como feito por robôs.

Esse pensamento se desdobra para uma questão d'O que mais estamos deixando de ter direito porque resolvemos dar/consolidar como algo feito por inteligência artificial? Perdemos as possibilidades de explorar a nossa própria linguagem e escrita, a expressão porque não podemos ter um texto com pontuação que um robô roubou de nós.

Mas também vale lembrar que a inteligência artificial, porque mais que tenha o nome "inteligência", é bem burrinha. Em si, ela não aprende, não pensa, não tem opinião. É somente um monte de bits e muitas (muitas) contas matemáticas. A IA não é nada mais que roubo de milhões de textos da internet e o processamento de imagens, vídeos, músicas e não sei mais o quê (com consentimento nosso). Isso tudo para dizer que a IA, sem humanos, não é nada. Ela por ela, não consegue criar, não conseguiria nem mesmo colocar um travessão, porque ela não teria um ponto de partida, ela não conseguiria utilizar a pontuação correta se não tivesse processado milhares e milhares de livros ilegalmente. IA é uma cópia do ser humano.

O segundo, triste, desdobramento é estarmos substituindo e deixando ser afetados nos âmbitos das artes e de criação (as únicas coisas que permitiram aos seres humanos viverem mais de dois mil anos sem enlouquecer de vez). Estamos com livros, artigos, músicas e brevemente filmes feitos por inteligência artificial. Do que estamos abrindo mão? Da essência humana? Da nossa voz? Pensando pensamentos.


Disse a diva depois de descobrirem que ela escrevia as matérias para a Folha de São Paulo com IA.


Queria só não abrir mão do meu "—", do ";" e muitos outros artifícios que criamos desde que começamos a desenhar nas cavernas. Só porque um bando de ricos decidiu substituir seres humanos utilizando a própria história e criação humana. Muito doido.  

Para continuar essa conversa:



por enquanto este blog está sem comentários,
mas temos um livro de visitas para trocarmos figurinhas!

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