Resenha: "O Médico e o Monstro", Robert Louis Stevenson


Autor: Robert Louis Stevenson
Editora: Hedra
Páginas: 114
Avaliação: ★★★★


O Médico e o Monstro” é um livro que estava há muito tempo na minha estante, pedindo para ser lido. O receio de ler clássicos sempre fala alto, porém a grandeza que essa leitura traz é enorme. Não me arrependo em momento algum ter começado e ter terminado esse exemplar. O Médico e o Monstro me lembra muito O Retrato de Dorian Gray, as histórias são totalmente diferentes, mas algo as uni: o dualismo do ser humano em suas atitudes e ações sobre o mundo ou até mesmo sobre si.

A grande questão para o livro ser tão bom é o suspense. Encontramos escancarada uma história estranha logo de cara, e quando menos percebemos já estamos numa arriscada procura por alguém, que teoricamente não existe. Henry Jackyll é um médico que está afundando em pesquisas e experimentos, com o objetivo de separar o bem entre o mal. Mas a história não é narrada pelo médico e, sim pelo seu amigo advogado, Sr. Utterson, que foi confinado a ler seu testamento. Eis que surge do nada o Hyde, o esquisitão e diabólico jovem. Hyde é horrível, dá para sentir repulsa só em ler. Na perseguição de Utterson, para saber a origem de Hyde, percebe que tanto Hyde quando Henry estão conectados muito mais além do que por simples bens ou títulos. 
“Era isso que, preso em sua carne, murmurava e lutava para nascer. Era o que a cada hora de fraqueza, ou de leve sono, prevalecia sobre ele e o destituída da vida.” 
Clássicos como esse têm grande poder sobre a humanidade e especialmente sobre as nossas ações. Em “O Médico e o Monstro” é defasado o cerne do homem, a sua essência e composição: de que ele é feito de um lado bom e do lado ruim. Sem um peso igual esses dois lados o homem acaba se destruindo. Pertencente a uma longa linhagem de gótico romance, Stevenson cria uma margem entre a loucura e sóbrio; entre o bem e o mal. 

A verdade é: existe um Hyde em cada um de nós, assim como também existe um Henry. Somos criados e “esculpidos” dessa forma, um pouco do bem e um pouco do mal. Uma leitura recomenda!

“Meus demônios haviam ficado presos por muito tempo e saíram da jaula rugindo. Quando tomei a droga, estava consciente de uma propensão para o mal, ainda mais furiosa e capaz de maiores audácias.” 


por enquanto este blog está sem comentários,
mas temos um livro de visitas para trocarmos figurinhas!

Comentários

  1. Eu já ouvi falar desse livro, no entanto, nunca tinha visto essa capa e apesar de ter me dado uma aflição imensa, hahaha, é maravilhosa!
    Mas em relação à sua resenha, acho que quando um livro nos mostra essas diversas facetas que o ser humano pode ter, é incrível, talvez a mais incrível das coisas que a gente pode ler. Que o mundo e os seres humanos são incrivelmente voláteis e mutáveis, a relação entre o bem e o mal não tá só na sociedade, tá na gente. Isso é um assunto muito delicado pra se falar, mas é incrível quando um livros faz também que a gente recomende. Ótima resenha!

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  2. Nunca tinha relacionado esse livro com Dorian Gray, mas o dualismo realmente existe! Li "O Médico e o Monstro" uns anos atrás para escola e gostei bastante, foi um dos primeiros clássicos que eu li e foi uma ótima experiência. Não é difícil de ler e com certeza o suspense torna a leitura mais envolvente.

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