Voltei correndo para casa porque depois de um tempo percebi que estava te esquecendo, coisa que o próprio tempo se encarrega de fazer; se acostumar. Peguei aquele restinho de perfume que você esqueceu em casa e espirrei um pouco no sofá e do lado da cama que você costumava ficar, que sorte a minha, a quantidade exata.
Fico pensando o quão patético é manter estas lembranças, você provavelmente já deve estar em outros braços. E eu? Eu volto correndo para casa, para o silêncio, esperando que você o quebre a qualquer instante com aquela risada. Histórias que chegam ao fim, perfumes acabam, piadas perdem a graça. As horas passam e o esquecimento dá abertura para novos dias, novas memórias, as fotos ainda ficam em algum álbum virtual e também algumas memórias, como agora em que o amanhã não chega e ainda (ainda) posso dormir mais uma vez acompanhado de você - ou pelo menos do que restou de você.
Aiai, as muitas dores e poucas delícias de ser alguém que não esquece...
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