Essa era uma edição que ia sair na newsletter, mas não tive coragem de postar lá. Então trouxe para cá.
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Já declarei guerra ao Tinder (surto) e também já prometi que não usaria, mas hora ou outra a autoestima tá baixa (surto) e a gente baixa pra se sentir melhor (já disse que é surto?)
Eu já namorei com duas pessoas pelo Tinder, foram pessoas legais. Minha tia casou com o amor da vida dela no Tinder e há muitas outras histórias bem legais. E se você já usou esses apps, sabe que o match é algo gostosinho até, poderia ser como aquela música alma gêmea. Mas há tantos scripts e algoritmos envolvidos que acredito que seja apenas um experimento social de pessoas se relacionando. Por sorte, tive algumas presepadas bem estranhas que hoje eu rio.
match perfeito, me apaixonei
Eu nunca conversei tanto com uma pessoa como eu conversei com esse menino, eram conversas tão profundas que me sentia tão íntimo. Acho que conversamos por uma semana, daquele jeito de dizer bom dia e boa noite todos os dias. de mandar fotinhas fofas. E planejar algumas coisas, marcamos de nos encontrar um dia. O fato de morar um pouco distante de Brasília fazia com que eu tivesse que pegar um ônibus e um metrô para chegar a um lugar que ele poderia me pegar de carro. Eu gosto dessa sensação de "ser buscado de carro" e minha expectativa estava no melhor possível. 10/10. Era o match, daquele tipo que você até para com os outros contatinhos. Me visto na melhor roupa que eu tinha, uma calça mom, bem alta, uma blusa branca, bem gay. Espero sentado e o menino me chega, num carro rebaixado, short tactel, óculos juliet. O naipe. Ele era bonito, não vou negar. Acho que quando ele me viu, bateu uma mesma sensação estranha, foi um olá do tipo "hmm okay, já que estamos aqui" e entrei no carro no mesmo feeling de "hmm okay, já que estamos aqui". A ideia era irmos a um show indie de rock. Já devia ter desconfiado por aí que o date seria estranho. Mas seguimos calados para o destino, que, quando descemos, para minha surpresa, tinha vários amigos dele. Me senti coagido, porque estava óbvio para todo mundo que ali não havia match algum. As roupas não eram as mesmas e eu nunca pensei que a aparência fosse tão trivial como foi ali. Não era sobre ser bonito, era do que era atrativo. Mas curtimos o show, conversei com uns amigos dele, mas com ele? nada. E o sentimento do "hmm já que estamos aqui" não foi para um patamar além disso. Quando a gente decidiu conversar, foi para decidir acabar com a palhaçada que estava acontecendo ali e ir embora. E fomos embora. Cheguei em casa e mandei uma mensagem assim:— ok, o que acabou de acontecer?
— não sei, também não entendi.
Nunca mais nos falamos.
dates que envolvem comida são os melhores
Claro que não posso dizer muito sobre isso, porque meu signo solar é touro e nem há muito o que falar. Está explicado. Fizemos um piquenique, porque era fim de tarde e parecia ideal. Sentamos, conversamos, demos uns beijinhos. Ficamos daquele dos filmes para ver o pôr do sol, um dentro da perna do outro. Ele alisava minha perna, eu sentia o sol batendo.— Qual sua comida preferida? - Ele me perguntou.
e eu não queria responder batata frita, porque é muito básico.
— hm, lasaña. E você?
— batata frita.
— sério? Eu ia dizer isso, mas não disse porque era básico.
...
— Você já sentiu vontade de comer umas coisas estranhas?
— insectos? Já, mas acho que hoje não mais, pois é vegana. E você?
— hm, sim, às vezes eu sinto vontade de comer carne humana.
ok, eu fiquei meio em choque, mas dei aquela risadinha de "cê ta brincando, né?" Mas não veio nenhuma frase depois.
— É sério isso?
— Sim, tipo, cortar assim um filé da perna, fritar e comer — disse ele fazendo o trajeto com os dedos na minha perna.
— Bizarro.
Perdi a fome pelo resto do dia. Block, unmatch, ghost.
a intuição é um negócio muito doido,
Você costuma seguir a sua? Pois deveria. Eu conversei com um menino durante algum tempo, ele era bem legal, estava indo para a direção que eu queria ir. Morar só, conseguir um bom trabalho. Era realmente um bom partido. Marcamos um date para um dia de semana. Eu gosto de dates em dias de semana porque mudam um pouco a rotina. Como de costume, depois do trabalho dou uma corrida e nesse dia, depois da corrida. Algo estalou na minha cabeça do tipo "não vai dar certo". Não sei, era uma sensação estranha dizer que aquele match não iria pra frente. Então falei com ele algo do tipo "hm, acho que a gente não vai dar match pessoalmente" e ele mandou uma mensagem do tipo "a gente pode tentar", mas sabia que não ia rolar. Intuição, confiem nela.Fui mesmo assim, porque tinha comida envolvida e o restaurante era perto da minha casa. Fui andando até. Cheguei lá e ele realmente era tudo aquilo que as fotos prometiam e mais um pouco. A conversa fluiu tão gostosa, a comida estava gostosa e pedimos muita comida. E chegou um momento de se despedir, porque estava ficando tarde. E senti que ali chegaria o fim, várias conversas jogadas para o mundo, compartilhadas com um estranho, numa noite meio gélida que uma companhia seria bem-vinda. Mas foi isso, colocamos nossas máscaras, nos abraçamos por algum tempo demorado. Ele me beijou por cima da máscara (?). E fiquei sem entender aquilo. Voltei para casa esperando alguma mensagem. Nenhuma, até hoje. Pelo menos o almoço do dia seguinte estava garantido com as sobras que pedimos para levar.
rematch com ex?
Em Brasília é bem possível que isso aconteça, porque tudo ali é minúsculo e todo mundo se conhece. Uma vez dei um rematch com um guri de quem gostei muito e ele me mandou uma mensagem assim "já que não tem nova, a gente cola figurinha repetirá por cima". Nunca respondi, achei ousado. Porém, não quero figurinhas repetidas.Outra vez foi com meu segundo ex da vida. que eu chorei horrores e que depois do término ele desapareceu. Eu dei mais o match para ver se era real depois de vários anos. E foi. Deu certo. Conversamos por alguns dias e revisitei o passado e ele disse que era muito imaturo naquela época e que as coisas poderiam ter sido diferentes. Realmente poderiam, talvez tivesse chorado menos. Talvez tivesse chorado mais. Fizemos um update rápido, ele se formou, agora estava morando longe dos pais. sozinho. Eu também estava em algo parecido. Mas aquilo me parecia tão estranho. Parei de responder também, já expliquei sobre figurinhas repetidas.
surpresinha
Eu gosto de surpresas, mesmo que ninguém tenha conseguido fazer uma festa surpresa para mim. Mas essa história não tem nada a ver com aniversários. Estava há algum tempo conversando com um rapaz, era um papo interessante, o gosto musical era o mesmo. Conversamos tanto que decidimos marcar algo. Eu estava começando a transição do vegetarianismo e ele disse que sabia fazer uma lasanha de berigela incrível. E como você já deve ter percebido do começo deste boletim até aqui, coisas que envolvem comida me ganham. Ele não morava tão longe da minha casa. Marcamos de nos encontrar no parque onde eu levava minha cadela para passear e ele teve a oportunidade de me ver correndo atrás da bolinha junto com a Adele. Depois fomos ao mercado comprar os ingredientes, com direito a um vinho branco do qual não me lembro o nome. É claro que você sabe que vinho é uma tentação, esquenta, te deixa meio zonzo. Vinho tem aquele suspense de sexo. Eu cuidei da playlist, ele da cozinha. Seguimos assim, entre taças de vinho. histórias. O forno apitou, a lasanha ficou pronta.O vinho bateu, colocamos a lasanha para esfriar entre os beijos. Blusa para um lado, calça para outro. enfim. A tensão estava feita até que um "é que eu tenho namorado". "Como assim você tem namorado?". Claro que essa surpresa pudesse ser evitada se eu tivesse dado uma pequena stalkeada. Existem algumas coisas, como essa, que eu acredito que devem ser colocadas nas primeiras conversas e não ali. Na hora h. Logo ele explicou que era um tipo de relacionamento aberto. Mas acho que essa surpresa fez com que tudo fosse por água abaixo. Era tarde à noite e não ia mandar ele embora. Comemos a lasanha, quente mesmo.
Ele acabou dormindo e foi estranho, ainda mais por saber que nunca mais veria ele.
O emocionado
Eu não gosto de tretas, mas às vezes me dou o luxo de brigar na internet. Por causa do tédio. Porque é engraçado. Isso já aconteceu algumas vezes. O tipo de "acabei de te conhecer, mas já te amo e você é meu" ou "o emocionado". Mas eu lembro que era bem um domingo, logo depois do almoço, o celular piscou e era um match com um artista. Pintor, dos bons. Era um cara de 29 anos, muito bonito. E pensei logo "menina, que sorte foi essa". Mas é aquela coisa, se a gente procura, a gente acha. A gente começou a conversar e deu uma sintonia muito legal, sabe? Até teve troca de apelido em menos de 2h.Conversamos por umas 4 horas sem parar. Foi intenso. Até começarmos a falar sobre experiências passadas e ele começar a ter ciúmes (?).
Hahahaha Igor, eu dei boas risadas. E só pensei no seguinte: algumas experiências realmente não são individuais!
ResponderExcluiradorei o texto, como disse jeniffer, eu li com o sorriso no rosto...
ResponderExcluireu sou old school, nunca usei tinder, grindr ou algo parecido, meu atual eu conheci no twitter e na epoca a página nem atualizava sozinha.
Comer carne humana? Meu Deus!!!!! hahahahahahaha
ResponderExcluirPoderia tranquilamente ler um livro seu falando das suas aventuras no app 😂
na hora que ele falou do filé de perna eu EITA ENQUANTO PASSAVA O DEDO NA PERNA DELEEEEEEEEE passadah
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