Oi, eu sou o Igor.

Não sei como você veio parar aqui, mas vem, sinta-se em casa! Eu costumo escrever no meu blog quase todas as semanas. Também estou escrevendo um livro, você pode ler alguns textos aqui.

Uma questão pessoal, de Kenzaburo Oe

Capa do livro
Uma questão pessoal
Kenzaburo Oe
Companhia das Letras, 2003
224 páginas
Em 1964, o romancista japonês Kenzaburo Oe recebia a notícia de que seu primeiro filho nascera com uma anomalia cerebral. É a mesma situação enfrentada pelo protagonista de Uma questão pessoal, o professor Bird. Aos 27 anos, ele leva uma vida mediana, bebendo pelos bares de Tóquio e sonhando com aventuras no distante continente africano. A gravidez da mulher acrescenta angústia ao cotidiano de Bird. A ideia de que será pai e chefe de família faz com que se sinta condenado à vida cotidiana. Para piorar, depois do parto, os pais descobrem que uma anomalia cerebral fará o menino ter uma vida vegetativa. Bird não suporta a possibilidade de se ver atrelado para sempre a um filho anormal. Passa, então, a desejar a morte da criança. Aos poucos, porém, Bird se dá conta de que a crise era uma oportunidade para percorrer um caminho de conquista da realidade, enfrentando os desafios de amadurecimento da vida adulta.

Ouso dizer que esse livro é baseado na vida do próprio autor, não sei se todos os acontecimentos também acontecem na vida real. Oe teve bastante coragem de expor suas dúvidas em relação a ter um filho "anormal", em como, no primeiro momento, fosse abandonar o filho e a família.

Bird, o personagem central, está com o dilema de que nunca conseguirá realizar sua viagem dos sonhos para a África, afinal sua esposa está prestes a parir. Apenas quando o bebê nasce com aparentemente uma anomalia cerebral, ele percebe que esse sonho deve ser mesmo deixado de lado, a não ser que ele encontre algum jeito de contornar essa situação.

Acho interessante Oe ter utilizado o nome do personagem como Bird, que, na tradução, significa pássaro, com alguma metáfora à liberdade, em que precisa carregar esse fardo de decidir a vida ou morte do filho. De fato, o livro leva jus ao nome: uma questão (extremamente) pessoal; então acompanhamos esse personagem durante os dias seguintes, visitando a amante, que nos apresenta como amiga, em busca de consolo e respostas do que deveria fazer.

Enquanto isso, acho fascinante Oe escrever este livro sobre o egocentrismo e egoísmo, revelando pensamentos que possivelmente teve durante os primeiros dias com seu bebê, as incertezas, medos e frustrações — que fazem-nos detestar o personagem principal, mas também refletir sobre o que faríamos se estivéssemos naquela situação.

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