Oi, eu sou o Igor.

Não sei como você veio parar aqui, mas vem, sinta-se em casa! Eu costumo escrever no meu blog quase todas as semanas. Também estou escrevendo um livro, você pode ler alguns textos aqui.
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Criador de conteúdo

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Odeio essa terminologia, não gosto dessa profissão que afasta o artista e transforma qualquer coisa em conteúdo. Odeio que a arte precise ser criada a uma velocidade quem não permite mais decantar e tocar. Acho que o problema foi tentarmos entender os algortimos e, principalmente, subtermos ao que os ricos mandam. Vídeos 4 vezes por dia, em horários específicos.

Viver de arte e internet, ao mesmo tempo, está impossível. Vamos ser engolidos tentando produzir como máquinas e, para ser como máquinas, vamos acabar substituindo tudo por IA.

Arquivos digitais

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No começo do BEDA alguns blogues ficaram indiponíveis porque a plataforma Blogger tirou-os do ar por alguns dias e ficou claro que: difícilmente temos controle sobre os nossos arquivos digitais quando hospedados por uma bich tech (ou small tech), o fato é que podem, se quiseren, excluir centanas de textos, palavras e memórias em questão de minutos. 

Por sorte, os blogs voltaram ao ar e está tudo certo. Mas isso leva ao questionamento, do quanto temos controle sobre os nossos arquivos digitais em nuvens. Os e-mails, conversas e privacidade. 

Se deixarmos de pagar a nuvem um mês, o que acontece, toda a nossa vida é apagada? Chegamos a esse ponto em que as pessoas comeraçam a perceber que estamos pagando vários serviços para "salvar" essas mídias e que um dia elas podem apenas sumir e pronto, o que é muito estranho, porque deixamos de certo modo ter direito ao acesso dos nossos próprios dados e informações.

Acho que o cenário é pior ainda quando começamos a pagar por vários streamings (para ler, ouvir, assistir, etc) e que: estas plataformas podem reeditar o filme ou série e descontextualizar o propósito do filme. Se um filme foi feito com um proposito X e está disponível apenas na Netflix, se a Netflix quiser mudar o contexto para Y, ela poderá fazer isso? Outra coisa que fico pensando é que eles conseguem também controlar o que a gente assiste, e claro, há interesses econômicos e políticos nisso. 

Chegamos nessa era digital em que há muito "conteúdo", mas o conteúdo bom mesmo e de qualidade está ficando inacessível, seja pela quantidade e inflação de influencer querendo dar pitaco sobre tudo, ou então na necessidade de "assinar a newsletter" ou paywalls para conseguir ler estes ensaios ou matérias. 

Encontrei há algum tempo um manifesto sobre a distribuição e acesso a informação e que me deixou bem reflexivo:


Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso

Informação é poder. No entanto, como todos os poderes, há quem o queira manter só para si. Toda a herança científica e cultural do mundo, publicada ao longo de séculos em livros e jornais, está a ser progressivamente digitalizada e armazenada por um punhado de empresas privadas. Queres ler artigos científicos com os resultados mais famosos descobertos pela ciência? Vais ter de pagar quantias enormes aos editores, como a Reed Elsevier.

Mas há quem lute por mudar esta situação. O Movimento pelo Acesso Livre luta arduamente para motivar os cientistas para que não prescindam dos seus direitos de autor por essa via e, em vez disso, publiquem o seu trabalho na Internet, sob termos que permitam o acesso a qualquer um. Mas mesmo no melhor dos cenários esse trabalho será apenas aplicável ao que for publicado no futuro. Tudo até agora estará perdido.

Esse é um preço demasiado alto a pagar. Forçar académicos a pagar para ler os trabalhos dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas só permitir ao pessoal da Google a sua leitura? Providenciar artigos científicos para todas as universidades de elite do Primeiro Mundo, e nada para as crianças do Sul Global? É um escândalo e é inaceitável.

“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As companhias têm os direitos de autor, fazem enormes quantias de dinheiro ao cobrar o acesso, mas é tudo legal — não há nada que possamos fazer para os parar.” Mas a verdade é que há algo que podemos fazer, e que já tem sido feito: podemos contra-atacar.

Aqueles que acedem a estes recursos — estudantes, bibliotecários, cientistas — têm um privilégio. Alimentam-se do banquete de conhecimento enquanto o resto do mundo está fechado lá fora. Mas não precisam — de facto, moralmente, não podem — manter esse privilégio só para si. Têm, por isso, o dever de o partilhar com o mundo.

Estas acções passam-se na penumbra, no submundo marginal. São chamadas de roubo ou pirataria, como se a partilha da riqueza de conhecimento fosse equivalente à pilhagem de um navio ou ao assassinato da sua tripulação. Mas a partilha não é imoral — é um imperativo moral.

Não há justiça em seguir leis injustas. É tempo de sair da sombra e, na grande tradição da desobediência civil, declarar a nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.

Nós temos que lutar pela Guerrilha do Acesso Livre.

os dias de cão acabaram (na verdade, estão só começando)

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Essa postagem começou a ser escrita em 14 de julho de 20211, sendo a minha postagem mais antiga nos rascunhos. Não lembro quais eram os meus planos para ela; tinha apenas dois textos linkados2 que não me dizem mais alguma coisa. Só me resta reler e escrever algo sobre. 


Uma ode à experiência. 


Uma pesquisa experimental mostrou que as pessoas curtem mais as atividades quando elas não ficam tirando fotos. Sem a necessidade de documentar o momento perfeito, acabam aproveitando a viagem e não se distraem buscando idealizar o momento perfeito. Em tradução livre, "tirar um milhão de fotos de viagem para lembrar em algum futuro é um grande jeito de não aproveitar o presente".

Então, quando viajamos para lugares ou até mesmo estamos curtindo nossa preguicinha em casa, precisamos mostrar para as pessoas (que muitas vezes nem conhecemos) que estamos vivendo. 

Essa performance da vida, milhares de pessoas te dizendo como viver a vida, quando acredito, eu nem eles mesmos acreditam em todas as baboseiras que eles falam, dizem, escrevem em caixa minúscula textos de autoajuda, não para si, mas para viralizar em algum vídeo curto de 15 segundos. 

Journal of Consumer Research publicou em 2018 que tirar fotos com a intenção de postar nas redes sociais faz com que as pessoas deixem de experienciar momentos, porque isso aumenta "um receio do que as outras pessoas vão pensar". Isso, somando ao começo deste texto, quer dizer que além de perder o prazer de viver o presente, a gente preenche esses momentos com preocupações e inseguranças (mais uma vez, de estranhos).

O fato é que um vídeo, por mais "handmaid" que ele seja, por mais natural que ele pareça. Ele nunca será real. Uma postagem não é natural, não no mundo de hoje. Há uma intenção e um motivo, nem que seja mesmo só para alimentar o ego. Se postar na frente da câmara, deixa de ser apenas sobre a lembrança, mas sobre que está vivendo o melhor dos momentos e talvez até uma autoafirmação de que existimos. Vivemos uma performance de vida, uma performance de experiências até o próximo vídeo. E todos nós acabamos nos enganando nas superficialidades, sem adentrar realmente as experiências, porque queremos só despertar no outro de que: sim, eu existo e muito bem.

Um simulacro de performance.


Quando entramos nesse mundo algorítmico em que postagens com rosto possuem melhor performance em números, passamos então a ter uma promoção de si mesmo; selfies não solicitadas inundam os stories e os feeds, deixamos de ver paisagens bonitinhas, comidinhas e besteirinhas. Agora é apenas uma curadoria de si, nas melhores versões, festas e viagens. Sempre no meio, centralizado, se possível sozinho. Eu nem quero levar esta conversa para os impactos negativos que tem sobre as questões que isso leva para com o nosso próprio corpo; isso é conversa para outra hora. É que agora, deixamos de estar intrinsecamente interessados pelo outro — um comentário ou um like não é interesse. É apenas um comentário e um like.

O meu, medo, é que um dia eu morra sem eu me conhecer. E eu não acho que vai ser fazendo uma trend depois da outra que vou conseguir me entender, não é com uma roupa feita por IA ou uma imagem de mim mais velho. E eu fico imaginando se, um dia, ao demonstrar tanta presença online, sabemos o que estamos fazendo, se realmente nos conhecemos e somos autênticos. 


Happiness hit her, like a train on a track.


A música da Florence, até se encaixa de alguma forma: é sobre abandonar o passado e buscar um futuro mais leve, um futuro mais calmo, mesmo que isso exija abrir mão de antigos apegos. Espero que um dia a gente consiga correr com nossos cavalos para onde a vida seja assim mais leve, sem a correria, o cansaço e a comparação. Que a gente deixe mesmo os dias de cão para trás e consiga experienciar o que ainda resta de vida.


 

1. Mantive o mesmo título original, que é uma referência a música da Florence + The Machine, apenas com adicação da segunda parte entre parênteses.

2. How to Plan the best Vacation for your Happiness (2021) e Como as redes sociais afetam a sua visão de si mesmo (2019).

3. Postei uma selfie e agora há um monte de estranhos curtindo a minha foto.

A linguagem dos jovens

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Teorias de domingos à noite com M.

Após duas taças de um champanhe ótimo (Casal Garcia Fruitzy sabor melão), começou a tocar algumas músicas do que seria um R&B contemporâneo e outras coisas em que uma das cantoras era Chxrry. Que, na minha cabeça, era pronunciada da seguinte forma: cherry, como a cereja; M. me solta que nunca ia fazer essa associação tão rápida, porque, atualmente, os nomes e a linguagem dos jovens parecem tão distantes do que ele estava acostumado. E mudam.

Percebo em alguns memes que o meu irmão mais novo me manda que metade das coisas, talvez por eu estar maioritariamente fora das redes sociais, eu tenho de pesquisar as palavras ou os significados. Acho que a linguagem dos jovens, lembro no meu tempo, era esse lugar de novidades, que criamos trejeitos, dialetos e novos jeitos de se comunicar, isso que causa uma certa independência para com o passado dos nossos pais e tornam as palavras nossas, de fato, nossas.

A linguagem muda, como a forma de se expressar e comunicar também muda, e isso é muito genial como o ser humano criar esses artifícios tão bobos para se diferenciar: os jovens utilizarem apenas letras minúsculas ignorando as regras gramaticais e convencionais, como algo aesthetic. Já estive desse lado e hoje não consigo escrever tudo minúsculo, acho que talvez a minha fase de rebeldia e disrupção tenha passado. Envelheci.

E deixe as crianças encontrarem novas maneiras de se comunicarem entre si, agora precisamos de encontrar maneiras de conversar com eles, um problema que eu tinha quando era adolescente e que meus pais pareciam não entender. Não tinham a mesma linguagem que eu tinha com os meus amigos. 

Uma vez li que quem usa ‘emoji’ já é velho e percebi que, eu e meus amigos, começamos a usar emojis com mais frequência, talvez pela preguiça de escrever ou de procurar um sticker (as melhores formas de se expressar). Talvez de fato seja essa coisa de não termos tanta paciência de escrever e reduzir a um emoji, o "ODKASODKAP" dando lugar apenas a um😃. Fico a imaginar o quanto de coisas que se perdem entre uma frase toda escrita em minúscula e um emoji, mas faz parte. Humanos nunca conseguiram se comunicar 100%. 

Um limite para chamar de seu: estar sempre presente é não estar presente? (ou com o a internet está estragando nossas relações humanas)

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Peguei me questionando mais uma vez nessa questão de quando foi eu que parei de ter paciência ou vontande de conversar com as pessoas? Em qualquer momento que eu posso, quero ficar sozinho, sem conversa. Silêncio. Talvez nunca ficar totalmente offline tenha começado a me afetar.

Na época da escola, em que eu não tinha celular e usava de vez em quando o celular do meu avô para mandar SMS para meus amigos. Apertar três vezes para digitar a letra C, uma série de botoes para formar apenas uma frase. As mensagens eram limitadas por dia, limitadas no tamanho. No outro dia eu lembro bem dos professores reclamando para fazer silêncio, porque eu não conseguia calar a matraca. Sempre havia assunto e, principalmente, vontade. Quando foi que eu comecei a estar cansado destas trocas?

O excesso de contato virtual substituí a presença física? Não, acredito que não; somos seres sociáveis, precisamos de interação com outros humanos, mas o que resta quando você troca mensagens, fotos e mil coisas todos os dias várias horas por dia? O que resta para o físico? Será que meu cérebro é capaz de desassociar físico e digital? Às vezes estou de saco cheio, mas não é pela pessoa, mas pela exposição diária à tantos temas diferentes ~amigos, grupo do hiking, grupo de leitura, família, assuntos difíceis e então assuntos engraçados. Uma mudança extrema de humor muito rápida que não sei se os pobre neorônios conseguem processar, um vídeo de violência e um video fofinho de cachorro. Não sei quais são os danos para minha cabeça (/pesquisar).

Mas sei que não tenho vontade alguma de ir para um café jogar conversa fora. Sinto exaustão, nem é por não gostar dos meus amigos. A minha bateria social está viciada e preciso recarrega-la com muito mais frequência do que costumava (/que comparação infeliz de se fazer em tempos de IA). Depois nem as mensagens eu quero responder, porque não consigo perceber a urgência de algumas e odeio ter os números de notificações ~ o que me faz ler todas as mensagens e não necessariamente responde-las. Fico imaginando o quanto de energia mental que eu gasto para ter tantas conversas diferentes em apenas um dia.

Acho que, afinal de contas, sinto falta de quando os SMS eram limitados e sobravam assuntos para depois.

Ainda somos humanos?

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Já tinha prometido a mim mesmo que não usaria o Grindr, mas hora ou outra me vem essa vontade e quatro ou cinco "conversas" são suficientes para querer desinstalar o aplicativo. "Conversas" em aspas porque nem ouso chamar isso de um diálogo decente. 

A vontade de deletar é por causa de exemplos como o da foto abaixo que acontecem numa quantidade absurda, em que parece que perdemos o interesse pelo o que o outro é, mas no que ele pode nos oferecer, de tamanho, proporção, idade. Objetificando, mas não esperava nada diferente de um usuário que é uma barriga em que a descrição é "Masculino/Discreto"*, por aí já são várias red flags.



Queria saber onde foi que perdemos o contato, a possibilidade de fazer perguntas realmente genuínas ou de ter levemente interesse no outro. Eu sei que é um aplicativo de sexo, mas me assusta a ideia de queremos transar sem conhecer o outro, essa distância que criamos ao apego ou a intimidade que me deixa mais solitário e claramente deixa muitas coisas pessoas solitárias também. 

Não é o Grindr, Tinder, Instagram ou qualquer outra aplicação que deixa a gente com esquisitice com o outro. É nós mesmos que fazemos essas escolhas.

*Numa das conversas com L, ele disse que muita gente da nossa comunidade parece performar essa masculinidade como prova de alguma virilidade ou poder, que o feminino é algo inferior e que começamos a ter atitudes misóginas sem perceber. Isso me explodiu a cabeça.

A cabeça cheia

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 Esses dias tive que ir ao Porto resolver algumas burocracias, fiz uma viagem de bate-volta. 8 horas dentro de um ônibus. Quatro para ir, quatro para voltar. Apesar de ter levado o Kindle e conseguido terminar de ler A Vegetariana, ainda me sobraram boas horas livres, baixei o Instagram e passei boas e boas horas arrastando o dedo pelas telas, esse foi o dia de maior tempo de tela nos três últimos meses. Isso foi numa quinta-feira.

Na sexta-feira (ontem), estava destruído, não só fisicamente, mas principalmente mentalmente. A cabeça cheia, um peso, não conseguia me concentrar em nada e só tinha vontade de continuar com o celular. Em que, como eu estava tão cansado, precisava de estímulo para me manter "acordado". O estímulo do celular, do scroll e das redes sociais é tão... gostoso. E fácil.

Conseguia sentir o retrogosto na boca depois de passar várias horas com os olhos vidrados na tela, uma sensação de perda de tempo, de ressaca mesmo, um cansaço sem explicação. A dopamina barata que vem em larga escala, que não resta opção se não continuar ali consumindo.

É uma armadilha.

Acho que realmente não me resta opção, não é um lugar em que consigo de forma saudável permanecer. Não adianta colocar limite de tela, bloqueador de aplicativo ou algo do gênero. É um lugar nocivo a nossa criatividade, paz e saúde. 


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Muito se fala sobre escrever com IA — e também sobre como identificar se um texto foi escrito por IA.  Entramos nesse consenso de que está todo mundo utilizando essa "nova" tecnologia para quase tudo, um e-mail simples, análises de conversas, saber como responder um textão, criar imagens fictícias. 

O travessão faz parte da nossa gramática desde o século XIX,  o que me deixa triste é saber que um dos artíficos mais legais da escrita (o "—") deixa de ser utilizado como algo criado por humanos e passa a ser taxado como feito por robôs.

Esse pensamento se desdobra para uma questão d'O que mais estamos deixando de ter direito porque resolvemos dar/consolidar como algo feito por inteligência artificial? Perdemos as possibilidades de explorar a nossa própria linguagem e escrita, a expressão porque não podemos ter um texto com pontuação que um robô roubou de nós.

Mas também vale lembrar que a inteligência artificial, porque mais que tenha o nome "inteligência", é bem burrinha. Em si, ela não aprende, não pensa, não tem opinião. É somente um monte de bits e muitas (muitas) contas matemáticas. A IA não é nada mais que roubo de milhões de textos da internet e o processamento de imagens, vídeos, músicas e não sei mais o quê (com consentimento nosso). Isso tudo para dizer que a IA, sem humanos, não é nada. Ela por ela, não consegue criar, não conseguiria nem mesmo colocar um travessão, porque ela não teria um ponto de partida, ela não conseguiria utilizar a pontuação correta se não tivesse processado milhares e milhares de livros ilegalmente. IA é uma cópia do ser humano.

O segundo, triste, desdobramento é estarmos substituindo e deixando ser afetados nos âmbitos das artes e de criação (as únicas coisas que permitiram aos seres humanos viverem mais de dois mil anos sem enlouquecer de vez). Estamos com livros, artigos, músicas e brevemente filmes feitos por inteligência artificial. Do que estamos abrindo mão? Da essência humana? Da nossa voz? Pensando pensamentos.


Disse a diva depois de descobrirem que ela escrevia as matérias para a Folha de São Paulo com IA.


Queria só não abrir mão do meu "—", do ";" e muitos outros artifícios que criamos desde que começamos a desenhar nas cavernas. Só porque um bando de ricos decidiu substituir seres humanos utilizando a própria história e criação humana. Muito doido.  

Para continuar essa conversa:

10 passos para diminuir o tempo de tela

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  1. Remova todas as aplicações de "redes sociais" do celular e acesse apenas pelo computador. 
  2. No computador, utilize extensões para bloquear propagandas desnecessárias e recomendações. Quebre a lógica do algoritmo e receba apenas postagens de pessoas que você segue. Indico Untrap para Youtube e o Antigram para o Instagram.
    1. Trate seu celular como um telefone fixo. Meu celular fica boa parte da noite e do dia carregando, não porque a bateria é ruim, mas porque ele precisa de um lugar para ele. E mesmo quando preciso utilizar, vou até onde ele está, utilizo para o que eu preciso e devolvo para o mesmo lugar. 
    2. Celular proibido quando sentar no sofá ou ao deitar na cama.
    3. Consequentemente, nunca levar o celular para o quarto na hora de dormir.
    4. Ignore o celular por boa parte da manhã. Se for algo realmente urgente, alguém vai te ligar. 
    5. Proibido usar no banheiro também - até falei com um amigo sobre deixar sempre um livro lá caso não queira ler rótulos.
    6. Torne o celular em uma batatinha quente. Toda semana gosto de checar quão mais meu tempo de tela está abaixando e quais são os piores dias. 
    7. Almoce e jante com você mesmo e não com algum reels aleatório. 
    8. Crie mais. Consuma menos! 

    Bem, essas têm basicamente sido as minhas regras para diminuir meu tempo de tela para mais ou menos ~2h15 por dia. Eu quero diminuir mais ainda, mas também sei que isso quer dizer que vou reduzir a quantidade de tempo que vou estar online/disponível - e possivelmente a quantidade de pessoas que vou conseguir responder em "tempo real". 

    Outra coisa que vai acontecer é: o que fazer com tanto tempo que sobra? Então esteja muito atento e com cuidado para não querer pegar o celular no mesmo instante! 

    Sites & aplicações

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    Eu gostava do Instagram quando começou. Também tive meus dias favoritos falando besteiras no Twitter, depois registrando filmes no Letterboxd e no TV Time, que também permitia acompanhar séries. Para livros, usava dois: o Skoob e o Goodreads. Para inspiração, o Pinterest. Isso sem falar dos apps de diário, lembrete de água, academia, hábitos... Literalmente um app para registrar qualquer coisinha — meus registros performáticos em aplicações para mostrar para outras pessoas.

    Minha birra começou quando o Skoob passou a dar muitos problemas: ficava fora do ar, deslogava da minha conta etc. Migrei para o Goodreads, porém acho o site feio. Tentei usar o minimalista Literal, mas já estava de saco cheio e com preguiça de registrar todos os livros pela terceira vez. Exportei toda a combinação que tinha do Skoob + Goodreads + Literal em um CSV e importei tudo em uma base de dados no Notion.

    Acabei fazendo o mesmo com os filmes.

    Não acho que a minha solução no Notion seja a mais prática, mas o fato de reduzir tudo a uma única aplicação tira um certo peso de ficar navegando entre vários aplicativos, quando, para mim, são coisas que poderiam estar todas em apenas uma aplicação. Ultimamente, penso na possibilidade de trazer todos esses “logs” para este site, como já faço com a minha página de leituras. Criar um hub com todos os meus achados pela vida e, bem, ninguém vai poder tirar isso do ar de um dia para o outro.

    Eu já amei apps de produtividade. Hoje, tenho um pouco de ranço, porque prometem tanto que não consigo mais entender o propósito: pagar por serviços que conseguimos fazer totalmente sem aplicações, com a ajudinha de uma agenda de dez reais.

    🦕

    Tenho pensado em deletar algumas das minhas contas na internet (começando pelo X), fazer download dos dados e tentar incorporar tudo eventualmente neste site (ou não). Porque uma das coisas que percebi é que ficar pulando de uma aplicação para outra é apenas um desperdício de tempo e uma fragmentação desnecessária das coisas.

    Acho que é por isso que acabo gostando muito das minhas postagens semanais — meu registro de acontecimentos, mas não só: também o lugar onde conto para mim mesmo as coisas legais que estou lendo, ouvindo e assistindo — sem a necessidade de acessar várias aplicações para mim e para outras pessoas saberem o que estou consumindo.

    🦕

    Acaba que essas redes criam a “coisa da performance”, e os livros já não são mais histórias para se divertir; os filmes não são mais momentos de alívio no dia. São para mostrar que se é cult; são quantidades, volume. E é muito triste que acabemos não dando tempo para as coisas nos tocarem com calma. Estamos logo querendo o próximo para mostrar não sei para quem.

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