Um limite para chamar de seu: estar sempre presente é não estar presente? (ou com o a internet está estragando nossas relações humanas)

Peguei me questionando mais uma vez nessa questão de quando foi eu que parei de ter paciência ou vontande de conversar com as pessoas? Em qualquer momento que eu posso, quero ficar sozinho, sem conversa. Silêncio. Talvez nunca ficar totalmente offline tenha começado a me afetar.

Na época da escola, em que eu não tinha celular e usava de vez em quando o celular do meu avô para mandar SMS para meus amigos. Apertar três vezes para digitar a letra C, uma série de botoes para formar apenas uma frase. As mensagens eram limitadas por dia, limitadas no tamanho. No outro dia eu lembro bem dos professores reclamando para fazer silêncio, porque eu não conseguia calar a matraca. Sempre havia assunto e, principalmente, vontade. Quando foi que eu comecei a estar cansado destas trocas?

O excesso de contato virtual substituí a presença física? Não, acredito que não; somos seres sociáveis, precisamos de interação com outros humanos, mas o que resta quando você troca mensagens, fotos e mil coisas todos os dias várias horas por dia? O que resta para o físico? Será que meu cérebro é capaz de desassociar físico e digital? Às vezes estou de saco cheio, mas não é pela pessoa, mas pela exposição diária à tantos temas diferentes ~amigos, grupo do hiking, grupo de leitura, família, assuntos difíceis e então assuntos engraçados. Uma mudança extrema de humor muito rápida que não sei se os pobre neorônios conseguem processar, um vídeo de violência e um video fofinho de cachorro. Não sei quais são os danos para minha cabeça (/pesquisar).

Mas sei que não tenho vontade alguma de ir para um café jogar conversa fora. Sinto exaustão, nem é por não gostar dos meus amigos. A minha bateria social está viciada e preciso recarrega-la com muito mais frequência do que costumava (/que comparação infeliz de se fazer em tempos de IA). Depois nem as mensagens eu quero responder, porque não consigo perceber a urgência de algumas e odeio ter os números de notificações ~ o que me faz ler todas as mensagens e não necessariamente responde-las. Fico imaginando o quanto de energia mental que eu gasto para ter tantas conversas diferentes em apenas um dia.

Acho que, afinal de contas, sinto falta de quando os SMS eram limitados e sobravam assuntos para depois.


por enquanto este blog está sem comentários,
mas temos um livro de visitas para trocarmos figurinhas!

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