Uma continuação do Causos do Tinder 1, que fiz no último beda e o pessoal pareceu ter gostado de ouvir minhas histórias tristes (e um tanto doidas). Às vezes a gente faz mesmo só pelo plot. Algumas dessas histórias também são do Grindr.
O chato carnívoro
Ele veio aqui em casa. Eu disse, não se importe com a bagunça. Ele disse que não se importaria e que na verdade, eu era a única coisa que ele de fato prestaria atenção. Fofo. Mas que moleque chato à beça. Mesmo que fosse só para fazer brincadeiras gostosas, ainda queremos conhecer a pessoa. Chegamos em algum momento no quesito alimentação e fui falar que tinha uma dieta vegetariana, quase vegana.
"Não, mas eu não consigo viver sem carne", argumentou rígido, como se eu tivesse feito um ataque a 72 minorias. "E o que você come, mato? Vegetais?"
"Vegetais, claro, tofu, arroz, feijão, tudo menos carne", respondi como já respondi um milhão de pessoas.
"Mas e a proteína?", perguntou. Eu juro que não consigo entender a fixação das pessoas com proteína, porque elas estão tão preocupadas com a quantidade de proteína que eu como?
"Depende, leguminosas têm muit..."
"É que eu amo carne mesmo, uma picanha bem assadinha com filete de gordura", ele me cortou.
E eu vi que ali já tinha ido com Deus, muito tempo falando sobre comida e menos tempo se comendo. Me disse que, na verdade, nunca tinha comido tofu, que não sabia o gosto.
Fico imaginando estas pessoas que têm um pensamento e paladar tão infantil que vêm discutir a respeito de alimentação como se o fato de eu escolher não comer carne fosse uma questão de "eu me sobressair" como melhor ou que simplesmente estou atacando. A minha sorte é que ele não podia ficar tanto, saiu de casa e me deu um selinho dizendo: "a gente daria super certo". Gente? Delulu.
Xixi (+18)
Descobri o significado do⚡ no Grindr da pior maneira, a empírica. Era Barcelona, há alguns anos atrás, e lembro de ter acordado com uma vontade de fazer brincadeiras gostosas e perto da casa que estava ficando com amigos, tinha um casal que estava online e trocamos algumas mensagens. Marcamos para ali 30 minutos, o tempo de sair de cama, escovar os dentes e tomar um banho.
Quem marca algo desse gênero às 09h da manhã? Quem garante que a pessoa, nesse caso, as pessoas também vão fazer o mesmo? Enfim.
Cheguei no apartamento e os moços já estavam de cueca. "Pode tirar o sapato e deixar aqui", ele perguntou, é uma cultura muito europeia de apartamento tirar os sapatos assim que entra. "Claro", respondi.
E logo na entrada ele me apresentou para o marido, "esse é o meu marido H. e aquele é o M.".
M?
Eu não estava esperando por um M.
"E ali está o pó da alegria, camisinhas e lubrificante", a mesa com uma caixa enorme de camisinhas, um pote de lubrificante que duraria 10 anos pelo tamanho e várias carreirinhas brancas na mesa.
"Não obrigado", eu disse para as drogas, "peguei duas camisinhas". E então H e M começaram a se beijar e meu tesão já tinha ido com Deus, não sabia muito o que fazer, H e M foram para o banheiro e os segui.
"Quer mijar em mim?", M perguntou.
"Hmm, tá", eu respondi.
O que é um peido para quem já está cagado?
E mijei no homem. Eu nem gosto dessas coisas.
"Quer tomar um banho juntos?", me perguntaram.
"Não obrigado", me recusei a entrar naquela banheira cheia de xixi.
Voltei para sala e estava o anfitrião assistindo um filmezinho, para minha sorte a desculpa perfeita para ir embora é só fazer o que tinha que ser feito e ir embora. Gozar é sempre uma ótima desculpa para acabar algo meio merda.
Voltei para casa, tomei um banho longo, fiquei na cama até os meus amigos acordarem. Fingi que nada aconteceu, me recusava também a acreditar. Ah, o diabo do ⚡significa estar sob efeito de drogas.
Antes do Amanhecer
(Como no filme)
Nem todas as histórias foram ruins. Conheci D. numa sexta-feira, o telefone vibrou com uma mensagem dele dizendo que era o último dia dele em Lisboa e perguntou se tinha algum bar para recomendar, lembro de ter recomendado o finado Bar Mais Triste da Cidade, que era lindo, música ao vivo, era uma boa experiência para uma despedida.
"Você gostaria de me acompanhar? Caso esteja livre", disse ele em inglês.
"Claro, vamos lá, estou livre a partir das 18h", eu respondi.
Marcamos de se encontrar às 19h no cais e irmos andando para o bar.
Quando eu cheguei, lembro de tê-lo visto e pensado: "não tenho roupas apropriadas para isso". Era um rapaz muito bonito e estiloso, fiquei encantada, mas também acredito que fiquei com esse sentimento de "menos" porque o meu inglês nem era tão bom assim. Compramos duas cervejas por ali no cais e deixei que falasse sobre as suas aventuras por Lisboa, que estava viajando com amigos e aquele era seu último dia e estava sozinho porque os amigos já tinham voltado para Praga.
"Então você é tcheco?", perguntei
"É uma história complicada...", contou dizendo que morava em Praga há vários anos, que morou com a namorada, que na verdade ele é de algum país dos Bálcãs.
Lembro que essa noite durou cerca de dias, mas ao mesmo tempo durou segundos. Fomos ao Bar. E ele disse "estou um pouco nervoso, esse é o meu primeiro date com um homem". E me contou como tinha terminado o relacionamento recentemente mas que estava experimentando outras coisas, não sabia se identificava muito como bi, mas que gostava de pessoas diferentemente. Também falou sobre as suas músicas favoritas, sempre chegando muito perto do meu rosto, mas acredito que era porque a música estava meio alta e o local também meio pequeno.
O bar mais triste estava quase fechando, para, é claro, a nossa tristeza. Pagamos os drinks, um xixi antes de sair. Descemos a ruazinha, meio alegrinhos do álcool, meio tensão no ar. E naquela altura eu já não esperava um homem bonito daqueles me beijar, pelo menos a conversa tinha sido interessante...
Até ele me puxar num canto e me beijar (?). "Bem, eu não estava esperando por isso..." eu disse. E ele disse "eu não aguentava mais esperar por isso lá dentro". E então a noite se afundou nesses amassos, conversas, pernas em cima uma das outras. A escuridão que abraçava esse amor de poucas horas, em que D. podia ser quem ele queria ser e eu podia ser embalado por aquelas palavras até o amanhecer.
"Sabe, acho que está na hora de ir, meu voo é daqui a 3 horas", disse que precisava arrumar a mala ainda. "Claro, claro... que chato", eu assenti.
Trocamos números, um beijo demorado e um abraço antes dele voltar para o hostel. Cheguei em casa às 05h da manhã.
Três dias depois o celular apitou com um: "oi".
É incrível como algumas pessoas precisam se afirmar o tempo todo ne? Não consegue viver sem carne ai você vai ver, a pessoa nunca experimentou ficar um dia sem comer carne. Eu como carne, mas respeito quem não come. E ele tava ali pra outra coisa e não discutir seus hábitos alimentares. Me irritou aqui na minha casa kkkk
ResponderExcluirA última historia me deixou com um sorriso no rosto. Alguns encontros são especiais, mesmo que breves. Achei legal que ele tava se descobrindo e que escolheu ficar com você até quase perder o voo rs.
PRECISO da continuação de antes do amanhecer
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