Das viagens,
Das idas às praias,
Da primeira vez que comi ostra,
Guardei conchas no bolso do casaco, nas malas de viagem,
Fragmentos marinhos separados por milhares de quilômetros, finalmente juntos dentro de uma caixa,
De recordação, das pequenas conquistas ou do passar dos verões.
Do passar do tempo, com o passar do tempo, dos mapas que se criam no corpo,
Das estradas que se formam nas mãos, dos rios que crescem debaixo dos olhos,
Uma caixa de histórias, de miniaturas e de grandezas.
A sua grandeza, que não cabia em caixas.
Não sei se alguma vez já ouviu falar sobre caranguejos-eremitas antes,
Caranguejos-eremitas costumam fazer suas casas em conchas abandonadas,
Teu abraço tinha sensação de concha, um escuto contra turbulências,
Tenho uma coleção de abraços teus, de momentos em que eu abri os olhos para desaguar,
De dias que sentia um vazio enorme e, dentro dos teus braços, o meu próprio eco fazia um som interessante.
A vida é um pequeno serviço de pedir emprestado e devolver.
A gente nasce, usa o tempo, a natureza, a água, se ama e ama os próximos.
Dominguinho
Há 2 dias
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