2026: 29

Já venho há tempos falando sobre o excesso. Excesso esse de informação, mensagens, notificações. Querer fazer parte de tudo, mas não conseguir desdobrar a esse ponto (e ainda bem). Meu círculo de amigos tem reclamado dessa mesma coisa, quererem criar e não conseguirem, colocar um podcast ou música para tocar enquanto lava a louça, pinta ou borda.

Esses dias me desafiei a ficar um dia todo sem ver vídeos, sem barulho de música ou podcast porque estava sentindo a cabeça feito um balão. Foi bom, acordei no outro dia um pouco mais aliviado. Mas também manter esse exercício diário de vigia é exaustivo. Quais são os segredos para manter uma boa relação com o consumo?



Acontecimentos

  • Muitas alterações no trabalho e muitos projetos em simultâneo. Tentando não surtar, mas fazendo o que me pedem como e quando dá.
  • No trem Porto-Lisboa, não queria conectar o computador com a internet do celular, porque queria economizar bateria. E tive uma brilhante ideia de escrever os posts para esse blog, em um txt. Sem muita formatação, sem internet, sem música. Criei um repositório no git para ir salvando esses textos para revisão, acho que esse processo "menos" conectado talvez seja bem interessante, uma vez que consigo sincronizar depois com o celular - se eu tiver vontade. Tenho um problema em que sempre que vou escrever abro várias abas e me perco entre inspiração, consumo e criação. Acho que desligar a internet na hora de sentar para escrever pode ser uma boa para não me distrair. Pensando pensamentos.
  • Voltar a Lisboa depois de dois meses morando no Porto, impressionado pensando que: como assim já se passaram dois meses? E ao mesmo tempo não sentido que me mudei a tanto tempo. A sensação de tempo tem estado da vez mais estranha. Faltam cinco meses para o final do ano.

Consumindo

Livros

  • Terminei a leitura de Uma questão pessoal, primeiro livro que estou lendo com a L. para o o nosso projeto de lendo nobel desde que nascemos. O livro descreve esse espaço-tempo de poucos dias quando um pai descobre, que o filho nasce com uma hérnia cerebral e isso vá impactar a sua vida (e sua liberdade). Acompanhamos a saga desse homem entre sexos com a amante e pensamentos de se deveria "matar" o filho ou não. O que mais me choca é que é um livro baseado na própria vida do autor, viceral se expor dessa forma e dizer os pensamentos tão humanos, egoístas e covardes.
  • Bom dia, Inverno segue deliciosamente nestes relatos-diários. Às vezes penso em fugir para as colinas, viver no meio do nada, mas também sei que essa é uma novelização da minha cabeça; consigo perceber pelas palavras da Klink, ainda que muito poetizada, as várias camadas da solidão e da percepção das conexões humanas.

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