Oi, você deve ter perpebido que o layout mudou. Nos próximos dias algumas alterações aconteceram por aqui, desculpe o transtorno.

Dark Botanical

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Eu nem sabia que existia essa categoria de fotografia, chamada Dark Botanical, mas achei tão poética as fotos da Taís que resolvi ir atrás das minhas fotos de plantinhas e briquei um pouco com edição no Lightroom para trazer essa pegada um pouco mais misteriosa e escura para as fotos, me deu saudade da época que eu costumava editar fotinhos.

As fotos são de vários lugares, de um passeio com amigos ou dias no parque passeando com Adele. Juntei várias que tivesse esse tom mais escuro, porque muitas eu tirei em dias muito claros e por mais que editasse não iria conseguir reproduzir esse mesmo efeito.


Ressonância

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Acabei de descobrir esse conceito criado pelo Hartmut Rosa, em que ele descreve a ressonância como algo entre o eu e o mundo, ao que se constrói entre a frequência de ser atingido pelas mudanças das estações, pelas batidas das músicas.

Encontrei uma tradução sobre esse conceito feita por Diogo Silva Corrêa, e resolvi trazer para cá, para que eu possa sempre reler:

Tudo começou faz oito anos no vilarejo em que nasci e em que passo uma parte do ano, chamado Grafenhausen. Da minha casa, eu tenho a vista para as colinas e para os vales que se estendem até os Alpes… Durante a noite, tenho o hábito de passar um tempo na janela aberta do meu quarto para contemplar o mundo e meditar sobre a minha relação com ele. Progressivamente, compreendi que a maneira como eu me relacionava com o mundo e como o mundo se relacionava comigo estava a cada dia um pouco diferente. Por vezes, o céu estava limpo, os passarinhos cantavam e uma temperatura amena acariciava meu rosto; em outras ocasiões, chovia e fazia frio. Mas não era o mundo exterior que mudava: era também a reação, ou a reatividade, de meu espírito e do meu corpo. Passei então a me interrogar sobre o que diferenciava os meus estados de espírito. Quando estou de bom humor, tenho a impressão de que o mundo se abre para mim, que uma miríade de cordas entra em vibração e ressoa, como que me convidando para o mundo. Essas cordas, eu sei, estão ligadas a outrem. Lá fora, meus amigos me esperam, minha família está do meu lado, meus colegas contam comigo. As coisas a serem feitas, os desafios e as aventuras me interpelam. Entre mim e o mundo, eu sinto uma interpenetração ou, para retomar a formulação de Herbert Marcuse, uma “energia libidinal”.

Quando estou de mau humor, essas cordas cessam de ressoar. O mundo exterior não canta mais, ele joga sobre mim um olhar hostil ou indiferente, como se seus contornos não me conferissem mais nenhuma aderência. Como explicar que em um dia o mundo parece cantar e que, no dia seguinte, ele se cala? Um tal contraste não está ligado a eventos extraordinários. Eu tenho várias razões “objetivas” para estar satisfeito ou alegre e mesmo assim o mundo me aparece surdo em suas orelhas; inversamente, eu experimento uma série de inconvenientes e, contudo, os eixos de ressonância se põem a vibrar. Frequentemente, um gesto de reconhecimento ou de desprezo faz a diferença: um velho amigo retoma contato, um desconhecido me sorri, alguém próximo faz-me um testemunho de sua afeição. O contrário é também verdadeiro: eu não recebo a ligação esperada, meu vizinho nem me fala bom dia, uma discussão familiar termina mal. Isso basta para que eu me feche em mim mesmo, ou para que eu me feche para o mundo.

Eu dei-me conta de que, para mim, a música desempenhava um papel decisivo. Quando os eixos de ressonância se abrem, uma melodia flutua sobre os meus lábios e em meu coração. Escutando música, percebo correspondências secretas entre o disco, essa música interior e o mundo exterior. Em meus maus dias, por outro lado, sou capaz de apreciar um disco, mas a música não me toca, ela não faz nenhum eco no mundo exterior. Eis porque me sinto reticente ao compartilhar a tese de meu mentor Axel Honneth, que considera o desejo de reconhecimento social como nosso motor.

Não nos basta sermos amados: nós aspiramos por uma conexão. Nós temos necessidade de entrar em ressonância com outrem, com a natureza, com o nosso trabalho e, como diria Charles Taylor, meu outro mestre na filosofia, com um universo que faça sentido positivamente. Esse fenômeno não remete somente à tradição romântica (cantar e encantar o mundo), mas também ao grande medo da modernidade: mesmo se nós nos tornamos mestres da natureza, o mundo corre sempre o risco de se tornar indiferente a nós. Esse medo, ele se exprime na alienação de Karl Marx, no desencantamento de Max Weber, na reificação de Georg Lukacs, no absurdo de Albert Camus. Trata-se da razão pela qual nós difundimos a música em todos os lugares. Nos transportes, nós colocamos os fones de ouvido para calar um ambiente urbano diante do qual perdemos por completo a esperança de entrar em ressonância. Isso trai a angústia de um mundo silencioso. Nossos ritmos de vida e a aceleração vertiginosa dos modos de interação não nos ajudam a entrar em contato com as cordas de ressonância. Estabelecer e entreter uma ressonância com outrem, mas também com os objetos, o espaço, o trabalho, demanda tempo. Nessa perspectiva, eu me coloquei como objetivo elaborar uma sociologia da ressonância que estuda as condições sociais nas quais o mundo nos fala, ou permanece indiferente a nós.

Texto traduzido do livro Remède à l’accélération. Impressions d’un voyage en Chine et autres textes sur la résonance. Paris, Philosophie Magazine Éditeur, 2018. 

2026: 33

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Acontecimentos

  • Alterei o layout do site para algo propriamente mais meu, com ajuda da cláudia fiz algumas personalizações de um template que eu tinha no hd há anos. Ainda tem muito o que arrumar e firulas para adicionar, prometo que vem mais cores aí pela frente. Quero realmente construir esse site aos pouquinhos e ir adaptando ao que funciona, vai ser interessante. Vou tentar salvar as diferentes versões no git, para caso eu faça alguma besteira e me arrependa.
  • Chegou o sofá novo, uma gracinha, tomou conta da sala inteira e ainda estou me acostumando a não ter esse espaço totalemente vazio. A tv no chão, para almoços e jantares sentados no tapete: por que ainda não tenho uma mesa de jantar; K. disse que eu comprei um sofá mais só fico sentado no tapete, well.
  • Feliz com algumas tentativas de organização e com as "dicas" que tenho feito desde meu post de frustado.
  • Acho que a grande consquista dessa semana foi: montar as prateleiras que tinha comprado e retirado quase todas as caixas que estavam jogadas no quartinho: ainda é uma solução previsória enquanto decido o que fazer. Mas está muito (muito!) melhor.
  • Tenho refletido sobre o consumo de álcool e tenho tido zero (zero!) vontades de beber, mesmo que seja uma bebida que eu goste de sabor, saber que tem álcool tem me causado uma certa repulsa, desde que passei mal umas semanas atrás. Seria esse um sinal para largar logo de vez? Estou no nivel de que uma cerveja de 220ml já me deixa alegrinho.

Consumindo

Livros

  • Comecei a folhear Sociedade do Espetáculo, não recomendo se você não quiser levar tantos tapas na cara.
  • Seguindo a leitura de Uma Cidade nas Nuvens, estou gostando, mas 300 páginas e ainda não entendi nada.

Filmes & Séries

  • Como perde um homem em 10 dias: estava com vontade de ver um filme nessa pegada de anos 2000, filmes que ainda possuiam cores bonitinhas, uma história bobinha e sem muita ação. O filme é péssimo, mas é tão bom, me vi dando umas risadas com umas piadas muito ruins. Sábado 10/10 com um sushizinho.
  • X-men '97: adorando cada episódio, mas assim como o Ed. comentou aqui recentemente, a série parece estar correndo, é chefão atrás de chefão, não dá nem tempo de respirar. Fico pensando

Músicas

  • Encontrei uma banda chamada Black Box Recorder, e simplesmente estou viciado no álbum chamado The Facts of Life.

Páginas amarelas (mais):

Conchas ao mar

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Das viagens,
Das idas às praias,
Da primeira vez que comi ostra,
Guardei conchas no bolso do casaco, nas malas de viagem,
Fragmentos marinhos separados por milhares de quilômetros, finalmente juntos dentro de uma caixa,
De recordação, das pequenas conquistas ou do passar dos verões.
Do passar do tempo, com o passar do tempo, dos mapas que se criam no corpo,
Das estradas que se formam nas mãos, dos rios que crescem debaixo dos olhos,
Uma caixa de histórias, de miniaturas e de grandezas.
A sua grandeza, que não cabia em caixas.

Não sei se alguma vez já ouviu falar sobre caranguejos-eremitas antes,
Caranguejos-eremitas costumam fazer suas casas em conchas abandonadas,
Teu abraço tinha sensação de concha, um escuto contra turbulências,
Tenho uma coleção de abraços teus, de momentos em que eu abri os olhos para desaguar,
De dias que sentia um vazio enorme e, dentro dos teus braços, o meu próprio eco fazia um som interessante.

A vida é um pequeno serviço de pedir emprestado e devolver.
A gente nasce, usa o tempo, a natureza, a água, se ama e ama os próximos.

Lembretes

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Preciso parar de ter tantos estímulos externos, porque se não vem aquela energia louca de fazer mil coisas ao mesmo tempo e acabar fazendo nada.
Criar vergonha na cara e colocar os projetos no mundo, feito é melhor do que perfeito. Não acredito que você vá passar mais 14 anos querendo criar seus projetinhos.
Não espere pelo momento exato ou equipamento perfeito. Limitações podem ser muito mais vantajosas para processos criativos do que a imensidão de possiblidades.
Não é necessário comprar todas as coisas de uma vez, a casa vai, como a vida, se construíndo aos pouquinhos.
Dê prioridade as prioridades.

Causos do Tinder 2

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Uma continuação do Causos do Tinder 1, que fiz no último beda e o pessoal pareceu ter gostado de ouvir minhas histórias tristes (e um tanto doidas). Às vezes a gente faz mesmo só pelo plot. Algumas dessas histórias também são do Grindr.

O chato carnívoro

Ele veio aqui em casa. Eu disse, não se importe com a bagunça. Ele disse que não se importaria e que na verdade, eu era a única coisa que ele de fato prestaria atenção. Fofo. Mas que moleque chato à beça. Mesmo que fosse só para fazer brincadeiras gostosas, ainda queremos conhecer a pessoa. Chegamos em algum momento no quesito alimentação e fui falar que tinha uma dieta vegetariana, quase vegana.

"Não, mas eu não consigo viver sem carne", argumentou rígido, como se eu tivesse feito um ataque a 72 minorias. "E o que você come, mato? Vegetais?"

"Vegetais, claro, tofu, arroz, feijão, tudo menos carne", respondi como já respondi um milhão de pessoas.

"Mas e a proteína?", perguntou. Eu juro que não consigo entender a fixação das pessoas com proteína, porque elas estão tão preocupadas com a quantidade de proteína que eu como?

"Depende, leguminosas têm muit..."

"É que eu amo carne mesmo, uma picanha bem assadinha com filete de gordura", ele me cortou.

E eu vi que ali já tinha ido com Deus, muito tempo falando sobre comida e menos tempo se comendo. Me disse que, na verdade, nunca tinha comido tofu, que não sabia o gosto. 

Fico imaginando estas pessoas que têm um pensamento e paladar tão infantil que vêm discutir a respeito de alimentação como se o fato de eu escolher não comer carne fosse uma questão de "eu me sobressair" como melhor ou que simplesmente estou atacando. A minha sorte é que ele não podia ficar tanto, saiu de casa e me deu um selinho dizendo: "a gente daria super certo". Gente? Delulu.


Xixi (+18)

Descobri o significado do⚡ no Grindr da pior maneira, a empírica. Era Barcelona, há alguns anos atrás, e lembro de ter acordado com uma vontade de fazer brincadeiras gostosas e perto da casa que estava ficando com amigos, tinha um casal que estava online e trocamos algumas mensagens. Marcamos para ali 30 minutos, o tempo de sair de cama, escovar os dentes e tomar um banho.

Quem marca algo desse gênero às 09h da manhã? Quem garante que a pessoa, nesse caso, as pessoas também vão fazer o mesmo? Enfim. 

Cheguei no apartamento e os moços já estavam de cueca. "Pode tirar o sapato e deixar aqui", ele perguntou, é uma cultura muito europeia de apartamento tirar os sapatos assim que entra. "Claro", respondi. 

E logo na entrada ele me apresentou para o marido, "esse é o meu marido H. e aquele é o M.".

M?

Eu não estava esperando por um M.

"E ali está o pó da alegria, camisinhas e lubrificante", a mesa com uma caixa enorme de camisinhas, um pote de lubrificante que duraria 10 anos pelo tamanho e várias carreirinhas brancas na mesa.

"Não obrigado", eu disse para as drogas, "peguei duas camisinhas". E então H e M começaram a se beijar e meu tesão já tinha ido com Deus, não sabia muito o que fazer, H e M foram para o banheiro e os segui.

"Quer mijar em mim?", M perguntou.

"Hmm, tá", eu respondi.

O que é um peido para quem já está cagado?

E mijei no homem. Eu nem gosto dessas coisas. 

"Quer tomar um banho juntos?", me perguntaram.

"Não obrigado", me recusei a entrar naquela banheira cheia de xixi.

Voltei para sala e estava o anfitrião assistindo um filmezinho, para minha sorte a desculpa perfeita para ir embora é só fazer o que tinha que ser feito e ir embora. Gozar é sempre uma ótima desculpa para acabar algo meio merda.

Voltei para casa, tomei um banho longo, fiquei na cama até os meus amigos acordarem.  Fingi que nada aconteceu, me recusava também a acreditar. Ah, o diabo do ⚡significa estar sob efeito de drogas.


Antes do Amanhecer

(Como no filme)

Nem todas as histórias foram ruins. Conheci D. numa sexta-feira, o telefone vibrou com uma mensagem dele dizendo que era o último dia dele em Lisboa e perguntou se tinha algum bar para recomendar, lembro de ter recomendado o finado Bar Mais Triste da Cidade, que era lindo, música ao vivo, era uma boa experiência para uma despedida. 

"Você gostaria de me acompanhar? Caso esteja livre", disse ele em inglês.

"Claro, vamos lá, estou livre a partir das 18h", eu respondi.

Marcamos de se encontrar às 19h no cais e irmos andando para o bar.

Quando eu cheguei, lembro de tê-lo visto e pensado: "não tenho roupas apropriadas para isso". Era um rapaz muito bonito e estiloso, fiquei encantada, mas também acredito que fiquei com esse sentimento de "menos" porque o meu inglês nem era tão bom assim. Compramos duas cervejas por ali no cais e deixei que falasse sobre as suas aventuras por Lisboa, que estava viajando com amigos e aquele era seu último dia e estava sozinho porque os amigos já tinham voltado para Praga.

"Então você é tcheco?", perguntei

"É uma história complicada...", contou dizendo que morava em Praga há vários anos, que morou com a namorada, que na verdade ele é de algum país dos Bálcãs. 

Lembro que essa noite durou cerca de dias, mas ao mesmo tempo durou segundos. Fomos ao Bar. E ele disse "estou um pouco nervoso, esse é o meu primeiro date com um homem". E me contou como tinha terminado o relacionamento recentemente mas que estava experimentando outras coisas, não sabia se identificava muito como bi, mas que gostava de pessoas diferentemente. Também falou sobre as suas músicas favoritas, sempre chegando muito perto do meu rosto, mas acredito que era porque a música estava meio alta e o local também meio pequeno.

O bar mais triste estava quase fechando, para, é claro, a nossa tristeza. Pagamos os drinks, um xixi antes de sair. Descemos a ruazinha, meio alegrinhos do álcool, meio tensão no ar. E naquela altura eu já não esperava um homem bonito daqueles me beijar, pelo menos a conversa tinha sido interessante...

Até ele me puxar num canto e me beijar (?). "Bem, eu não estava esperando por isso..." eu disse. E ele disse "eu não aguentava mais esperar por isso lá dentro". E então a noite se afundou nesses amassos, conversas, pernas em cima uma das outras. A escuridão que abraçava esse amor de poucas horas, em que D. podia ser quem ele queria ser e eu podia ser embalado por aquelas palavras até o amanhecer.

"Sabe, acho que está na hora de ir, meu voo é daqui a 3 horas", disse que precisava arrumar a mala ainda. "Claro, claro... que chato", eu assenti.

Trocamos números, um beijo demorado e um abraço antes dele voltar para o hostel. Cheguei em casa às 05h da manhã. 

Três dias depois o celular apitou com um: "oi". 

Treze de agosto de 2026

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07h30 — acordei com Adele lambendo a minha mão, mas voltei a dormir.

08h07 — acordei de verdade, levei adele para passear e voltei direto para cozinha para preparar o café da manhã.

09h11 — vi que estava atrasado para o trabalho, porque fiquei lendo "uma cidade nas nuvens".

10h09 — traçando um plano para finalizar a escrita do "saudades".


11h12 — resolvendo coisas do trabalho, tentando focar. Preciso pegar nesse projeot que ficou parado há mais de dois meses.

12h00 — fui deixar uma encomenda e também fui na academia, fiquei tonto, acho que a pressão abaixo e voltei para casa, mas antes passei no mercado. Comprei alface, ovos e uma água com eletródos.

13h40 — preguiça de fazer almoço, fiz cuscuz no microondas e fritei três ovos. Dei um pouco de ovo para Adele.

16h28 — trabalhando, mas a que custo. A empresa trocou o sistema, agora está mil vezes mais chato de se fazer as coisas. Ainda mais que estou com uma tela pequenina.

15h27 — trabalha, sua vagabu*d# trabalha.

18h30 — fui tomar um café com A. Tentando fazer novas amizades aqui no Porto, foi divertido, ele já me disse de vários lugares para ir.

20h00 — voltando para casa porque queria passear com adele e também arrumar o quartinho da bagunça. Só fiz o primeiro, porque depois do passeio só me sobrou energia para assistir um pouco de X-Men '97 e dormir na metade do episódio.



Caderno Proibido, Alba de Céspedes

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Capa do livro
Caderno Proibido
Alba de Céspedes
Joana Angélica d'Avila Melo
Companhia das Letras, 2022
288 páginas
Valeria Cossati queria apenas buscar cigarros para o marido na tabacaria, mas acaba comprando ilegalmente um caderno preto -- um item que não poderia ser comercializado aos domingos --, e faz dele seu diário. Estamos na Roma dos anos 1950, e Valeria leva a vida entediante de uma mulher de classe média, dividindo-se entre os papéis de mãe, esposa e funcionária de escritório. Há anos ela não ouve o próprio nome -- o marido só a chama de "mamãe" --, e sua relação com os filhos é marcada por conflitos geracionais. Porém, conforme alimenta aquelas páginas proibidas, Valeria começa a notar uma profunda transformação em si mesma -- cujas consequências ela ainda não sabe prever. Alba de Céspedes foi uma das grandes autoras de língua italiana do século XX, com uma obra que se destaca pela profundidade das personagens femininas. Em Caderno Proibido, a autora demonstra todo seu talento ao retratar a intimidade de uma mulher comum e as mudanças da sociedade italiana no pós-guerra.

Caderno Proibido é um livro em que nada acontece. Conta a história dessa mulher que um dia decide comprar, em um dia que não se poderia comprar, um caderno e começa a escrever sobre os seus dias. Tal como uma adolescente com seu diário, decide escondê-lo da família. E é quando Valeria se depara com o fato de que, dentro da própria casa, não tem um lugar para esconder. Buscando esconder entre gavetas esquecidas, potes vazios ou na lavanderia, Valeria começa a escrever sobre seus dias, olhando atentamente para tudo o que está a sua volta: as crianças que cresceram, o casamento que está meio merda, "...mas talvez tudo o que, de uns tempos para cá, eu creia ver ao redor não seja verdade. Talvez seja culpa deste caderno.", e a lista não para, também começa a se questionar sobre a relação com as amigas, com o chefe do trabalho - em quanto tempo deixou passar para que percebesse nos detalhes.
Naqueles vestidos, e no modo volátil de falar em voz alta, estridente, reconheço a intenção de provar umas às outras que são felizes, ricas, sortudas, e que suas vidas foram muito bem-sucedidas. Talvez não acreditem de fato nisso, é como quando, no colégio, mostrávamos umas às outras os brinquedos recebidos de presente e cada uma dizia: “O meu é mais bonito”. Parece-me justamente que, nelas, essa puerilidade cruel permaneceu.

O caderno então passa a ser esse personagem inanimado que desencadeia sentimentos conflituosos de liberdade e dor. A própria Valeria diz, por várias vezes no livro, que talvez fosse uma boa ideia destruir aquele caderno. Escrever permitia que ela não fosse engolida por uma rotina e, agora, como renúncia, chegasse a novos lugares. O caderno, a escrita, a fazia presente e viva naquela vida depois de tantos vivendo aquela vida, "Além disso, se eu tirasse o caderno daqui, me pareceria não encontrar mais nada de meu em casa, quando volto.".
Antes eu sempre ficava amargurada quando os meninos saíam e agora, ao contrário, desejo que o façam para poder ficar sozinha e escrever.
Não é um livro curto para um livro em que não acontece nada, mas é delicioso e inspirador acompanhar Valeria se transformando internamente: como uma mulher longe de todos os rótulos que lhe deram, de mãe para os filhos, de mamãe para o marido, de secretária para o chefe... Não só isso, mas como ela começa a se perceber no mundo, como esse ser que também tem desejo, vontades, pensamentos.
Compreenderá, tenho certeza, já que todas as mulheres escondem um caderno negro, um diário proibido. E todas devem destruí-lo. Agora me pergunto onde é que fui mais sincera: se nestas páginas ou em minhas ações, aquelas que deixarão de mim uma imagem, como um belo retrato. [...] Esta será a última página: nas seguintes não escreverei, e meus dias futuros serão, tal como as páginas que se seguem a esta, brancos, lisos, frios.
Como bom defensor de diários e blogs, esse livro não poderia ser menos que um favorito e uma bela surpresa. A escrita é esse lugar de calmaria e de perceber que a vida realmente está passando; as fotografias mostram que o tempo passa, mas apenas a escrita faz a gente vivenciar, sentir e sentir novamente o que vivemos. É cura. É liberdade. É renúncia. A escrita, hoje, é esse ato de rebeldia de ainda ter uma voz.
Nunca poderia acreditar que tudo o que me acontece ao longo do dia merecesse ser anotado. Minha vida sempre me pareceu meio insignificante, sem acontecimentos notáveis além do casamento e do nascimento das crianças. Mas desde que, por acaso, comecei a manter um diário, percebo que uma palavra, um tom, podem ser tão importantes, ou até mais, quanto os fatos que estamos habituados a considerar como tais. Aprender a compreender as coisas mínimas que acontecem todos os dias talvez seja aprender a compreender realmente o significado mais recôndito da vida.

Coisas para se fazer quando não quero mexer no celular

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  1. Escrever meus livrinhos;
  2. Fazer uma zine;
  3. Criar um poster;
  4. Olhar fotos antigas e fazer montagens;
  5. Desenhar;
  6. Desenhos de observação;
  7. Ler;
  8. Fotografar;
  9. Passear com Adele;
  10. Cozinhar alguma receita;
  11. Cuidar das plantas;
  12. Fazer um novo terrário;
  13. Aprender lettering;
  14. Cerâmica;
  15. Costurar;
  16. Restaurar/personalizar objetos antigos;
  17. Tocar algum instrumento;
  18. Ir em um museu;
  19. Aprender sobre história mundo.
  20. Aprender sobre história da arte.
e agora, o que fazer?

Arrumações & Organização

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Acordei pensando em limpeza, escrevi duas páginas só falando sobre o quando me sinto desanimado com essa bagunça que a casa se encontra. Tudo bem que eu acabei de voltar de viagem, mas...

Desde que me mudei, a casa está em uma constante bagunça e continuo ignorando a existência dessa bagunça. O problema é que com o passar dos dias isso também começa a me afetar mentalmente. Sei que não sou a pessoa mais organizada do mundo e sei que preciso encontrar maneiras de tornar a minha vida um pouco mais fácil, preciso de pequenos gatilhos e rotinas para me ajudar a manter a casa um pouco mais organizada.

Me pego várias vezes do dia pensando em como eu preciso organizar aquilo ou aquilo outro, mas na hora que de fato eu preciso fazer, não tenho energia ou prefiro ficar fazendo outras coisas. Limpar, arrumar e organizar é chato. Porém é ótimo ficar em um lugar cheirosinho, arrumadinho e limpinho.

Também acontece que a casa em si não tem muitos móveis, as coisas ficam mesmo jogadas em todos os cantos, porque não tenho onde guardar. Definitavamente vou voltar com a ideia de apenas enfiar toda a bagunça no quartinho e ir tirando de lá apenas quando as coisas tiverem mesmo um canto na casa.

Me distraio muito fácil, mas consegui organizar a sala, a entrada e o armário do banheiro (que estava um caos com tantos produtos jogados de qualquer jeito). Preciso tomar o cuidado de não ir comprando mais coisas que já tenho, por exemplo, vi que tenho mais de 4 cremes para o corpo, porque além de não ter muito espaço um produto ou outro acaba sempre estragando (dinheiro no lixo).

Coisas que eu quero tentar nos próximos dias:
  • Sujou, limpou.
  • Sprints pequenos durante o dia para organizar um cômodo.
  • Dias específicos para certas atividades, como lavar roupa.
  • Manhãs e noites com rotininhas curtas de organização.
  • Encontrar um lugar para cada coisa em casa, o que não tiver lugar, bem, rua! 

2026: 32

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Acontecimentos

  • Madrid é uma cidade com muito para se fazer, mas a verdade é que a cidade é horrível durante o verão. Quente para dedéu, não sobra vontade alguma além de ficar de baixo do ar-condicionado.
  • Comi o melhor Cheesecake da minha vida, no Maritta.
  • Fui na primeira festa do Triple Treat, a rave.exe, e foi incrível.
  • Nunca tinha ido a um oceanário antes, visitei com P e G, achei bonito. Há tanta vida no mar.
  • Tentei postar diretamente do celular e falhei. Isso porque não conseguia formatar o texto, então me deixou um pouco desmotivado. Mas voltando agora com tudo, já que as férias acabaram.
  • O meu celular, um Iphone 13 Pro, está um lixo. Antes a câmera não funcionava, agora nem a câmera e nem a bateria. O celular apaga quando chega aos 40%. Fiquei mais de cinco vezes na mão nesses últimos três dias.

Consumindo

Livros

  • Dei uma folheada no Death of a Naturalist e meu deus, eu sou muito burra por não entender poesia? Ou eu só não sei inglês? Paciência, vamos lendo poema por poema.

Filmes & Séries

  • Evil Dead Burn (2026): não esperava coisas tão gores. Se vale a pena? Num sei.
  • Spider-Man: Brand New Day (2026): estou muito feliz que estão trazendo personagens que tamo amo. Essa nova geração de herói me deixa bem feliz com o universo da Marvel, mas não é o meu favorito dos filmes do Spider-Man.

Músicas

Melodrama, Lorde (2017)

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album cover
  1. Green Light
  2. Sober
  3. Homemade Dynamite
  4. The Louvre
  5. Liability
  6. Hard Feelings/Loveless
  7. Sober II (Melodrama)
  8. Writer In The Dark
  9. Supercut
  10. Liability (Reprise)
  11. Perfect Places
  12. Homemade Dynamite - REMIX

Página de Teste

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Título Quatro - Links

Um link normal dentro de uma frase, um link externo (nova aba) e um terceiro link para testar o hover em contextos diferentes.

bobagens ou uma lista de coisas que me fazem feliz

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quando meu cabelo fica bonito nos dias de sair de casa.
dormir com cachorro encostando na barriga ou nas costas.
ônibus que passa no horário e com lugar para sentar.
encontrar cantores de maneira aleatória e ouvir a discografia inteira de uma vez.
café da manhã com gente querida.
dormir em baixo de árvore ou na praia em dias quentes com brisa.
começar um novo livro.
o bolo de prestígio do gui.
quando encontro um restaurante com comida muito boa e barata.
encontrar livros na rua.
fazer muda de plantas.
terminar cadernos.
viajar com meus amigos.
arroz fresquinho.

os dias de cão acabaram (na verdade, estão só começando)

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Essa postagem começou a ser escrita em 14 de julho de 20211, sendo a minha postagem mais antiga nos rascunhos. Não lembro quais eram os meus planos para ela; tinha apenas dois textos linkados2 que não me dizem mais alguma coisa. Só me resta reler e escrever algo sobre. 


Uma ode à experiência. 


Uma pesquisa experimental mostrou que as pessoas curtem mais as atividades quando elas não ficam tirando fotos. Sem a necessidade de documentar o momento perfeito, acabam aproveitando a viagem e não se distraem buscando idealizar o momento perfeito. Em tradução livre, "tirar um milhão de fotos de viagem para lembrar em algum futuro é um grande jeito de não aproveitar o presente".

Então, quando viajamos para lugares ou até mesmo estamos curtindo nossa preguicinha em casa, precisamos mostrar para as pessoas (que muitas vezes nem conhecemos) que estamos vivendo. 

Essa performance da vida, milhares de pessoas te dizendo como viver a vida, quando acredito, eu nem eles mesmos acreditam em todas as baboseiras que eles falam, dizem, escrevem em caixa minúscula textos de autoajuda, não para si, mas para viralizar em algum vídeo curto de 15 segundos. 

Journal of Consumer Research publicou em 2018 que tirar fotos com a intenção de postar nas redes sociais faz com que as pessoas deixem de experienciar momentos, porque isso aumenta "um receio do que as outras pessoas vão pensar". Isso, somando ao começo deste texto, quer dizer que além de perder o prazer de viver o presente, a gente preenche esses momentos com preocupações e inseguranças (mais uma vez, de estranhos).

O fato é que um vídeo, por mais "handmaid" que ele seja, por mais natural que ele pareça. Ele nunca será real. Uma postagem não é natural, não no mundo de hoje. Há uma intenção e um motivo, nem que seja mesmo só para alimentar o ego. Se postar na frente da câmara, deixa de ser apenas sobre a lembrança, mas sobre que está vivendo o melhor dos momentos e talvez até uma autoafirmação de que existimos. Vivemos uma performance de vida, uma performance de experiências até o próximo vídeo. E todos nós acabamos nos enganando nas superficialidades, sem adentrar realmente as experiências, porque queremos só despertar no outro de que: sim, eu existo e muito bem.

Um simulacro de performance.


Quando entramos nesse mundo algorítmico em que postagens com rosto possuem melhor performance em números, passamos então a ter uma promoção de si mesmo; selfies não solicitadas inundam os stories e os feeds, deixamos de ver paisagens bonitinhas, comidinhas e besteirinhas. Agora é apenas uma curadoria de si, nas melhores versões, festas e viagens. Sempre no meio, centralizado, se possível sozinho. Eu nem quero levar esta conversa para os impactos negativos que tem sobre as questões que isso leva para com o nosso próprio corpo; isso é conversa para outra hora. É que agora, deixamos de estar intrinsecamente interessados pelo outro — um comentário ou um like não é interesse. É apenas um comentário e um like.

O meu, medo, é que um dia eu morra sem eu me conhecer. E eu não acho que vai ser fazendo uma trend depois da outra que vou conseguir me entender, não é com uma roupa feita por IA ou uma imagem de mim mais velho. E eu fico imaginando se, um dia, ao demonstrar tanta presença online, sabemos o que estamos fazendo, se realmente nos conhecemos e somos autênticos. 


Happiness hit her, like a train on a track.


A música da Florence, até se encaixa de alguma forma: é sobre abandonar o passado e buscar um futuro mais leve, um futuro mais calmo, mesmo que isso exija abrir mão de antigos apegos. Espero que um dia a gente consiga correr com nossos cavalos para onde a vida seja assim mais leve, sem a correria, o cansaço e a comparação. Que a gente deixe mesmo os dias de cão para trás e consiga experienciar o que ainda resta de vida.


 

1. Mantive o mesmo título original, que é uma referência a música da Florence + The Machine, apenas com adicação da segunda parte entre parênteses.

2. How to Plan the best Vacation for your Happiness (2021) e Como as redes sociais afetam a sua visão de si mesmo (2019).

3. Postei uma selfie e agora há um monte de estranhos curtindo a minha foto.

Se eu tivesse chorado mais

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 Se não tivesse sido podado ainda aos cinco anos de idade, de que homens não podem chorar ou não devem ser emotivos, onde eu estaria? Onde teriam chegado, que novos sentimentos e caminhos teriam sido explorados?

Sinto que aprendi, como quase toda criança que cresce em meio a adultos, a trabalhar muito essa performance de saber o que está fazendo, ter que crescer antes do tempo. Engolir o choro, homem não chora. Esse fuzuê, barulho, joelho ralado eram de algum modo incômodos. 

Sinto que minha delicadeza, sentimentalismo, feminilidade foram engolidos e nunca mais consegui encontrar, como quem engole a chave de um diário para que ninguém consiga abrir e ler as verdades que estão ali. Espero um dia saber se toda essa fachada de não sentir o mundo vai passar, que eu volte com os olhos marejados para as minhas conquistas e para as conquistas dos meus amigos, que eu chore de saudade, de coração partido, de felicidade, de um filme bobo na sessão da tarde.

Claro, agora que sou adulto, pago as minhas contas e ainda sobre dinheiro; você me pergunta e por que não faz terapia para resolver isso? E eu faço. Faço terapia, há anos, para tentar sentir o mundo, sentir de verdade, me comover, fazer parte. Para conseguir ter uma reação aos meus amigos quando eles me surpreendem com um presente que eu adorei, quando consigo uma promoção no trabalho, etc.

E não chorar foi para outros campos, esconder qualquer sentimento se tornou fácil e, eu, perito. Achava que estava ganhando nesse jogo da vida, dizendo para mim mesmo que pelo menos não saía machucado. Só quando percebi que não tinha mais como me machucar quando eu já não me permitia mais sentir, não me permitia ser machucado e levar uma vida assim, sem deixar ser trespassado, é como morrer em vida. E teve muito tempo em que sentia que apenas flutuava entre os dias. 

Conto aos meus amigos que é difícil chorar, no começo parecia algo a se orgulhar, hoje só parece algo meio triste, como um ser humano não pode ser uma coisa tão simples, que é a primeira coisa que se faz quando se nasce: chorar para expandir os pulmões com ar. Chorar é expandir e também é esse caminho de volta para si, para as origens. 

Tento não culpar os meus pais, porque possivelmente foram os pais deles que disseram que eles não podiam chorar, talvez sem o choro e o melodrama a gente tenha a sensação de saber o que está fazendo, talvez, só talvez, eles achavam que estavam preparando um menino para o mundo, menino não, um homem. Forte. Impenetrável. 

quatro de agosto

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você vai dizer que a culpa era minha
e eu vou concordar,
lembro que você dizer qualquer besteira
acreditava que você estava sempre certo,
era capaz de acreditar em qualquer mentira que saísse da sua boca,
não havia veracidade suficiente que provasse o erro,
escolhia acreditar
(não que me restasse outra opção)

sabe, é verdade. eu não sei como dizer adeus
me conta de novo sobre como conseguiu aquela cicatriz no joelho
fala de novo daquela história boba de quando arrancou o primeiro dente
me conta daquelas aventuras com teus amigos no bosque,
do seu beijo com outro garoto, escondido atrás das árvores

finjo surpresa, vou rir de novo,
não sei dizer adeus; só te quero aqui
com todas a possibilidades
como na primeira vez que te vi

2026: 31

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Em algum momento da minha inocência eu pensei que seria muito mais fácil se todos falássemos a mesma língua.

Alguns anos morando fora do Brasil me fez sentir saudade e, principalmente, falta em falar um português-brasileiro. Dos trejeitos que encontramos para se expressar, das palavras que fazem muito sentido e outras que não fazem tanto.

Imagina a quantidade de coisas que se perderiam se tivéssemos apenas uma língua, como uma versão minha mais inocente imaginava. A quantidade de palavras que só fazem sentido em outro idioma. Ousava pensar que seria mais fácil para todo mundo e nós entenderíamos mais, mas será?


Acontecimentos


  • Quase anualmente viajo para Barcelona com meus amigos, C. e G. é a nossa viagem que tem que acontecer, porque talvez de longe foi o lugar que mais nos encontramos em casa, pelas pessoas amigáveis ou pelos lugares fofinhos, os tintos de verano, a praia, as festas, as azeitonas e o calor.
  • A marquinha de bronzeado está feita, como BCN é um lugar que já visitamos mais de cinco vezes, já não fazemos tantos rolês turísticos, fazemos apenas o melhor: comer, ficar na praia e pulando de tasca à tasca para se refrescar com um bom copo de vinho, refrigerante e duas rodelas de limão.

Consumindo

Livros
Trouxe um livro “Uma cidade nas nuvens” e uma caneta, que funciona como marcador de página e também de anotações. Por ser um livro que mistura muitos personagens e dimensões temporais diferente, estava me sentindo muito perdido, então comecei a riscar a primeira página do livro com um mapa mental com as coisas que são importantes e o livro começou a fazer muito sentido. Já existiu um Igor que fazia de tudo para deixar o livro imaculado, sem sinais de uso, o Igor de hoje acha bonito essas marcas. Depois eu morro e qual foi o sentido de uma estante sem rabiscos e cicatrizes?

Não tenho consumido muitas coisas porque apesar de estar sempre com o celular, não me resta muita vontade para ler algo muito profundo no celular. Então sem recomendações por hoje, mas tem essa página aqui que está bombando com muitas coisas legais.

A linguagem dos jovens

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Teorias de domingos à noite com M.

Após duas taças de um champanhe ótimo (Casal Garcia Fruitzy sabor melão), começou a tocar algumas músicas do que seria um R&B contemporâneo e outras coisas em que uma das cantoras era Chxrry. Que, na minha cabeça, era pronunciada da seguinte forma: cherry, como a cereja; M. me solta que nunca ia fazer essa associação tão rápida, porque, atualmente, os nomes e a linguagem dos jovens parecem tão distantes do que ele estava acostumado. E mudam.

Percebo em alguns memes que o meu irmão mais novo me manda que metade das coisas, talvez por eu estar maioritariamente fora das redes sociais, eu tenho de pesquisar as palavras ou os significados. Acho que a linguagem dos jovens, lembro no meu tempo, era esse lugar de novidades, que criamos trejeitos, dialetos e novos jeitos de se comunicar, isso que causa uma certa independência para com o passado dos nossos pais e tornam as palavras nossas, de fato, nossas.

A linguagem muda, como a forma de se expressar e comunicar também muda, e isso é muito genial como o ser humano criar esses artifícios tão bobos para se diferenciar: os jovens utilizarem apenas letras minúsculas ignorando as regras gramaticais e convencionais, como algo aesthetic. Já estive desse lado e hoje não consigo escrever tudo minúsculo, acho que talvez a minha fase de rebeldia e disrupção tenha passado. Envelheci.

E deixe as crianças encontrarem novas maneiras de se comunicarem entre si, agora precisamos de encontrar maneiras de conversar com eles, um problema que eu tinha quando era adolescente e que meus pais pareciam não entender. Não tinham a mesma linguagem que eu tinha com os meus amigos. 

Uma vez li que quem usa ‘emoji’ já é velho e percebi que, eu e meus amigos, começamos a usar emojis com mais frequência, talvez pela preguiça de escrever ou de procurar um sticker (as melhores formas de se expressar). Talvez de fato seja essa coisa de não termos tanta paciência de escrever e reduzir a um emoji, o "ODKASODKAP" dando lugar apenas a um😃. Fico a imaginar o quanto de coisas que se perdem entre uma frase toda escrita em minúscula e um emoji, mas faz parte. Humanos nunca conseguiram se comunicar 100%. 

Deckerinnerung

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Eu não sei o que fazer,
Nunca aprendi como deveria reagir,
Sem os teus esforços, nunca soube o que seria,
Nunca aprendi como deveria amar, te amar

Queria que os dias fossem outros,
Que os filmes que escolhidos locadora da esquina fossem eternos e nunca acabassem depois dos créditos,
Os pastéis oleosos com refrigerante na feira sábado de manhã,
As viagens no banco de trás ouvindo as suas músicas favoritas.
Quando deixou eu escolher a cor do meu quarto, pela primeira vez.

Com os anos,

Acabei-me tornando este homem sem as tuas raízes para me segurarem;
A âncora que desancorava longe do ninho, por ondas fortes demais,
Gosto dessas asas e do vento que me abraça, livre
Queria que aqueles dias fossem suficientes para que ainda restasse algo,
Que eu soubesse como agir, como amar
Que eu ainda lembrasse como te chamar, de pai

 
///////// @igormedeiroz