Resenha: "Eu Sou a Lenda", de Richard Matheson

1 de mar. de 2016
Eu Sou a Lenda
Richard Matheson
Editora Aleph, 2015
384 páginas
Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso... Eu sou a lenda, é considerado um dos maiores clássicos do horror e da ficção científica, tendo sido adaptado para o cinema três vezes.
Conheci Eu sou a Lenda através da última adaptação feita, em 2007, com a estrela Will Smith protagonizado o nosso personagem solitário. Após quase 6 anos depois, pouco me restou das lembranças do filme: eu sabia que havia gostado muito do filme e que me senti muito triste no final - mas pouco me lembrava de como tudo aconteceu, como o vírus dos zumbis (que eu achava ser zumbis) aconteceu e se espalhou ou o que realmente aconteceu com o nosso protagonista.

Então a Editora Aleph decide publicar uma nova versão desse livro já desaparecido do mercado literário brasileiro, com uma capa incrível e uma edição maravilhosa em capa dura com ilustrações entre capítulos e uma tradução divina - o fato de tantos adjetivos é que eu realmente gostei desse livro, uma narrativa gostosa, uma história densa e cheia de suspense.


Eu sou a lenda conta a história de um mundo apocalíptico ambientando em 1967. Robert Neville é o único sobrevivente de uma praga que devastou a humanidade transformando-os em vampiros, a única coisa que restou foi a esmagadora solidão e as diversas questões inexplicáveis. Durante o dia Robert é o caçador, vai atrás dos vampiros enquanto eles estão dormindo e a noite o jogo muda: ele vira a caça e suas noites consistem em ser atormentado pelos vampiros para que ele se entregue. Seu cotidiano é esse, exceto quando tem que reconstruir a sua casa - também chamado de fortaleza.
"[...] até mesmo a tristeza mais profunda enfraquecia com o tempo, até mesmo o desespero mais agudo não cortava mais como antes. A maldição do torturado, pensou, é crescer acostumado até mesmo com o açoite. "
Esse é um livro triste e me fez imaginar muito se eu fosse apenas o único homem no mundo, assim como refleti em Na Companhia das Estrelas. O Richard consegue transcrever os sentimentos de Robert, o inicio de uma pertubação, o lapso da loucura e como o protagonista faz para se livrar dos demônios diários e até de si mesmo. Conhecemos um homem cheio de vingança que luta todos os dias incansavelmente contra os vampiros para fazer valer a pena a morte de sua amada Virgínia e sua filhinha, a sua raiva é descontada em cima de vírus que mudou a forma de viver na Terra. Robert é um personagem solitário e o máximo de diálogo que temos entre personagens é dois ou três capítulos, confrontamos muitos ideais do personagem e absorvemos uma percepção única e crível sobre como seria estar sozinho, e se não bastasse com seres todos os dias esperando você dar um deslise para morrer.

Se você procura toda aquela matança e aventura com no filme, vá parando por aqui. Esse não é um livro sobre aventura, aqui o nosso protagonista usa as infinitas armas a sua disposição para nocautear os vampiros, mas isso é somente algo em segundo plano, o livro foca realmente é em demonstrar a vida de Robert antes e depois, principalmente depois onde as expectativa acabaram.


Essa é uma leitura que recomendo muito, sério. Um livro que li rapidamente pelo simples fato da história de Robert me conquistar, a luta contra o próprio eu e a depressão, a obsessão por respostar e de uma possível cura para os vampiros. É um livro intrínseco e com teorias engenhosas, para quem gosta de um romance psicológico com pitadas de terror. Uma história muito boa, numa edição também muito boa e com uma narrativa mais ainda.
 
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