Oi, você deve ter perpebido que o layout mudou. Nos próximos dias algumas alterações aconteceram por aqui, desculpe o transtorno.

Happy New Year

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Como de praxe desde o ano anterior: aos leitores, aos e-mails, às desculpas, os agouros e tentativas :)

Make a poster every week, 003.

Livros lidos em 2017

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01. A festa de Insignificância -  Milan Kundera
02. Tempestade de Cristal - Morgan Rhodes
03. Empreendedorismo Criativo - Mariana Castro
04. A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
05. A Imortalidade -  Milan Kundera
06. Dominoes: Quick Starter: The First Flying Man - Elspeth Rawstron
07. Dominoes: Quick Starter: Pebbles on the Beach - Alex Raynham
08. Fera - Brie Spangler
09. Senhor D - Alan Lightman
10. Tudo que eu queria te dizer - Martha Medeiros
11. Hilda e o Troll - Luke Pearson
12. Sopa de Salsicha - Eduardo Medeiros
13. O amor dos homens avulsos - Victor Heringer
14. Querido mundo, como vai você? - Toby Little
15. Plutão - R. J. Palacio
16. Cidade das Cinzas - Cassadra Clare
17. Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie
18. Grande Magia - Elizabeth Gilbert
19. A Marca de uma Lágrima - Pedro Bandeira
20. A Música do Silêncio - Patrick Rothfuss
21. Um Pai de Cinema - Antonio Skármeta
22. Como falar com Garotas em Festas - Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá
23. O Capim Sobre o Coleiro - Marcelo Benini
24. Around the world in 80 days - Julio Verne
25. A Paixão Segundo G. H. - Clarice Lispector
26. Sentença de Morte - Alexander Gordon Smith
27. A Cidade do Sol - Khaled Hosseini
28. Tudo Nela Brilja e Queima - Ryane Leão
29. Fraude Legítima - E. Lockhart
30. A Mágica da arrumação - Marie Kondo

Confira também: 2016 / 2015 / 2014 / 2013

Uma carta ao seu reflexo no espelho

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​(ou uma história de amor próprio e de ir contra os sensos estéticos impostos pela sociedade)


Que engraçado parar agora em frente ao espelho e me olhar — longe da correria dos dias, sem estar se arrumando para sair. Podendo me olhar assim, consigo perceber o quanto de conceitos estéticos coloquei em cima dos ombros, o quanto que me cobrei porque os outros me cobravam: ter um cabelo liso, uma pele boa, dentes brancos e retos, abdômen definido. Apesar de entrar na academia, colocar aparelho nos dentes, me alimentar melhor, percebi que nunca poderia chegar no auge estético imposto pelas pessoas (e por mim mesmo, indiretamente influenciado).

Hoje, na frente do espelho, percebo na quantidade de conceitos estéticos tentei me encaixar, no tanto de estilos e vestimentas — quando isso tudo, na verdade, que deveria se encaixar na minha pessoalidade, na minha essência. Essência essa que quase perdi indubitáveis vezes querendo agradar quem é próximo, ser o mais bonito. Querendo dar sentido ao pertencimento de alguma nova moda, fiz do meu lar apenas um lugar para estampar uma blusa de marca, esterótipos e agrado nos olhos de outros. Querendo seguir a padronização que é imposta, perdi muitas vezes a potência do meu corpo, travando nas diversas vezes que não me enquadrava em algo. E como machucou não pertencer a nada, não me padronizar em nada.

Não é de agora que percebi que algumas coisas não tem solução, meu cabelo nunca será liso o suficiente para fazer uma franja, meus dentes nunca serão brancos suficientes para cegar alguém, meu corpo nunca será perfeito porque também amo comer porcarias. E, risos, está tudo bem. Eu gosto da não simetria que meu nariz de coxinha da ao meu rosto, aceito que tenho uma barriguinha e não é algo que me incomoda, gosto de ter olhos pretos e fazer as sobrancelhas porque elas crescem rápido demais.

Então tem sido assim, me olhar no espelho e gostar de quem eu sou, da forma que sou, das gordurinhas a mais, do cabelo indeciso. Tem sido legal entrar na academia e não me sentir inferior por não ter os maiores músculos, assim como tem sido delicioso usar a blusa por dentro da calça e parecer tão freak, anos 70.  Tenho tido uma experiência muito boa com meu corpo, que é meu lar, minha morada, nesses últimos meses diferente de todos os últimos anos; tem sido muito bom me aceitar. 

Quando aceitamos nos olhar, com nossos olhos, de outra maneira permitimos sermos felizes com nós mesmos.



Esse post pertence a este projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.

Victor Moreira me pintou e não sei como reagir

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Seria possível que um dia eu viesse a ser ilustrado? Então tive a bela surpresa de ser (e também ter uma foto minha) pintado pelo artista Victor Moreira, que está iniciando na área de pintura digital (e muito bem por sinal).


Sempre gostei de ilustrações e nunca me imaginei sendo ilustrado antes, quando Victor disse que poderia me dar esse presente e além de ser pintado também ter uma foto preferida pintada, não deu outra, explodi em emoção. As ilustrações foram feitas a partir de uma foto que simpatiza meu hobbie, a fotografia, e do penúltimo ensaio que fiz com uma amiga do coração:  




Veja mais em: BehanceInstagram





Essa não é uma postagem de publicidade e nem fui coagido a escrever, hehe, mas como sabemos que o mundo artístico é bem complicadinho, decidi criar a postagem para divulgar o artista e também incentiva-lo, além de dizer o quanto amei. Através da página do Victor no Behance ou do Instagram é possível acompanhar os trabalhos do artista, que já está com a agenda aberta para futuros trabalhos e orçamentos. 

no. Nove

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Finalmente aqui chegamos, em um novo layout. Não poderia ser outra coisa além de um layout tão simples como os últimos, porém mais funcional que os outros - as páginas internas são as coisas que mais estão demorando para fazer, mas como não quero deixar parado enquanto escrevo essas páginas este post serve para inaugurar um novo Sete Coisas

Essa nova etapa do blog também é uma nova etapa para mim, como escrevi aqui. Aqui pretendo escrever outros assuntos além de literatura, como lifestyle (coisas sobre minha fantástica vidinha), educação financeira, coisas para blogueiros e por aí vai: que este blog seja, de fato, um blog. 


Sem mais delongas, sejam bem-vindos (pela nona vez). 

Uma carta de despedida

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Estou aqui mais uma vez, 

não para implorar seus beijos que me deixam êxtase, nem que me note algumas vezes, nem que escute os áudios que mando pra você no meio da noite. Estou aqui porque quero desistir, porque cansei desse inalcançável que tem se tornado, desses sumiços repentinos que me bagunçam por inteiro e por esse seu jeito de um dia voltar e bagunçar ainda mais o que deixou. Estou aqui porque quero desistir de organizar as coisas por aqui toda vez que você parte, porque estou cansado dos dias que fico pensando em você. Dos dias que fico olhando a chuva cair na rua, tendo saudade de coisas que nunca aconteceram e nunca acontecerão, porque estou desistindo.

Eu já não me lembro das coisas que você gosta, as memórias verídicas foram e misturando com as coisas que imaginei; os momentos se embolaram na minha cabeça entre a ficção e a realidade. Talvez você não goste de suco de limão, talvez prefira dia ensolado diferente de mim que prefiro dias chuvosos. E assim fui levando a vida, durante muito tempo, nessa perspectiva de que um dia você voltaria e ficaria, sem bagunça, sem sumiço. 

Durante muito tempo me agarrei ao que criei de você e amei cada centímetro do seu corpo que nunca toquei. Foi nesses dias que pensei que não precisaria mais disso, dessa inconformidade que é pensar em você, nesse sentimento de euforia, mas também de medo. Quero desistir desse mar de incertezas, estou pronto para calmaria. 

E foi nessas vindas que percebi que chegaria uma hora. Uma hora para encarar a realidade, para deixar que a bagunça não fosse feita nos lados de cá, por mais que o seu cheiro preenchesse meus pulmões, por mais que eu ficasse louco com os beijinhos. Foi nessas vindas que percebi que deveria chegar uma despedida, mas da minha parte. 




Esse post pertence a este projetoeste projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.

Umas palavras

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Gostaria de fazer alguns updates sobre como as coisas tem sido, só para dizer que ainda estou vivo e também para que eu possa entender alguns motivos de existir.





UMAS PALAVRAS







___ 




Faltam alguns poucos dias para então me formar na faculdade e eu nem acredito nisso, é uma contagem regressiva com fim. E junto com o final da faculdade vem a chegada de um ano novinho em folha, 2018, numa mistura de desejo e vontade e não sei o que será da minha vida agora pra frente. Porém chegar nessa etapa da minha vida me deixa feliz, principalmente por não precisar ir a aula a noite e chegar bem tarde em casa.

Das coisas que estou animado para fazer é limpar meu quarto (e minha vida), tirar alguns livros que nunca mais vou ler, vender algumas roupas que não tem mais sentido, encaixotar coisas para doação e coisas que não me preenchem positivamente. Desacumular. Ainda nessa perspectiva, de mudanças, planejo voltar para as rede sociais, após 6 meses de ausência. Sinto que estou pronto, espero estar pronto na verdade.

A fotografia tem perdido o sentido para mim nos últimos dias e eu não sei o que veio ocasionar isso, porém o Que seja nu. fará que eu me posicione novamente para umas das coisas que faz ser quem eu sou, o projeto será sobre nu artístico e histórias, estou ansioso e com medo.  Planejo não voltar apenas com a fotografia nesta nova etapa, mas também com a escrita, com o design, com as leituras:  posso até concordar com meu mapa astral, sou uma pessoa muito ligada a arte; não produzir algo, mesmo que bem pequeno me mata aos pouquinhos.

Obviamente este blog estará nessa nova etapa da minha vida e planejo reestruturar tudo por aqui daqui alguns dias, aos poucos, primeiro irei mudar no mundo físico e tentar transportar para o mundo virtual. Creio que tudo começará com um novo layout e uma nova proposta de um blog cada vez mais pessoa, então aguardem por isso.

Resumindo, estou meio ansioso com tudo e ao mesmo tempo não sei o que estou fazendo da vida. Fico me perguntando sobre os sentidos, o capitalismo, consumismo, tenho mudado de visual, coloquei piercings, estou usando aparelho, mudei o cabelo e estou com uma nova perspectiva de mudar o mundo ou pelo menos tentar mudar um pouquinho o (meu) mundo.

Estou feliz e não estou, acontece com vocês também esse mistifório de emoções? 

"The Kiss of Deception" de Mary E. Pearson

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The Kiss of Deception
Crônicas de Amor e Ódio, livro 01
Mary E. Pearson
Dark Side
406 páginas
Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

Uau! Eu não poderia começar de outra forma. The Kiss of Deception é o primeiro volume da trilogia de As Crônicas de Amor e Ódio, que por sinal e aparentemente, só conseguirei largar ao ler os três. Com uma narrativa viciante, empolgante e muito bem escrita, Mary E. Pearson me deixou fascinada pela história da princesa Lia.

Lia é a princesa de Morrighan, um reino cheio de tradições e, claro, muitos deveres. Entre os deveres impostos a ela, que obviamente não tinha qualquer direito de opinar - mesmo tratando-se de sua própria vida - estava o de casar-se com um príncipe de outro reino, o reino de Dalbreck, para conquistar mais alianças e poder. Porém, com apenas 17 anos, Lia não estava disposta a casar com alguém que nunca vira e que possivelmente tinha o triplo de sua idade. Dessa forma, tratou de planejar uma fuga com a sua criada e melhor amiga, Paulline. Juntas, elas conseguem fugir bem no dia do casamento, quando já não havia outra forma de livrar-se daquilo que Lia achava um absurdo, já que sempre sonhou em casar-se por amor.



Em meio à fuga as duas passam por maus bocados, dormindo muito pouco e se alimentando muito mal, tentando não deixar rastros para que o pai - com certeza enfurecido - não as achasse. Mesmo sendo apenas só as duas, elas conseguem chegar a Terravin e lá começam uma nova vida. Agora, Lia e Paulline são apenas criadas de uma pensão, nada além disso. E Lia consegue sentir finalmente o gosto da liberdade.

Porém, o que não estava nos planos de Lia, era que seu coração logo seria tomado pela paixão. Após surgirem dois homens muitos bonitos na pensão em que ela trabalhava e apresentarem-se como Rafe e Kaden, sua vida tomou mais cor, afinal ambos eram lindos e gentis e ambos despertavam nela a vontade de flertar, apesar de estar mais inclinada a um deles. O que ela não sabia, nem haveria de descobrir tão cedo, é que um era o príncipe que ela estava destinada a casar-se e o outro um assassino mandado para matá-la e ambos sabiam que era ela a princesa e jogavam seus próprios jogos para atraí-la.




Em meio a toda essa confusão, fui sugada pra dentro da história de uma forma que a muito tempo não acontecia. Na metade do enredo, a autora faz uma reviravolta na história que me deixou chocada e amando ainda mais. O livro é incrível e os personagens apaixonantes, além das edições serem riquíssimas com capas muito belas - o que é marca registrada da Dark Side. Com certeza, me tornei fã da trilogia e da autora, tornou-se favorito.

Resenha: "Crash - Quando a paixão explode", de Nicole Williams

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Crash - Quando a paixão explode
Crash, livro 1
Nicole Williams
Editora Essência
365 páginas
Southpointe High é o último lugar no qual Lucy gostaria de cursar o último ano de escola. Isso até o momento que ela encontra Jude Ryder, um garoto cujo nome é quase um verbo, além de um sinônimo para problemas. Ele tem uma ficha maior que um tese de conclusão, e já teve seu nome suspirado, gritado e praguejado por mais mulheres que Lucy tem coragem de saber, além de viver em uma casa para garotos problemáticos onde ser problemático parece ser um status para os moradores. Lucy teve uma criação estável, e vive para usar as sapatilhas de bailarina, além de ter em seu futuro a certeza de ir para Juilliard, tentando se manter longe de problemas. Até agora.
Jude é aquilo que ela precisa evitar se ela quiser separar seu passado de seu futuro. Ficar longe, ela vai acabar descobrindo, é a única coisa da qual ela é incapaz.
Para Lucy Larson e Jude Ryder, amor vai acabar sendo aquilo que vai destruí-los..

Crash é o primeiro volume de uma trilogia de romance que acabou me tirando de uma DPL (lê-se depressão pós-livro) das bravas! Lucy, a personagem principal da trama, virou uma das minhas personagens favoritas, enquanto Jude tornou-se meu mais novo bad boy favorito. E isso é incrível, considerando como está difícil ler pra mim ultimamente e a rapidez que engoli cada página dessa história.




A família de Lucy não é a mesma desde que seu irmão faleceu. O pai vive em outro mundo e a mãe fechou-se em uma bolha de proteção que tornou-a arrogante e bastante difícil de lidar. Pra completar todo o caos que a vida de Lucy havia se tornado, ela precisou mudar de escola - justo no último ano do ensino médio - e tudo que ela queria era suportar aquele ano e passar em uma faculdade que lhe permitisse viver seu grande amor: o ballet. Desde que sua vida tomou esse rumo horrível, a dança era o que a fazia suportar todo o peso que seus ombros carregavam. Porém, Jude cruzou o caminho de Lucy e obviamente, trouxe muitos outros problemas pra vida dela.

Jude Ryder é o sinônimo perfeito para problemas. Muitos problemas. Lindo, com todas as meninas em volta babando por ele - ou chorando por ele, após levarem um pé na bunda -, vivendo em um abrigo para menores desajustados e com uma ficha criminal de no mínimo duas folhas. Apesar de saber de todas essas características e entender claramente que Jude é o tipo de menino que ela precisa evitar, Lucy não consegue dizer não para o desejo louco que a persegue desde a primeira conversa entre os dois, onde Jude deixou explícito que ela devia se manter afastada, porque ele não era o cara ideal pra ninguém.



O romance entre os dois é cheio de altos e baixos. Tudo que podia dar errado pros dois, deu. Em meio a muito amor e desejo, o passado dos dois volta pra assombra-los e segredos horríveis são revelados, prometendo nunca deixar o amor dos dois em paz. O final é surpreendente de muitas maneiras e me deixou em choque, todo o drama desenvolvido pela autora me deixou sem acreditar, fugindo totalmente do clichê, foi uma surpresa maravilhosa ler Crash.

***

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

Formas e formatos

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Fazia algum tempo que as fotos do Fernando estavam editadas e os áudios arquivados para que o texto viesse a ser escrito algum dia. Nessa semana quando comecei a ouvir a conversa gravada lá no início do ano, consegui perceber como as pessoas influenciam na intimidade que temos com o nosso próprio corpo e a forma como relacionamos com ele (algo que deveria ser normal e intenso, porque é de fato a única coisa que temos):


“Fui uma criança gordinha e afeminada, isso por si só já chamava atenção e o resultado disso era ser discriminado pelas outras crianças, me tornando durante muito tempo alvo das pessoas e de reclusão interna. Minha autoestima foi lapidada com os comentários que eu ouvia pelas costas “o Fernando nunca será magro” ou “o Fernando nunca terá esse corpo””.


Aos poucos fui crescendo e seguindo o rumo da vida com a noção de ser gordinho e o conceito de o “gordinho não ser bonito”; isso acontece de todas as formas inimagináveis as pessoas não se cansam de te lembrar que você deve se encaixar dentro do padrão musa de verão.

E a vamos crescendo deixando de amar a nós mesmos sem querer, porque se não tivermos um autoconhecimento e aceitação própria fica bem mais fácil deixar ser influenciado pela massa esmagadora de pessoas que estipulam um tipo estético de beleza.


“Em determinado momento comecei as pessoas começaram a me elogiar e me sentir bem comigo mesmo, porque havia emagrecido devido aos exercícios físicos que estava fazendo na época, isso durou até quando comecei a namorar e me descuidei novamente, voltando a engordar. Quando terminei o namoro voltei a usar aplicativos de relacionamento e o mesmo discurso bateu novamente com o “gordinho não é aceitável””.


Os momentos que são só nossos perdem os valores e as intensidades, no tempo em que temos tempo para amar nossos corpos na frente de um espelho dentro de um quarto, somos castigados por pessoas que nem estão ali, olhamos nossas gordurinhas e pensamos em formas de acabar com elas. A nossa privacidade e intimidade é roubada por outras pessoas.

Hoje tenho a concepção diferente do meu corpo, mas ainda assim é difícil mudar o pensamento completamente, às vezes não me sinto bem passando a mão no meu próprio corpo ou quando estou me olhando no espelho.


As pessoas te julgam falando que não é sobre ser gordo, mas sobre “ser saudável”.


Sempre tive vontade de fazer um ensaio de nu artístico, mas isso nunca me passou pela cabeça porque desde sempre imaginei que apenas pessoas com o corpo escultural poderiam participar de coisas desse tipo e agora consigo perceber que esse é um passo fundamental para que eu possa me aceitar, para que eu possa estar confortável comigo e fugir do padrão, para que eu possa ser quem nasci para ser: eu”.



formas /sf/
1.configuração física característica dos seres e das coisas, como decorrência da estruturação das suas partes; formato, feitio.

Fotografia: Igor Medeiroz

Reflexos de outros mundos em nós

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As primeiras palavras não poderiam ser mais condizentes, a história do Victor conta exatamente sobre os objetivos do #qorpos: estar bem consigo mesmo, realçar a própria beleza e entender que não há um padrão de beleza – a famosa desconstrução eterna. Victor, logo no começo, me solta o desabafo: “Estou cansado! Cansado das cobranças, cansado da necessidade de aprovação, cansado de tentar alcançar a perfeição. Sou exatamente assim, com estrias, celulite, com olheiras, e gordurinhas localizadas, sou humano e cheio de imperfeições”.

Dentro de um meio que impõe a necessidade de uma pele perfeita, beleza milagrosa e então uma felicidade absoluta, é preciso (mais do que preciso) ter coragem para aceitar as nossas estrias, dentes tortos e manchas e cicatrizes. É muito difícil estar bem consigo mesmo quando para usar uma roupa de banho precisa de “um corpo de verão”. E continua:

“A exposição do meu corpo nu demonstra, verdadeiramente, a humanidade presente em dentro de mim. O que eu sou está e sempre estará presente nesses traços do meu corpo; é como se fosse uma tatuagem que se molda a cada experiência de vida”.

E assim começa a perceber que na intenção de agradar os outros, o Eu é deixado de lado, havendo a perca da própria essência. Com a necessidade de agradar quem está ao redor, acabamos não percebendo que o verdadeiro motivo é se descobrir todos os dias, se amar e aceitar de uma forma diferente todos os dias:

“Eu sou.... Na verdade, eu não sei o que eu sou, estou a cada dia descobrindo isso, sinto que será um bom tempo me debulhando nessas descobertas, talvez até o dia em que será o fim”.


reflexos /cs/
1. que resulta de reflexão; refletido. "luz, imagem r." 2. que não atua ou não se produz diretamente; indireto. "decidiu-se apenas por influência r."

Texto: Victor Fernandes + Igor Medeiroz
Fotografia: Igor Medeiroz
Modelo: Victor Fernandes

Somos mudanças

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Gezinei apresentou o bom relacionamento do próprio corpo logo de cara, mas explicando que nem sempre foi assim. Então decidimos falar sobre a metamorfose que somos, as transcendências que o espirito ultrapassa e permite olharmos para a carne de outra forma.


“Analisando as transformações que aconteceram durante minha infância, adolescência e atualmente, a melhor palavra para me descrever seria mudança: quando você está passível a mudanças e quebrar rupturas, você permite que seu corpo seja aceito por você mesmo. ”

As pessoas têm certos problemas com o desconhecido, a mudança em si nunca é bem-vinda porque exige a distorção da cultura estagnada e empregada durante séculos, exige que seja contrariado os conceitos aceitos como belo, mas “não há problemas em mudar, aliás, é isso que somos, constante mudanças. Nada é parado e sólido, no decorrer da vida somos submetidos a diversas coisas que nos modificam e somos obrigados a se adequar para sobreviver. ”


Para Gezinei, a aceitação foi algo que aconteceu no decorrer dos anos: “fui uma criança criada no interior e dentro de uma família rígida que pouco se preocupava com aparência, cresci com essa perspectiva e a beleza estética era algo sem importância para mim, se brincar, não sabia nem a utilidade de um espelho. Isso perdurou durante toda a minha infância”.

“Com a essência dessa infância, no iniciar a minha adolescência continuei desligado quanto ao corpo e tudo relacionado a ele. Até que em determinado momento comecei a perceber que por conta desse desligamento e por ser “fora do padrão”, pouco a pouco o fato de ser gordinho acarretava em certas brincadeiras que, mesmo aparentemente não revelando, mexiam comigo interiormente. Então, em um determinado momento dessa fase, resolvi que deveria emagrecer e fui da maneira mais abrupta possível: não me alimentava direito, tentava fazer exercícios e muitas vezes acaba passando mal.”


“Quando entrei para a carreira de modelo percebi que nada é bom o suficiente, o seu corpo nunca é bom o suficiente. Se você é magro, tem que ser mais magro. Se você é musculoso tem que ser mais musculoso. Não tardou para entender que existem várias formas de você se sentir bem; cultuo a ideia que não existe um estereótipo de corpo para você se sentir bem, mas sim de lidar com as próprias inseguranças e estar disposto a essas mudanças que a vida dispõe”, diz Gezinei.

“Ainda tenho inseguranças – sempre haverá algo que a gente quer mudar ou acha que pode melhorar. Atualmente já lido de uma forma diferente, por exemplo, por ter sido gordinho tenho a cintura mais larga, isso me incomodou durante anos, mas hoje isso já não me atormenta mais, pois consigo confrontar essa insegurança e não permitir que ela e muitas coisas me machuque ou afetem minha autoestima. A partir do momento que você confronta essas inseguranças tudo se torna mais fácil, inclusive viver. ”


qorpos é um projeto pessoal sobre nu artístico e se estenderá para uma coletânea de livros (ainda não decidido se serão livros físicos ou digitais). a ideia é fazer uma divisão de quatro volumes. cada volume seguindo uma essência dentro desse mundão. contar história e apreciar o corpo como ele é, perfeito.

selva: é sobre a naturalização do corpo, experiência com o mundo natural e a fuga do capitalismo.
concreto: fala sobre viver no meio do mundo (cidade) e de gente, falar sobre experiência e autodescobertas.
afeto: são relacionamentos, falar sobre todo tipo de relacionamento
cura e cicatrizes: atenção, doenças sexualmente transmissíveis, cuidado mental e afins.


mudanças /v/
1.fazer ou sofrer modificação; modificar(-se), alterar(-se). 2. deslocar ou transferir(-se) para outro local. 3. apresentar(-se) de modo diferente, física ou moralmente;

Texto: Igor Medeiroz
Fotografia: Igor Medeiroz
Modelo:  Gezinei Rodrigues

 
///////// @igormedeiroz