gosto muito da ideia de ter uma URL na internet e juntar tudo em apenas um lugar, sair de todas as redes sociais (já estou duas semanas longe) e escrever sempre que dar na telha por esse único ponto de ligação entre o mundo físico e o virtual. depois da criação do botão "curtir" as coisas desandaram pra mim, pra você, pra todo mundo - todavia, isso é conversa para outro dia.
eu comecei alguns rascunhos para uma newsletter e eu decidindo como chamar, não queria dar o nome de "uns troço aí", mas quando na verdade só vou escrever uns troço aí. porque a verdade é que eu gosto de escrever sobre os dias e também gosto de ver outras pessoas que escrevem sobre os dias. há uma essência diferente quando a gente lê, porque as palavras precisam ser encaixadas de um jeito que sai lá de dentro do coração. a poesia toma conta. precisa de tempo para se dedicar numa leitura. você precisa focar sua atenção ali. enquanto é diferente nas redes sociais, que a sua atenção é roubada sem que você perceba.
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não que muita coisa tenha acontecido nesses últimos dias, de acordo com meu diário, que mantenho desde o começo do ano, os dias são uma mistura de mesmice, tédio, aventuras em livros e na cozinha. horas sentadas na frente do computador, outras que poderia ser na janela, mas tem uma parede logo em frente e não tem como fazer aquela típica cena de filme "refletindo na janela". chegamos na metade do ano, com outra metade para vir aí pela frente.

veja bem, olha a medida desesperada do garoto, tentei acreditar em astrologia como no ano passado, li muito mais cartas de tarot e muitos hosróspocos semanais procurando uma salvação, uma esperança de que as coisas iriam ficar boas (e spoiler: não ficaram; me prometeram um cara que eu viveria uma aventura infalível kkkk). e o que resolveu, de fato, foi desligar os noticiários e viver num mundo alheio, resolvi não desativar as redes sociais, mas fiz algo melhor, deletei os aplicativos do celular, bloqueei os sites no computador. não é a decisão mais fácil, mas também não foi a mais difícil.
parei com os projetos que estava escrevendo e decidi me organizar, porque é isso que gosto de fazer quando estou entrando em pane. assim como faço com meu celular quando está lento e difícil de trabalhar: reseto. resetei minha rotina. e ainda estou encontrando coisas que realmente fucionem dentro de contextos pandêmicos e fora de padrões que me deixavam tão confortáveis. nunca imaginei que seria pegado por crises de ansiedade que durassem dias, desde ponta da língua dormente à dores de cabeça que só passam com remédios. quando sinto esses sintomas eu percebo que talvez deva ser mais slow, olhar pra dentro e só talvez deixar as coisas acontecerem um pouco no automático. porque é tudo o que a gente pode fazer para aguentar os dias.
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desde que terminei o meu relacionamento me fechei para o mundo, primeiro porque o mundo estava um caos e depois porque poderia ser arriscado demais encontros marcados em casa com um estranho, já que os restaurantes estavam fechados e não eram tão seguros. e alguns meses me deixaram bem, digamos, sem jeito de conversar com as pessoas ou até mesmo de cantar pessoas. e é muito engraçado conversar isso abertamente com a minha mãe, porque por mais que eu goste de viver novos amores, conhecer histórias e compartilhas as minhas experiências, sinto que esse não é o momento de doação, nem para conhecer outras pessoas: é mais o momento de calma, respira, conte até dez, coloque algumas coisas que estão na sua cabeça no papel (ou tire do papel).
estou escrevendo esse texto numa sexta-feira, achando que era uma terça. os dias perderam a sequência durante a pandemia, o final de semana não é mais O FINAL DE SEMANA, assim em maiúsculo, é só mais um intervalo sem trabalho, em casa, que por sinal, passa em instantes. e foi assim que chegamos até o meio do ano. e por mais que as promessas astrológicas não tenham se firmado nesse primeiro semestre adivinha quem conferiu novamente as provisões para os próximos dias? eu.
tá passada?