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Meu lugar na internet

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Perdi.


Meu lugar na internet eu perdi, perdi porque queria perder já faz algum tempo. E hoje me sinto desmotivado a abrir o instagram olhar o feed, ver o que as pessoas postaram e principalmente falar sobre a minha vida ou postar fotos. Me afastei algumas milhares de vezes dessa redes social pelo mesmo motivo que me afastei das outras, inclusive falei s obre isso em um tweet recente

Percebi que me preocupar com transparecer uma imagem ou a necessidade de estar por dentro dos memes do momento não estavam me fazendo bem; em determinado período da vida a gente cresce demais para se importar com essas pequenas "necessidades" que as pessoas se preocupam. Deixei de me importar com os números e passei a seguir somente as pessoas quem eu queria seguir (que me inspiravam ou se ocasionalmente eu quisesse saber alguma coisa sobre a vida delas). Apesar de ter feito uma limpeza no feed, ainda sim, não sinto vontade alguma de voltar para. Não que eu não tenha fotos, isso eu tenho de sobra, mas por não haver ânimo. E o único motivo é:

Está tudo tão comercial.

Sinto falta de sentimento e menos lacração, menos números, menos mimos, menos era blogueira. 

E o ranço vem se estendendo para outras redes, como o twitter, que as coisas já tem se tornado repetidas, ainda que engraçadas. Fico pensando se estou regredindo ao abdicar meu tempo dessas coisas, das coisas repetidas que meus amigos e até meus pais riem. Os motivos de me abdicar é que todo mundo está triste, como diz a fake happy do Paramore, I feel so fake happy and. I bet everybody here Is just as insincere. We're all so fake happy, e ficamos preenchendo com coisas que nos afastam do melhor que podemos ter: nós. 

A gente se preenche com tanta informação desnecessária que nunca paramos para cuidar da nossa pele, dos nossos pensamentos, das metas ou até mesmo das responsabilidades. Eu bem andei reparando a quantidade de vezes que acessava o celular para ver se havia uma notificação, para ver se alguém falou comigo, reparei na quantidade de horas que estava dedicando a algo não concreto na minha vida.

E, acredito, foi assim que percebi que eu já não tinha mais o meu lugar na internet. Eu já não me sinto bem-vindo, já não sinto que é minha cara. 

Talvez esse blog, ainda seja um pedaço do que sobrou.

Pés de manga

ouvi uma música que falava sobre saudade e logo lembrei da infância, da época dourada que nada me preocupava, da época que não havia tumulto e muito menos preocupação. que saudade tenho de estar leve e a única preocupação de fato fosse esperar pelo menos 30 minutos depois de almoçar para entrar na piscina porque minha mãe falava que eu passaria mal.

(inclusive, sinto falta dessas mentirinhas que tem até uma palavra legal para descrever, mas que agora não lembro, talvez a palavra seja superstições.)

na infância fui muito explorador e até acreditava ter poderes mágicos de velocidade (ainda é hoje o dia que acho que corro muito rápido), lembro que no tempo livre (que era quase o dia todo) costumava juntar com os amigos do bairro e pegar grilos com a mão, atiçar cupins e fazer velórios decentes para insetos mortos (tudo muito cuidadoso).

então, me mudei para uma chácara e quando eu não tinha medo do matagal, ali seria momentos propícios para diversão: era subir e descer o dia todo de árvores e às vezes (acreditem) pular de uma árvore para outra. era bom demais chupar fruta do pé, lá do alto descascar a manga com os dentes e se lambuzar de uma maneira muito desajeitada.

naquela não havia o medo de manchar roupas (e creio que todas eram bem manchadas), porque eu tinha cachorros e rolava para todos os lados com eles. o único caminho que fazia era de trilhas e andar de carro era bem legal, porque não era algo costumeiro, era um evento especial e não essencial, havia aquela história de pegar a roupa mais bonita e que as vezes a gente nunca usa porque a gente tem essa coisa de "roupa nova para sair".

eu tenho saudade justamente da não preocupação, de que não necessariamente precisar existir bons modos e moldes. sou apreciador de rebeldia, aquela da infância que só fazia jus ser quem era pra ser.

queria não crescer, ser pra sempre criança. porque vejo meus irmãos e as poucas preocupações: comer o último pedaço de pizza, passar o máximo de tempo na piscina, ganhar ou não algum presente. e olha que presente seria um dia voltar a ser criança.

Os dias de saudade


haveria de reclamar sobre as noites que se tornaram distintas porque são as noites que desejei que tivesse por trás, como a minha mãe me abraçava quando era criança, também chamado de conchinha, houve saudade porque essa mesma posição sempre me trouxe conforto, cuidado e carinho. haveria saudade porque dona patrícia nem sempre gosta das minhas roupas porque não condiz com o trabalho ardoroso, ela sabe, eu sei, nos sabemos que haverá saudade disso algum dia. e nesses mesmos dias em que dona patrícia reclama das roupas encontro lucas, que se intensificou nos meus dias e nas manhãs e nas noites, que virou receio de estar e de sumir a qualquer momento, que tem o mesmo nome do meu irmão mais novo, que me dá saudade por ter 7 anos de idade e apesar de tão criança, é muito adulto. gosto dessa semelhança de nomes, são saudades distintas, mas amores imensos. e nós mesmos dias que vejo lucas e mato saudade, outras haverão de se intensificar como quando estou dentro do ônibus e há sono de manhã e depois do trabalho, no caminho a mistura de cochilo, leituras e pequenos sustos com medo de ter passado a parada, porque nesses dias que não passamos da parada, pegamos o ônibus errado, banhamos de sol e encontramos um novo caminho entre os prédios que polpam tempo e ao mesmo tempo permite pensar na vida logo de manhã. e nessas mesmas manhãs a gente descobre que será promovido, porque merece e essa é a grande notícia do dia e talvez da semana, talvez do mês. e a partir de então começa a pensar em crescer e sair de casa, para sentir saudade dos pais, das contas pagas e cama arrumada, para provar o pedaço que é ser adulto, ter responsabilidades, pagar iptu, mas chamar de nosso. meu. minha. sentir orgulho e deixar os outros orgulhosos.

esses dias são de saudade, eternizam de uma ou de outra forma, as vezes a gente esquece. e é normal, porque saudade é assim, está lá e nem parece.

 — ilustração por linhasinhas

São preces


Como poderia ser amor? logo eu que sou dissipação, agonia e insegurança. como poderia ser intenso se não há outrem que não a rotina que havia e se acostuma nos dias dados pelo destino. orientada e regida pelas estrelas sem muitos mistifórios a tangente, que não é mais, segue na continua linha de sempre fazer o mesmo e se cansar disso, mas fazer o mesmo novamente. todos os dias.

não haverá amor enquanto não souber o que quer amar, quando se amar, se auto amar. e se perdoar quando não compreender e aceitar que há não compreensão a todo custo. limitação existiu para quebrar, mas não no momento exato, as vezes recuar é o ensinamento. que ensinamento.

porque machuca, não entender os limites e desmitificar o próprio coração, porque às vezes é pedra e às vezes mole demais. inconsistente. existe uma ferida, que nunca cicatriza e a gente cutuca. e sangra mostrando que está vivo. que a gente está vivo, porque ora pulsa ligeiro, ora palpita.

então brincamos com o passado e com as quantidades de "e se", alimentamos as injustiças e justificativas. aceitamos porque o passado é passado. mas o que tem atormentado é justamente o desconhecido, apelidado, temporalmente, de futuro. porque são muitas vontades e muitos outros medos que inibem as vontades.

de um lado uma pressão de fazer o que quer, dormir de baixo da árvore durante a tarde e pintar um quadro do pôr do sol. do outro a necessidade de ter um apartamento no centro da cidade perceber que cresceu, houve ascensão, saiu do mato e foi para a cidade, comprou carro e agora pegar trânsito — quando queria andar de bicicleta.

é complexo, esse negócio chamado vida. porque quando a gente não tá bem, nada ao nosso redor parece ficar bem também. mas das coisas mais fáceis do momento não irei fazer, que é desistir.

— ilustração por Letícia Reis 
 
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