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"Never Lie", de Freida McFadden

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Suspense/investigação não é de longe um gênero literário que eu leio muito, o último que eu lembro de ter lido foi Quando ela se foi (inclusive foi um dos primeiros livros resenhados aqui), mas estou começando a reconsiderar ler outros livros desse gênero uma vez que a leitura de "Nunca minta", como foi lançado no Brasil, foi empolgante e fluida.

Uma das coisas que mais me impressionou é como a escrita da Freida é sem floreios, sem poesia, o que condiz exatamente com a história: coisas acontecendo. Acho que o fato de ser uma escrita direta permite essa fluidez na leitura, não há charadas nem coisas que ficam "por entender". Li com vários amigos e tivemos várias teorias, foi muito bom ler ao mesmo tempo com outras pessoas e ouvir a teoria delas - e saber que estávamos erradissímos. 


Capa do livro
Never Lie
Freida McFadden
IngramSpark
320 páginas
Tricia e Ethan, recém-casados, estão à procura da casa dos seus sonhos. Quando visitam a remota mansão que pertenceu à Dra. Adrienne Hale, uma psiquiatra de renome que desapareceu misteriosamente sem deixar rasto quatro anos antes, uma violenta tempestade de inverno prende-os na propriedade… sem qualquer hipótese de sair de lá até que o nevão termine. À procura de um livro que a mantenha entretida enquanto ali está, Tricia depara com uma sala secreta - um lugar repleto de cassetes com as transcrições das consultas de todos os pacientes da Dra. Hale. Decide escutá-las e, à medida que avança nas cassetes, começa a desvendar a aterradora cadeia de acontecimentos que levou ao desaparecimento da Dra. Hale.

Experimento Setembro: Semana IV

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Chegamos à última semana desse experimento, em que eu tentei ver a minha rotina criativa com outros olhos e perceber onde eu estava falhando, além de me esforçar para criar o que quer que fosse. Teve dias que eu criei, teve dias que eu não fiz nada, teve dias que baixei aplicativos e perdi um tempão, isso tudo para olhar de cima e perceber que o processo de construir novos hábitos não é linear

Tem dias que tinha tanto tempo de sobra que eu não sabia o que fazer, e o impulso de pegar o celular é sempre muito forte. E as vezes que isso aconteceu tentei não me culpabilizar, mas simplesmente entender que é um hábito "ruim" que eu preciso deixar de lado (e coloco ruim entre aspas, porque pode não ser algo ruim para outras pessoas).



Ao mesmo tempo, é muito difícil apenas relaxar, não tornar nossos hobbies alvo de ser produtivo e apenas aceitar que "podemos perder tempo não sendo incrivelmente bons", qual a necessidade de ser bom o tempo inteiro? Por que não consigo permitir ser vulnerável com as minhas criações, com o erro e tentativas? 



Um novo hábito que percebi esse mês e que quero implementar é: fazer uma coisa de cada vez. Ler um livro por vez e não seis, assistir a uma série sem ter o celular por perto, conversar com pessoas sem distrações de outras mensagens.

Foi legal fazer esse experimento de refletir sobre meu processo criativo e o tempo que realmente dedico a criação, ainda há um longo processo pela frente, mas perceber estas últimas semanas de algum modo girou alguma chavinha dentro da minha cabeça.


Agora sigo pensando o que eu vou fazer para o mês de outubro. 

Sobras

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Eu quero que você vá embora
E que deixe todas as minhas coisas,
Deixe as sobras dos doces, as minhas blusas furadas,
Não leve minhas meias com pares trocados,
Nem ouse tocar nas plantas (e, sim, eu sei que elas já estão meio mortas),
Por favor, deixe também os livros com dedicações minhas,

Eu quero que você vá embora,
Sem meus apetrechos, sem meu cheiro,
Porque eu me recuso que você leve qualquer outra coisa,
Eu dei tudo o que eu tinha,
O tempo.
O carinho.
A atenção. 

Não quero que você leve mais nenhum pedaço de mim,
Nenhum cadarço perdido, nem casaco, nem creme,
Nem bilhetes, nem fotografias, nem piadas internas,
Nem confissões, segredos e brincadeiras
Nem dias nublados, nem choros, nem risadas

Quero que você vá embora e não leve mais nada,
Porque com tudo que isso sobrou, talvez, seja o caminho para me remontar.

Web-amigos

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Gosto de blogs porque me permitem navegar por um lugar menos superficial de cada pessoa e quando faço isso é por pura escolha. Gosto de entrar nas páginas de sobre, now, blogroll, gosto de ler as postagens mais antigas, gosto de blogs que tenham alguns easter eggs perdidos, gosto de como cada pessoa vai montando o próprio cantinho na internet — é bonito ver o cuidado de cada um.

Eu tenho essa leve sensação de que eu conheço essas pessoas que leio diariamente e até ouso os chamar de amigos. Talvez criar comunidade seja sobre isso: voltar por escolha própria às pessoas que gostamos de ler e ver a vida acontecer, mesmo que em postagens curtas de desabafos.

Acho que é muito mais intrínseco acreditar em coisas que alguém aprendeu quando eu já tenho essa "intimidade" e conhecimento de quem está do outro da tela (às vezes pode ser tudo balela, às vezes não). Blogs permitem navegar em águas mais profundas, com calma, sem scroll infinito, sem algoritmos. Encontrar um blog com que você se identifica demora algum tempo, mas eu tenho pessoas que eu amo acompanhar na internet por justamente ter esse sentimento e carinho de amizade recíproca.

Blogs ainda me dão esse respiro, pausa, paz que as redes sociais não conseguem entregar. Estes web-amigos que não tentam performar em 30 segundos, até porque nossas histórias não cabem nesse curto espaço de tempo.

minha mesa de trabalho em dias normais

Experimento Setembro: Semana III

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A minha sessão de terapia valeu o preço essa semana, a conversa foi sobre o básico: organização, prioridade e paciência. Se eu quero me tornar uma pessoa que faz mais fotografia, escreve mais, faz mais coisas com a mão, eu preciso que se torne uma prática comum, preciso fazer com que os meus dias girem em torno disso. Na verdade, é sobre qualquer prioridade do momento: organizar os nossos dias para que tenhamos tempo para fazer aquilo que queremos.

Foi só depois de sentar e realmente entender todas as coisas que eu queria fazer que eu consegui perceber que existe tempo, só não estou conseguindo geri-lo intencionalmente porque me deixo distrair, não acho que seja minha culpa (as redes (anti)sociais foram desenhadas para isso, né?). E quando dou por mim, meu tempinho de sobra no dia pra escrever e me dedicar à arte foi com de arrasta. 

Só consegui de fato me organizar na quarta-feira à noite e ainda estou no processo de mudar os hábitos, como acordar e ir malhar antes de começar a trabalhar para me sobrar mais tempo no final do dia, estou tentando ir com calma, porque são mudanças de hábitos que devem ser feitos todos de uma vez: dormir mais cedo para conseguir acordar mais cedo, ser um pouco mais rigoroso enquanto a higiene do sono e não me permitir me distrair com outras coisas das quais não me propus. 

Rolar o feed não é lazer. 
Rolar o feed não é descanso. 
Tenho pensado nisso quase como um mantra por aqui, será que vamos ter escapatória dessa prisão?










Now

Where

Currently in Lisbon, Portugal — 18 . 09 . 2025

Currently reading

Lessons in Chemistry by Bonnie Garmus, being honest, I didn't plan to read this book. When I was in Bath, I visited some charity stores and found this beautiful hardcover for just two pounds. No excuses. I am really enjoying it, it's fun and made me think about how hard it is being a woman.

And giving a chance for Freida McFadden, I don't like choosing spotted authors, but I am reading Never Lie in my book club with some friends. I already read 10% of it and, surprisingly, am enjoying it. 

Work

  • My god. These days have been really exhausting. I've been thinking a lot: I'm a bit tired of working in a company and thinking about changing careers. 
  • Need to create a portfolio.

Doing

  • Trying to finally build a routine, system, process that really works for me and prioritise my creativity. 
  • Reduce my screentime or at least try to consume less "content". 
  • Walking with a field note everywhere.

On my mind lately

  • How are we spending our time? 
  • Are the interactions on Grindr worth the effort? 

More

  • Just addicted to Olivia Dean, she's gonna release a new album, The Act of Love
  • Watching Demon Slayer, a recommendation from a friend. 
  • I did 6 new tattoos.
  • Excited about my new camera arriving tomorrow!

Tamanho 42

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não sei se deveria te chamar de estranho,
nunca imaginei que cairia nesse imaginário,
que a estranheza pudesse se perpetuar entre nós.
logo eu, que conhecia tuas manias mais bobas,
já havia decorado a sequência em que costumas te vestir: cuecas, meias, calça, blusa e um perfume azedo,
e que sua sobremesa favorita era aquele tiramisù do café na esquina.
nem sei se era o seu favorito, mas era perto e sempre passávamos lá na hora de voltar pra casa.
estranho essas coisas se tornarem estranhas.

agora me diz: o que vou fazer com todos esses números — 03/05/2021, tamanho 42, o seu passaporte, o seu CPF, 1995, dois de janeiro? não sei se tenho mais capacidade para decorar números. até hoje não decorei o número do hospital — e sabemos que, pelas inconveniências da vida, faria muito mais sentido (e seria mais oportuno) decorar ao menos o número da emergência.

mas estranho é fingir que não aconteceu.
todas as fotos que ficaram arquivadas no rolo da câmera vão sempre causar esse burburinho no estômago, como quem atiça fogo ao ninho de vespas.
apagar as suas fotos de todas as redes sociais, as declarações de amor que não existem mais, qualquer espécie de bit que permita te encontrar, agora irrecuperável.
sabe, acho que o tiramisù nem é tão gostoso assim.



T & L

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Experimento Setembro: Semana II

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Essa semana foi um pouco mais estranha, muitas coisas aconteceram e quando pisquei já era sexta-feira. Apesar de não ter conseguido fazer muitas coisas, tive a impressão de que preciso encontrar sistemas/processos/ferramentas que facilitem a criação. Por exemplo, ter sempre à mão um caderninho ou câmera, isso faz com que não precise de muito para poder criar. 

Segunda : dia muito corrido, mas fui ver o pôr do sol.
Terça : comecei a organizar uma pasta de arquivos no computador para vídeos.
Quarta : escrevi textos para o livrinho.
Quinta : mais textos para o livrinho.
Sexta : 
Sábado : tirei algumas fotinhas.
Domingo : rascunhei novas edições para a newsletter
 
Parece que tem dias que a gente precisa se lembrar para não ficar pegando no celular, eu geralmente não costumo mexer no celular até começar a trabalhar, mas essa semana eu lembro de que eu acordava e já ia buscar o celular na sala para poder ficar mexendo na cama. Acabei baixando o Instagram e Grindr no celular e isso me distraiu algumas vezes, principalmente no domingo, quando eu sabia que podia fazer várias coisas - fiquei com preguiça e quando percebi, me via pegando o celular para ver nada de fato interessante. Agora pela noite me bateu uma leve tristezinha de não ter aproveitado o dia de outra forma além de telas. 







(Rascunhos)

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escrevo essas memórias
porque talvez seja um jeito de me remontar
e lembrar das pequenitudes dos dias
já fazem trinta anos que as coisas acontecem
e ainda não me lembro onde que foi parar aquela caixinha de giz da quinta série 
e nem que fim tiveram todas as borrachas

escrevo para que o tempo não possa pagar, 
porque a minha cabeça parece que as vezes 
só as vezes 
é melhor apagar algumas coisas do passado:
os corações quebrados
as tardes dando vida a noite
os pés de manga
o pique-esconde

escrevo para lembrar sobre o hoje,
que a vida vale a pena ser vivida e,
 que as vezes entramos nesse ciclo constante de insatisfação, 
que as belezinhas, 
as vírgulas, 
os detalhes 
vão sendo deixado de lados

e esquecemos como as pessoas sorriem,
e o sabor dos cafés,
e o cheiro das árvores
e as cores e os pedaços e os enfeites e as quinquilharias

Escrevo quase como arma contra o esquecimento, 
que me recuso.
Para até todas as mínimas pessoas que duraram instantes 
(ao cruzar a minha curta linha do tempo aqui).


A grande inspiração

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Ok. Tem alguns anos que ando esperando a grande inspiração cair no meu colo e eu abrir o computador e não parar de escrever por três meses seguidos os romances que mirabolo na cabeça.

Sempre fetichei o clichê de escrever os livros em ambientes super trabalhados para, de fato, escrever livros. Digo, eu queria ter uma mesa enorme com vista pra um vale e um cachorro deitado aos meus pés enquanto de um lado tinha uma xícara de chá com biscoitos e do outro um abajur moderninho. Às vezes, eu queria estar escrevendo em um café qualquer da cidade, com óculos, super concentrado e rindo comigo mesmo enquanto matava ou fazia meus personagens patinarem nos seus próprios problemas. E outras vezes eu penso em algo mais simples, como só esperar que todo mundo dorma e para poder ficar sozinho com meus pensamentos e as palavras.

mas a verdade é que gosto muito de romantizar tudo e esperar o momento ideal; mas olhando para trás vejo o quanto esperei pelo Momento Ideal e o Lugar Perfeito™ e pasmem com o que vou dizer agora: ele nunca chegou. E ele nunca vai chegar, porque escrever (e muitas outras coisas) não é sobre ter locais perfeitos, climas frios e dias inspiradores. Escrever é sobre criar rotinas, hábitos e permitir que as cenas saiam da cabeça para as páginas em branco.

Um dia desses me surgiram muitas ideias ao mesmo tempo, foi uma explosão de sentimentos e falei tudo isso diretamente pro meu amigo: que eu queria escrever todas as histórias que eu tinha na minha cabeça e ele respondeu, um simples e cru "escreva". E eu senti raiva, "como ele acha que é apenas sentar e escrever?" pensei comigo mesmo já entendendo as milhares de desculpas que me dei, vendo que ele só resumia que para as minhas histórias darem certo, elas precisavam ser escritas.

(texto que estava nos rascunhos em 2021)

Experimento Setembro: Semana I

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A verdade é que incluir a criação no dia a dia não é algo muito impossível, só precisamos encontrar um momento, mesmo antes de dormir, para escrever uma coisinha qualquer, não precisa ficar incrível, só precisa sair. Li esses dias que: movimento gera movimento, escrevi num esparadrapo e coloquei na capa do meu caderninho de mão — uma vez que se quebram os dez primeiros minutos de resistência, tudo começa a fluir quase que naturalmente.

Segunda : fiz colagem no diário de viagens.
Terça : escrevi no blog
Quarta : escrevi textos para o livrinho
Quinta : saí para fotografar a noite com o lano
Sexta : gravei vídeos
Sábado : editei um videozinho, mas ainda não terminei
Domingo : rascunhei novas edições para a newsletter
 
Ainda continuo na saga de tentar diminuir o meu consumo. Criei uma regra nos e-mails para todas as newsletters que assino para redirecionar todas as news para uma pasta específica para abrir quando tiver com vontade de ler algo, e já tem sido um silêncio para os olhos.Ao memo tempo que qentando não deixar aplicativos que me faziam me ficar por horas no celular e deixar o meu limite máximo de tempo de tela no celular por volta de duas horas por dia.

O experimento de setembro

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Tenho essa ideia de que existe um dia ideal para criar, em que eu vou acordar e o dia não vai estar nem quente, nem muito frio, a inspiração vai fluir de dentro de mim e vou conseguir escrever a MELHOR história, fazer as MELHORES fotografias ou a melhor colagem. São anos esperando que esse dia inspirador chegue, caia do céu. 

Já deu para entender que isso não vai acontecer, eu preciso fazer minhas coisinhas mesmo sem esse dia ideal, preciso incluir isso no meu dia a dia, tem que ser natural, não precisa ser sempre algo bonito, até porque nada sai incrível nas primeiras vezes que tentamos e por isso que disse que precisava insistir em alguém que acredito e quero ser no começo do ano. Em resposta a isso, quero me desafiar no mês de setembro a ser uma pessoa que cria mais do que consome.


Ideias que eu poderia me aprofundar mais:
  • Colagens no diário de viagens e no caderno de colagens.
  • Fazer um dos milhões de ensaios fotográficos que tenho em mente.
  • Escrever um versinho por dia.
  • Detalhes do cotidiano.
  • Tirar do rascunhos os textos da newsletter.
  • Gravar mais minha voz e me colocar na frente da câmera. Me fazer presente.
  • Brincar com restrições
  • Criar pequenas narrativas
Percebo que nem todos os dias vão ser fáceis de criar algo ou porque estou muito cansado ou porque me sinto sem "criatividade", por isso peguei um prompt de atividades para quando eu estiver desanimado. Se quiserem essa lista, me digam que posso postar aqui. 



Quero nesse mês diminuir meu tempo de consumo das coisas - de vídeos de youtube, leituras no computador (news e blogs) e gastar (ganhar) mais tempo criando. E quando for para consumir, consumir de fato intencionalmente como inspiração ou para aumentar meu repertório, afinal não adianta assistir a 2034 coisas diferentes e não conseguir sair da fase das ideias e cobranças, né? 
 
///////// @igormedeiroz