Faça todo dia
O corpo se habitua com a rotina e isso é válido para qualquer coisa: academia, correr, escrever, pintar, etc.
BADモード, Hikaru Utada (2022)
- BADモード
- 君に夢中
- One Last Kiss
- PINK BLOOD
- Time
- 気分じゃないの (Not In The Mood)
- 誰にも言わない
- Find Love
- Face My Fears (Japanese Version)
- Somewhere Near Marseilles ―マルセイユ辺り―
- Beautiful World (Da Capo Version)
- キレイな人 (Find Love)
- Face My Fears (English Version)
- Face My Fears (A. G. Cook Remix)
2026: 22
Estranho fechar a porta de uma casa que você viveu os últimos cincos anos, se despedir das paredes, das rachaduras que já conhecia, com a ferrujem no espelho do banheiro - em como já até sabia de cor a posição da torneira para regular a temperatura exata para o inverno e a temperatura exata para o verão. Despedir também dos pratos, panelas, garfos, panos de chão, sofá e coisas que tiveram seu propósito e agora seguem história com outras pessoas.
Acontecimentos
- Muitas burocracias, ligações, trocas de e-mails nesses três primeiros dias da semana, além claro de várias reuniões no trabalho.
- Mudei de vez para o Porto, na sexta-feira. Estranho, mas estou animado com a vidinha que Adele e eu vamos construir aqui. Ainda bem que tirei férias para essa mudança, porque sem condições.
- Sábado basicamente não fiz nada além de ficar no apartamento esperando coisas para a reforma do banheiro chegar, chegou quase tudo.
- J. decidiu que a gente ia correr da casa dele até a praia domingo de manhã, aí por volta de 6km. Eu achei que não conseguiria porque faz muito tempo que não corro, mas até que aguentei bem, os joelhos que lutem.
Consumindo
Livros (atualizações das últimas leituras)
- Caderno Proibido, Alba de Céspedes: estou apenas encantado lendo sobre a vida dessa mulher-mãe.
- Ao mesmo tempo ouvindo Léxico Familiar, que não sei se é uma boa ideia, apesar de estar amando também, hora ou outra me confunde com a leitura de Caderno Proibido. Muitos dramas familiares.
- Querendo começar o quanto antes a leitura de Uma Questão Pessoal, do projetinho lendo Nobel.
Filmes & Séries
- Over Your Dead Body (2026): um casal que próximo a falência financeira encontram apenas uma solução matar um ao outro para poder ficar com o seguro, eles só não contavam com outras coisas. É divertido.
- Insterstellar (2014): lembro que a primeira vez que assisti esse filme, amei. Mas na segunda vez eu já não amei tanto assim, na verdade, fiquei bastante irritado com toda a promessa de salvação da humanidade.
- Wall-e (2008): reassistindo porque é muito estranho como um filme infantil de 2008 descreva tão bem os dias de hoje. Tenho medo.
- The Handmaid's Tale (2017 ~ 2025): Voltando a assistir de onde tinha parado, estou na quinta temporada e não vejo muito bem onde isso vai parar, para mim a série já deveria ter acabado. Dizem que o final não é muito bom.
Tudo em prol das nossas crianças americanas
Não me parece menos egocentrico, que outras espécies não são discutidas no filme, como animais ou plantas – dos quais já sabemos que são essenciais para vivermos também, seja por conforto emaional ou por necessidades fisiológicas.
Talvez meus questionamentos venham muito viesados pelo olhar atual de como o mundo está, em como os trilionários congitam essa possibilidade de colonizar um outro planeta ou construir bunkers para próximas gerações, em como já desacreditamos em que o mundo tem alguma salvação e a única salvação é habitar um outro lugar. Colocar a culpa numa “praga natural” é tirar do ombros a responsabilidade de cuidar e proteger o planeta.
Gosto de pensar no que aconteceria caso o plano B, em que foram levados apenas algumas centenas de embriões para o espaço, qual língua eles falariam? Deixariam de falar outras línguas? Seria uma nova nacionalidade ou just americans?
Me cansa um pouco todo o filme ser o Estados Unidos ao salvar o mundo, quando a imagem atual é de que eles não se importam muito com a direção que o mundo está indo, com tantas crises ambientes, extinções e doenças. Esse discurso, vendido durante anos e anos, em que fomos engolindo a força por causa de um filme com cenas muito bonitas, cinematográficas como dizem nos dias de hoje, e uma trilha sonora assinada por Hans Zimmer.
Veja bem, eu não odeio o filme, é um filme muito bonito, emocionante, toda a parte espacial e estudos que devem ter sido feitos são realmente de tirar o chapéu, mas esses incomodos não me deixaram curtir tanto.
Memórias do Subsolo, Fiódor Dostoiévski
Memórias do Subsolo é esse livro um pouco difícil de entender no começo. O homem do subsolo é esse personagem meio caricato que se achar melhor que os outros porque se acha um intelectual e porque tem um cargo militar que lhe deveria dar certa credibilidade. Mas, na verdade, o homem do subsolo é esse homem triste e solitário que usa desculpa de ser um homem pobre/doente e que precisa inferiozar outras pessoas para esconder suas próprias frustações e medos que o paralizam a correr atrás dos seus sonhos.
A primeira parte do livro é como se fosse no futuro, onde acompanha o homem, sem nome mesmo, tendo um grande monólogo do que ele acha certo ou o que acha errado, sobre onde deve existir sentimento quando se pode ser racional, quando 2 + 2 são igual a quatro.
Será que o homem não ama algo além do bem-estar? Talvez ele também goste de sofrer. Talvez o sofrimento lhe seja um lucro tão vasto quanto o seu bem-estar? Por vezes, o homem é extraordinária e ardentemente apaixonado pelo sofrimento, e isso é um fato.
A segunda parte é essa que explora algumas das experiências do personagem com outras pessoas, da humilhação que ele sofre e também que ele reproduz, um homem machucado que não sabou se curar e acaba projetando as próprias frutações em outras pessoas – até mesmo na única pessoa que parece realmente o ter amado (pobre Lisa).
Teria eu sido construído apenas para chegar à conclusão de que toda a minha construção é uma fraude?
Este é o meu primeiro livro do Dostoevsky e tenho vontade de ler depois de aventurar por mais algumas obras russas, é um livro que acredito que numa segunda ou terceira leitura é ainda mais fácil de capitar/entender o que o personagem está sentindo. Penso em reler esse livro intercalando a primeira e segunda parte, porque acredito que vá misturar essas experiências do passado do homem do subsolo com as suas reflexões vindas dessas experiências.
Observem-se com mais atenção, senhores, e então compreenderão que é assim mesmo. Inventei aventuras para mim e construí uma vida para ao menos vivê-la de algum modo.
Tenho vontade de fazer uma releitura deste livro de outras formas: começando pela segunda parte e depois a primeira ou intercalando os capítulos da primeira e segunda parte. Acredito que a mistura entre narrativa de acontecimentos na vida do personagem com os pensamentos filósificos fazem ter uma outra experiência.
Para complementar a leitura:
Memórias do Subsolo: Um espelho do nosso pior lado
Preciso parar de se fofo
o excesso de informações gera paralisia.
Dramas Familiares
2026: 21
Acontecimentos
- Aconteceu! Atingi os 100 posts que tinha me comprometido a fazer no começo do ano. Uma leve roubada porque desde que comecei a escrever os microblogs/status esse número aumentou com uma facilidade.
- Fui atrá de canais de arte em espanhol, porque aprender ou praticar espanhol foi uma das minhas metas para esse ano.
- Já cheguei no ponto de empacotamento que é apenas jogar tudo dentro das caixas e o Igor do futuro resolve.
- Movimentando, com muito custo, o corpo. Mais para a mente não surtar.
- Estava com uma vontade absurda de comer francesinha e foi o que eu fiz sexta a noite. Recomendo!!1!
- A lei da nacionalidade mudou em Portugal, três dias antes de eu poder aplicar para cidadania, eu odeio esse país. Agora esperar mais dois anos? Aguentarei? Não sei.
- Sem muita vontade de socializar ou responder pessoas no whatsapp. Simplesmente sem energia. Mudar de casa/cidade exige muita energia. Isso porque nem contei para 50% das pessoas que eu conheço.
Atualizações no site
- Página para o desafio de lendo Nobel desde quando nasci.
- Página para ler vários clássicos antes de morrer.
Consumindo
Livros
- Mémórias do Subsolo: terminei, entendi só que o homem do subsolo é um lixo e o quanto podemos estar próximo dele. Li algumas dezenas de foruns de pessoas dizendo que se encontrava nas palavras do personagem, interessante. Quero fazer uma releitura em algum futuro próximo mesclando as duas partes do livro, entre narrativa e pensamentos.
- Caderno Proíbido: já vinha namorando a possibilidade de começar um livro da Alba a alguns meses, na verdade, até já tinha começado a leitura desse livro no caminho de Lisboa para o Porto; voltei a reler os primeiros capítulos e me sinto completamente fisgado. Um caderno como renúncia de si mesmo, da individualidade e experimentação do mundo.
Filmes & Séries
- American Fiction (2023): um filme sobre um escritor, que cansado de não ter reconhecimento pelos livros incríveis que escreve, decide então escrever um livro muito ruim. A única coisa que ele não esperava era que esse livro fosse um best-seller. Gostei muito, achei divertido e drama familiar é sempre bem-vindo.
- Mother Mary (2026): estava esperando por esse filme há um bom tempo, antes mesmo de o álbum de trilha sonora do filme sair. Apesar de o filme ter sido vendido como "terror", nada acontece. Na verdade, muita gente criticando o filme porque ele é muito metafórico e diálogos muito longos. Eu, especialmente, amei, adoro diálogos bem amarrados, ácidos, cheios de emoção. O terror em si apenas uma entrada para abordar sentimentos realmente assustadores: o luto, a falta, o desprezo e amizade. Cinematicamente lindíssimo.
- Mortal Kombat II (2026): é divertido, mas é engraçado como não conseguem (nunca) desenvolver bons arcos para os personagens nessa franquia, mas adoro.
Músicas
- BADモード, Hikaru Utada: Meu celular descarregou e eu tinha esse álbum baixado no relógio, coloquei para tocar porque era o que tinha e: me surpreendeu bastante!
VPN
Lendo todos os Nobel literários desde que nasci
Lista de todos os autores premiados:
- 1994*: Kenzaburō Ōe
- 1995*: Seamus Heaney
- 1996: Wisława Szymborska
- 1997: Dario Fo
- 1998: José Saramago
- 1999: Günter Grass
- 2000: Gao Xingjian
- 2001: V. S. Naipaul
- 2002: Imre Kertész
- 2003: J. M. Coetzee
- 2004: Elfriede Jelinek
- 2005: Harold Pinter
- 2006: Orhan Pamuk
- 2007: Doris Lessing
- 2008: J. M. G. Le Clézio
- 2009: Herta Müller
- 2010: Mario Vargas Llosa
- 2011: Tomas Tranströmer
- 2012: Mo Yan
- 2013: Alice Munro
- 2014: Patrick Modiano
- 2015: Svetlana Alexievich
- 2016: Bob Dylan
- 2017: Kazuo Ishiguro
- 2018: Olga Tokarczuk
- 2019: Peter Handke
- 2020: Louise Glück
- 2021: Abdulrazak Gurnah
- 2022: Annie Ernaux
- 2023: Jon Fosse
- 2024: Han Kang
- 2025: László Krasznahorkai
Já leu algum desses autores? Tem algum livro específico para recomendar? 😍
A Star in the Headlights, YOUR ANGEL (2023)
- STAR
- You Never Say Sorry
- Edge of the Line
- Misbehave
- Baby
- INTERMISSION
- Good Girl
- Rose (feat. Brutus VIII)
- Tough
- Sleep Talk
- Honey
2026: 20
A vida se resume, nos próximos meses, viver com as coisas dentro das caixas. Não sei como acumulei tanta tralha nesses anos todos, que nem são muitos, cinco desde que cheguei em Portugal com apenas uma mala de 24kg. Às vezes eu devia voltar a ser minimalista.
Acontecimentos
- Essa semana foi uma mistura de encontrar alguma energia para ir a academia e dança, até que consegui, mas bem porcamente. Tentando não me culpar tanto por isso, porque no final do dia realmente não tenho energia alguma.
- Na sala de alongamento tinha umas meninas e eu perguntei pra elas se eu podia alongar na sala, uma delas disse só não liga para a letra da música, eu dei uma risadinha e soltei um "é porque você não ouviu o que eu coloco nos fones".
Consumindo
Livros
-
Não tenho tido tanto tempo de leitura como eu gostaria, estou com uma vontade enorme de começar novos livros. Mas já tenho cinco como leitura corrente. Abstraindo em Mémórias do Subsolo e tem sido uma leitura até que muito boa, cheguei na segunda parte.
Filmes & Séries
- Good Boys (2019)
- Mayhem Requiem (2026): Uma apresentação do começo ao fim de Mayhem, o sexto álbum da Lady Gaga. Amei como ela mudou todas as versões das músicas e simplemsente ficaram incríveis, até a música com o Bruno Mars!!!!
- Desperate Housewives (2004 ~ 2012): simplesmente viciado, coloco para ver enquanto almoço ou no final do dia para descansar. Série perfeita, já não fazem séries tão boas como antes, em?
Músicas
- A Star in the Headlights (2023), YOUR ANGEL: sempre volto a esse álbum para andar pela cidade e sempre me dá uma vibe de, como eu eu gosto desse álbum.
Sobre escrever quase todos os dias
"escrever é pra ser fácil. é sobre conectar ideias e pessoas, recuperando ‘conectar’, palavra que passou a ser tão negativa. conectar pode ser (se) encontrar." — Luciana Andrade
2026: 19
Mudar é sempre exaustivo, toda a logística e burocracia, além do esforço físico de ter que arrumar caixas e caixas. Estou saindo de Lisboa e indo para o Porto, uma das mudanças que eu não tinha planejado para esse ano, mas que simplesmente aconteceu. Fico pensando que uma máquina de teletransporte seria incrível.
Ao mesmo tempo foi uma semana que eu assisti muitos filmes, muitos filmes bons (e estou levemente surpreso com isso).
Acontecimentos
- Cafézinho com L. duas vezes essa semana, porque ele tá indo
emborapros EUA e vai ficar lá por uns dois meses e quando ele voltar, eu já me mudei. - Essa semana não fui nenhuma vez ao escritório, me sinto tão exausto mentalmente que sem condições de socializar um pouco mais. Espero que entendam. Muitas reuniões, documentos exceis. Faz parte.
- Meu sábado foi basicamente ficar organizando caixas, consegui empacotar quase todas as roupas não essenciais e sapatos que não vou precisar usar até o final do mês. É apenas quando a gente precisa se mudar que a gente percebe a quantidade de tralha. Quase cinco anos morando na mesma casa, acho que era esperado ter tanta coisa, mas não TANTA coisa.
- K. tinha planejado fazermos coisinhas no domingo: um delicioso brunch que ele sempre faz, ver filminho e passar a tarde fazendo colagens. E foi o que fizemos. Fazia tanto tempo que eu não recortava e fazia colagens, até que levo jeito para a coisa, devia fazer isso mais vezes (é mais divertido fazer acompanhado).
Atualizações no site
- Criei uma página de TV, para ficar registrado em lista, todos os filmes que fui assistidos, meio que a página atualiza automaticamente com base nas notas semanais.
Consumindo
Livros
- Memórias do Subosolo: Preciso ler esse livro de manhã, porque antes de dormir naõ está funcionando.
- O Ano do Macaco, Patty Smith: comprei por estava em promoção, dei uma folheada, mas já estou interessado em começar.
Filmes & Séries
- Ready or Not (2026): para exatamente de onde o primeiro termina, vingança feminina, gore levisinho, homem se fud%nd#.
- The Boys (2019 ~ 2026): essa série, cada vez mais absurda, preciso do próximo episódio ASAP.
- The Drama (2026): (⚆ᗝ⚆)
- A Princesa e o Sapo (2009): fofinho, a primeira vez que assisti era tão novinho, foi interessante rever com olhos de adulto.
Músicas
- The Afterpaty, Lykke Li: estou completamente viciado nesse álbum, só na sexta-feira ouvi 6 vezes.
- Glasshouse, Jessie Ware: ouvi pela primeira vez ele todo, é bem delicinha. Escutarei mais vezes.
- Willson, Ashe: por mais que eu tenha várias músicas curtidas da Ashe, acho que eu nunca ouvi um álbum inteiro. Esse, gostei, darei chance aos próximos. Ela escreve de um jeitinho fofo sobre coração quebrado.
PDFs
The Afterparty, Lykke Li (2026)
- Not Gon Cry
- Happy Now
- Lucky Again
- Famous Last Words
- Future Fear (Interlude)
- So Happy I Could Die
- Sick Of Love
- Knife In The Heart
- Euphoria
Fiquei pensando porque a sueca escolheu colocar esse nome, depois de ouvir o álbum me veio aquela sensação de depois que os efeitos das drogas/álcool, a depressão e o peso da realidade, a ressaca. Fui procurar na internet e a cantora diz numa entrevista,"I get the sense that we are at the afterparty of the world", confirmando então a minha ideia de que o álbum é sim sobre o depois do êxtase, da euforia.
Com Not Gon Cry, na letra, em que ela diz que não vai mais derramar uma lágrima sequer pelo macho, dá para perceber que ela está dizendo isso para si mesma enquanto chora e ela tenta disfarçar dizendo que é a chuva, gosto dessa música porque ela me traz esse sentimento de um relacionamento quase superado, mas que ainda restam resquicícios. Mas quase totalmente limpa.
(Depois venho escrever o resto)
2026: 18
Acontecimentos
- Cineminha com amigos.
- De quinta para sexta fui a uma festa com K e amigos; apesar de morrendo de sono, com os incentivos certos (ou errados), consegui ficar até as 07h da manhã.
- Por que existem mil tipos de revestimento, tintas, rodapés? Mas que inferno, queria ter dinheiro.
- Morrendo de sono quase sempre.
Consumindo
- Memórias do Subsolo: li apenas três capítulos, entendendo bulhufas.
- A Dash of Salt and Pepper: chegando a quase 100 páginas e achando o personagem principal super chato, sabe quando você tem aquela conversa com alguém que não cala a matraca e só sabe falar de si mesmo?
- Os Abismos: quero muito saber onde essa história vai dar
- Victory Garden (2026): uma das minhas bandas favoritas acabou de lançar esse álbum, já tenho algumas músicas que amei, mas preciso escutar mais vezes.
- O Diabo Veste Prada 2 (2026): gostei da parte que fala sobre os jornalistas, sei que não é o foco do filme, acho que não amei muito, achei super extenso e muitas coisas acontecendo, não tão leve quanto o primeiro, mas ainda assim divertido.
- Reflexões de um Liquidificador (2010): coloquei para assistir no domingo, finalzinho de tarde, vai que tirava um cochilinho, é engraçado: ver o liquidificador contando a história de um casal de idosos ~muitas coisas acontecem aqui hahaha e não consegui tirar minha sonequinha!!!!
- Forbidden Fruits (2026): engraçadinho, entendi nada, termina com umas cenas super gores. Uma mistura de Mean Girls com The Craft.
- Pretty Lethal (2026): eu tinha visto o trailer desse filme e fiquei na hora com vontade, adorei e dei muitas risadas: bailarinas sendo rapitadas por uma gangue de russos e elas vão ter que dançar pra se salvar. Divertido, mas com cenas gore.
- Frieren ~ Beyond Journey's End (2023): já estava enrolando a algum tempo, mas agora deu certo, comecei.
A Vegetariana, Han Kang
A história é divida em três atos, cada um com a perspectiva de um personagem: o primeiro é sob o ponto de vista do marido em relação a decisão de Yeong-hye em parar de comer carne e reação da sua família; o segundo foca no cunhado que desenvolve um desejo e persevidade pelo corpo da cunhada; e o terceiro é o desdobrando dos dois primeiros atos, sob o ponto de vista da irmã, In-hye. Nos três atos observamos o expectativas do comportamento de Yeong-hye, as frustações e o ego de dos personagens.
Fiquei sem palavras. Eu já tinha ouvido falar que estava na moda ser vegetariano. Com o objetivo de ter uma vida mais longa, de mudar o metabolismo e se livrar das alergias. Os monges budistas em retiro também são vegetarianos, mas eles têm um propósito maior, o de não causar danos a seres vivos. Mas de onde vinha aquela postura extravagante da minha mulher? Ela não era mais adolescente, não precisava perder peso nem tinha que se curar de alguma doença, e mesmo assim tinha resolvido mudar de hábitos alimentares depois de um pesadelo. Nem estava possuída por um demônio! Como podia ser tão teimosa e ignorar completamente a opinião de seu marido?
Sob essas diferentes perspectivas e ideais de outros personagens sobre a protagonista, conseguimos perceber a "transição" de Yeong-hye para um animal encurralado, depois para um monge em complitude e depois a busca para se assemelhar a uma árvore/planta e enfim transcender de toda essa dor e expectativas dos outros em seus ombros.
Dava a impressão de se contentar com observar tudo o que lhe acontecia, como uma espectadora, apenas. Não: quem sabe em seu interior coisas terríveis e inimagináveis estivessem acontecendo, e gerenciar tudo aquilo, mais as questões cotidianas, fosse desgastante demais para ela. Talvez por isso não tivesse energia suficiente para demonstrar interesse ou para reagir às coisas ao seu redor.
Se prepare para uma leitura violenta contra o feminino, o desejo e a independência. É sobre uma cultura que se solidifica em misoginia, patriarcado e hierarquia; no silenciamento das mulheres. É um livro que faz questionar para em que lugar estamos indo como sociedade.
Depois de rir por alguns minutos, pensava que a vida era estranha. As pessoas comiam, bebiam, tomavam banho e seguiam vivendo mesmo depois de passar por acontecimentos terríveis.
A escolha do título A Vegetariana é bastante curiosa, porque em nenhum momento Yeong-hye se opõe dizendo que é vegetariana, só que deixará de comer carne, essa subjetividade vem a partir de outras pessoas do seu ciclo familiar; uma alusão ao próprios desejos e vontades negados da protagonista, a qual ninguém parece ser interesse em ouvi-la ou entende-la sem desvecilhar das próprias visões de mundo e serem empáticas com o outro.
É por causa da carne. Comi carne demais. Todas essas vidas estão entaladas aqui. Tenho certeza. Sangue e carne foram digeridos e se espalham por todos os cantos do meu corpo; os resíduos foram colocados para fora, mas as vidas insistem em obstruir o plexo solar.
Para mim, o livro segue para duas vertentes: a de que Yeong-hye desistiu da vida e por isso deixa de comer carne, que em muitas culturas representa a vida, a abundância e eventualmente deixa de comer qualquer coisa. E no outro lado é que, talvez ela tenha se liberdado de todas as amarras que a prendia, decidindo agora o que fazer com a sua vida independente das consequências ou achismos das outras pessoas.
O máximo que ia conseguir era machucar a si mesma. Seu corpo é a única coisa à qual você pode fazer mal. É a única coisa com a qual você pode fazer o que quiser. Mas nem isso te deixam fazer.
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