Memórias do Subsolo
Fiódor Dostoiévski
Boris Schnaiderman
Editoa 34
152 páginas
Obra-prima da literatura mundial, esta pequena novela traz, em embrião, vários temas da fase madura de Dostoiévski. Seu protagonista, um funcionário que vive no subsolo de um edifício em São Petersburgo, expõe a sua visão de mundo num discurso explosivo, labiríntico, vertido impecavelmente para o português por Boris Schnaiderman.
Memórias do Subsolo é esse livro um pouco difícil de entender no começo. O homem do subsolo é esse personagem meio caricato que se achar melhor que os outros porque se acha um intelectual e porque tem um cargo militar que lhe deveria dar certa credibilidade. Mas, na verdade, o homem do subsolo é esse homem triste e solitário que usa desculpa de ser um homem pobre/doente e que precisa inferiozar outras pessoas para esconder suas próprias frustações e medos que o paralizam a correr atrás dos seus sonhos.
A primeira parte do livro é como se fosse no futuro, onde acompanha o homem, sem nome mesmo, tendo um grande monólogo do que ele acha certo ou o que acha errado, sobre onde deve existir sentimento quando se pode ser racional, quando 2 + 2 são igual a quatro.
Será que o homem não ama algo além do bem-estar? Talvez ele também goste de sofrer. Talvez o sofrimento lhe seja um lucro tão vasto quanto o seu bem-estar? Por vezes, o homem é extraordinária e ardentemente apaixonado pelo sofrimento, e isso é um fato.
A segunda parte é essa que explora algumas das experiências do personagem com outras pessoas, da humilhação que ele sofre e também que ele reproduz, um homem machucado que não sabou se curar e acaba projetando as próprias frutações em outras pessoas – até mesmo na única pessoa que parece realmente o ter amado (pobre Lisa).
Teria eu sido construído apenas para chegar à conclusão de que toda a minha construção é uma fraude?
Este é o meu primeiro livro do Dostoevsky e tenho vontade de ler depois de aventurar por mais algumas obras russas, é um livro que acredito que numa segunda ou terceira leitura é ainda mais fácil de capitar/entender o que o personagem está sentindo. Penso em reler esse livro intercalando a primeira e segunda parte, porque acredito que vá misturar essas experiências do passado do homem do subsolo com as suas reflexões vindas dessas experiências.
Observem-se com mais atenção, senhores, e então compreenderão que é assim mesmo. Inventei aventuras para mim e construí uma vida para ao menos vivê-la de algum modo.
Tenho vontade de fazer uma releitura deste livro de outras formas: começando pela segunda parte e depois a primeira ou intercalando os capítulos da primeira e segunda parte. Acredito que a mistura entre narrativa de acontecimentos na vida do personagem com os pensamentos filósificos fazem ter uma outra experiência.
Para complementar a leitura:
Memórias do Subsolo: Um espelho do nosso pior lado
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