Resenha: "Como viver eternamente" Sally Nicolls (releitura)

24 de set. de 2014

Autora: Sally Nicolls
Editora: Geração
Páginas: 227
Avaliação: ★★★★★

Quando eu li "Como viver eternamente", há dois anos, me apaixonei de cara por uma narrativa simples, infantil, dócil e triste. Hoje, ao reler percebo o quanto esse livro mudou (na verdade, eu mudei) para mim, a sua história não é mais triste e também não me fez brotar lágrimas como na primeira vez. Dessa vez, na releitura, encontrei uma narrativa feliz: encontrando a eternidade no pouco tempo que temos. 

De antemão uma leitura recomendadíssima. 

A partir de uma atividade escolar Sam tem como objetivo final da sua vida escrever um livro, para poder se tornar um cientista e, também, por gostar de história. O pequeno colecionador de histórias incríveis, à procura de perguntas que ninguém nunca conseguiu responder ou ousou-se perguntar, começa a registar sua própria vivência - realizando seus pequenos sonhos, assim como encontrando respostas para suas inquestionáveis perguntas - acompanhado do seu melhor amigo Felix. 

Sally Nicolls aborda o câncer da forma mais genérica possível, sua intenção não é falar sobre como a doença é ruim ou como é injusta. Algumas pessoa só tem o azar de ganhar o caminho para o céu mais rápido, como o próprio Sam diz. Colhendo, através de uma narrativa em primeira pessoa, diversos traços de como todo mundo reage a sua doença: seu pai que sempre fica calado e acha que trabalhar poderá salvar o filho; sua irmã que necessitada da atenção reservada a Sam; a mãe de Sam que não conseguirá suportar a dor...

Lindamos com sentimentos ligeiros, mas que cumprem, com êxito, o seu feitio de apossar o leitor de um momento reflexivo durante a história. O propósito de Nicolls é, sem dúvidas, mostrar que para viver eternamente precisamos apenas nos sentir realizados - realizando nossos sonhos, alçando objetivos almejados. 

Na minha primeira o leitura, bater de encontro com o livro, foi fácil e fui bem recebido por Sam, um personagem meio engraçado e fofo, capaz de arrancar lágrimas e sorrisos de qualquer leitor bobo. Na segunda leitura, não aconteceu nada de tão diferente, não chorei, obviamente, mas muito diálogos ficaram enraizados, de vez, no meu coração. O motivo de tamanho contentamento não é por ser um livro triste ou tocante e sim por seu ensinamento. 
“Morrer é a coisa mais boba de todas. Ninguém lhe conta nada. Você faz perguntas, e eles tossem e mudam de assunto” 
Uma leitura recomendada por, incrivelmente, transbordar o leitor para um mundo mágico, mas que está presente na vida de muitos de tão simples que é. 
 
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