Resenha: "Um gay suicida em Shangri-la" de Enrique Coimbra

Autor: Enrique Coimbra
Editora: Autopublicado
Páginas: lido em versão digital
Avaliação: ★★★★

"Um gay suicida em Shangri-la" conta história de Eduardo e de como ele está fazendo de tudo para que o seu passado não se repita e ele não encontre novamente a morte, a pior morte, a de morrer estando vivo. Ao tentar suicídio e dar tudo errado - por sorte ou destino - Eduardo decide abandonar toda sua vida falsa, sua felicidade comprada e principalmente o seu antigo ser. Com isso ele parte para o interior do Rio de Janeiro, uma cidadezinha minuscula chamada Estrela, buscando coisas que ele sabia existir, mas nunca tinha conhecido: amizade, proteção e principalmente o sentindo da sua existência. 
"Aí compreendo que a vida é feita de pequenos milagres."

Ainda é, para mim, muito diferente pegar livros que tratam sobre a temática homossexual, mesmo que a filosofia da sociedade tenha mudado muito nos últimos anos (para melhor), ainda existe certos preconceitos com o tema. Todas as vezes que vou de encontro com livros que abordam esse assunto não me arrependo e o mesmo acontece com Um gay suicida em Shagri-la, que trás também a busca de alguém que só nós mesmo podemos encontrar e quando decidimos abandonar o fardo de carregar nos ombros pesos que não podem - e não precisam - ser carregados. 

Escrito em primeira pessoa - com um narrador filosófico, crítico e mente aberta (aka o próprio autor) - nos aproximamos bastante do ponto de vista do personagem central, dos seus pensamentos e perspectivas. Além disso, nos aproximamos de alguns personagens secundários - Cassiano e Lúcio - por seus momentos ou até mesmo pelas descrições de Eduardo: Cassiano, o sensitivo, o cara de bom coração e personalidade incrível e Lúcio, o síndico com o coração maior do mundo. O cenário do livro se constrói numa cidadezinha pacata e que age a modo antigo, vida simples, fofoca, onde o novo é estranho e o estranho demora a ser aceito. Estrelas é a cidade aonde Eduardo vai ser ele mesmo sem medo, mas com o grande desafio de ser aceito, por causa sua sexualidade.
"Vida é isso. É só isso e não deveria importar mais que esse basta de vontades e motivações. Roupas, carros, carreiras, estresse, não valem tanto quando você tem a quem amar, e me seguro de debulhar em lágrimas todas as vezes que me abraçam com atitudes." 
Enrique Coimbra enfrenta dois problemas: 1. abordar temas fortes e 2. ser autor nacional, existe uma aversão por grande parte dos leitores em ler livros brasileiros, mas com sua escrita leva e fluída a história se desenvolve de uma forma simples e ao mesmo tempo intensa. O autor que passa a metade dos seus dias escrevendo no seu blog, gravando vídeos, tirando fotos também é um escritor de primeira com seus romances curtos, sinto uma vontade enorme de ler seus outros romances Sobre um garoto que beija garotos e Os hereges de Santa Cruz

Um gay suicida em Shagri-la me lembra O Alegre dramático, um outro livro nacional muito bom e que tem as mesmas pitadas de filosofia sobre a vida, sobre o sentido de tudo que ocorre a nossa volta. Sem dúvidas, um livro com poucas páginas, que dá para ser lido numa tarde, mas com uma história deliciosa. 


por enquanto este blog está sem comentários,
mas temos um livro de visitas para trocarmos figurinhas!

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