24 de out de 2018

Um beijo de amor


Se fosse para perguntar de um beijo inesquecível, eu responderia que foi o teu. Não pelo sabor, nem pela maciez — até porque já não me lembro mais de nada. Ainda que a memória seja falha, me lembro do beijo, porque foi inusitado, no meio de um parque verde, atrás de uma lojinha de algodão doce, tocava alguma música no parque. Não me lembro se era um beijo bom, deve ter sido, porque desencadeou sentimento; mas não é disso que quero falar. Esse texto não é sobre você, é sobre o beijo.

Por mais que estivesse beijando teus lábios, percebi, muito tempo depois, que aquele era o beijo de um beijo interno, beijo para uma vida diferente da proposta durante muito tempo. Foi na essência do ato, que é amor e paixão, que vi, ali, amor e paixão pelo que sou e pelo o que viria a ser — uma busca continua e melhorada do meu eu-gay. 

Foi o seu beijo, mas vale ressaltar que poderia ser de qualquer outro garoto, que me deu a liberdade e responder tantas perguntas internas, foi ele que me fez apreciar a depreciação que me encontrei durante muito tempo, foi ele que me fez quebrar concepções e preceitos. Nesse beijo, talvez corrido demais porque era novo,  encontrei o primeiro tijolo dourado da Estrada dos tijolos amarelos. 

Estrada longa, que percorro mais e mais e a cada novo dia me descubro beijando outras pessoas e me beijando em correspondência de aprendizado e no quem eu sou. E a cada novo encontro de lábios, vejo que já não me comporto como antes, como quando te beijei e sai correndo. Porque hoje eu quero ficar, eu quero ser, eu quero pertencer. E tem sido legal, tem sido legal me beijar.

— estou participando do projeto 30 dias de escrita.

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