Resenha: "O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação", de Haruki Murakami

O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação
Haruki Murakami
Editora Alfaguara, 2014
328 páginas
Haruki Murakami é um fenômeno. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Japão na semana em que foi lançado, e atingindo o primeiro lugar das listas de mais vendidos ao redor do mundo, seu novo livro o coloca entre os grandes autores da atualidade.

Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e na construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade.

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro emocionante sobre a busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.
 Às vezes só quero pegar um livro na estante e iniciar um livro sem ao menos saber dele, isso aconteceu com O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação. Um livro que estava com mofo na estante e que resolvi, então, dar uma chance a essa história brilhante criada pelo famosíssimo japonês Haruki Murakami, mesmo autor da trilogia de sucesso 1Q84. E esse foi um daqueles momentos que fiquei intrigado por, na minha estante fajuta, ter um livro tão incrível, rico e cheio de pensamentos pra absorver.


Nunca havia ouvido falar de Haruki Murakami, mas esse cara é realmente conhecido, suas obras são destaques em diversos países - ganhando prêmios e sendo lido em grandes grupos literários.  E, após a leitura deste volume a qual resenho, posso afirmar que a escrita é maravilhosa: as sensações, os pensamentos, os questionamentos e os personagens se aproximam de uma realidade próxima, podemos obter através do protagonista Tsukuru Tazaki, uma experiência sucinta, crível e deliciosa. 


E o engraçado desse livro é que a vida de Tsukuru Tazaki é chata, ele é um personagem chato, mas a história e modo como ela é contada deixa tudo tão interessante - no momento em que começamos a entender a grande depressão do nosso personagem e a vontade de morrer que ele tinha. O passado é uma peça-chave para essa obra, tal como não podemos seguir em frente com pontas soltas. Ainda nessa obra confrontamos o nosso próprio eu, expectativas frustradas e projeções que criamos de nós mesmos, através do nosso protagonista.

O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação é um livro que fala da vida de Tsukuru Tazaki, buscando envolver vários temas e modos de expressar algum sentimento, seja através de um pianista que interpreta Le mal du pays ou a paixão de se encontrar fazendo cerâmicas. O autor usa diversos recursos e personagens para falar da vida do nosso protagonista - a história contada em terceira pessoa, mas alternando com os pensamentos dos personagens, faz com que a história por si só crie uma peculiaridade e torna o texto, que poderia ser cru, cheio de emoção. 
 
Aqui encontramos uma história realmente cheia de pontas soltas, metáforas e coisas que realmente tornam as nossas vidas diferentes - como aprender a valorizar todos que estão a nossa volta, valorizar o "estar bem" e a própria vida em si. Uma história triste, mas que ganha o coração do leitor aos poucos, vagamos num suspense maravilhoso, mas não é o suspense que é o bom da obra, mas sim o contraste entre realidade e ficção - onde por mais que não "seja sério" é um obra que fala o que sentimos diariamente como expectativas frustradas, não perdão, dor e autoconhecimento.

É uma obra maravilhosa e sei que acabo essa resenha falando quase nada dela, só que eu recomendo fortemente.  


por enquanto este blog está sem comentários,
mas temos um livro de visitas para trocarmos figurinhas!

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